A Polícia Judiciária, em cooperação com a Força Aérea e a Marinha, apreendeu mais um narcosubmarino com cerca de oito toneladas de cocaína. Na operação “Adamastor” foram ainda detidos quatro suspeitos de narcotráfico em Alto-mar, no Oceano Atlântico.
“A interceção do semi-submersível ocorreu em alto mar, a cerca de 230 milhas náuticas dos Açores, em condições de extrema dificuldade e perigosidade, derivado da atual adversidade das condições meteorológicas”, explicou a PJ através de um comunicado. Os quatro detidos, de nacionalidade estrangeira, transportavam 300 fardos de cocaína.
Antes de chegar ao continente europeu, a cocaína seria transferida da embarcação agora intercetada para uma narcolancha. Porém, o barco que partiu da América Latina já teria sido sinalizado pelo MAOC — o centro operacional com sede em Lisboa que agrega informação e agiliza a resposta dos parceiros que colaboram na instituição.
A informação foi transmitida à PJ, que partiu para o oceano com o apoio da Marinha e da Força Aérea. Segundo a CNN, os militares estiveram dois dias à procura da embarcação, que foi localizada e intercetada na última madrugada.
“Esta operação, que contou com o apoio do Departamento de Investigação Criminal dos Açores da PJ, foi iniciada recentemente na sequência da estreita colaboração e articulação da Polícia Judiciária com autoridades dos Estados Unidos da América – DEA (Drug Enforcement Administration) e JIATF-S (Joint Interagency Task Force South), bem como do Reino Unido – NCA (National Crime Agency), no quadro do MAOC-N (Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics). A investigação prossegue a cargo da PJ, em articulação com autoridades parceiras de outros países, no âmbito de um inquérito titulado pelo DIAP da Comarca dos Açores”.
Esta é a terceira apreensão que a PJ faz de uma embarcação deste género em menos de um ano. Em março, estreou-se (num ‘modus operandi‘ que tem crescido nos últimos tempos) com um narcosubmarino que transportava sete toneladas de cocaína. “É o primeiro [submersível] de que temos conhecimento a ser apreendido em pleno oceano” e o “primeiro a ser encontrado nestas circunstâncias”, disse, na altura, o Diretor Nacional da PJ, Luís Neves.
Em novembro, a PJ intercetou uma embarcação semelhante, mas mais arcaica, que tranpsortava 1,7 tonelada de cocaína. “O conhecimento está na posse das organizações [criminosas], a forma como desenvolvem os ‘narcosubmarinos’ depende das capacidades da organização”, explicou, dias depois dessa operação, Vítor Ananias, coordenador da investigação da PJ e perito no combate ao tráfico de estupefacientes.