Os quatro tripulantes que foram apanhados dentro do narcosubmarino que carregava perto de nove toneladas de cocaína vão ficar em prisão preventiva, apurou o Observador junto de fonte judicial. Os quatro sul-americanos (três colombianos e um equatoriano) passaram cerca de três semanas dentro do semi-submersível até serem apanhados pela PJ — com apoio da Marinha e da Força Aérea — na que será a maior apreensão de sempre de cocaína por autoridades portuguesas.

Os tripulantes foram apanhados a 230 milhas náuticas dos Açores, quando foram surpreendidos por um pequeno bote da Marinha. Dada a proximidade geográfica, foram transportados para Ponta Delgada, para cumprir mais rapidamente os prazos judiciais. Foram ouvidos por um juiz na ilha açoriana, tendo-lhes sido aplicada ao final da tarde desta segunda-feira a medida de coação mais gravosa.

Ao contrário dos suspeitos de narcotráfico, a embarcação não foi levada até aos Açores, como pretendido pelas autoridades portuguesas. Atendendo às condições de mar perigosas, que dificultaram a missão em Alto-mar, a embarcação meteu água rapidamente e afundou sem que tivesse sido recolhido todos os fardos de cocaína. A PJ acredita que seriam 300, mas só conseguiu recolher 265 — os restantes 35 também afundaram.

Narcosubmarino esteve três semanas no mar com nove toneladas de cocaína. Como a PJ foi surpreendida na possível maior apreensão de sempre

Por esse motivo, a PJ não conseguiu precisar quantas toneladas estavam dentro do narcosubmarino detetado em pleno oceano Atlântico, quando se prepararia para fazer um transbordo da carga, que teria como destino a Europa. As autoridades ainda vão realizar as devidas pesagens para ter a certeza se esta é a maior apreensão de cocaína de sempre em Portugal.

Numa conferência de imprensa conjunta da PJ, da Marinha e da Força Aérea, os intervenientes de uma investigação que contou com 86 horas de atividade mais operacional revelaram que os trabalhos dos investigadores já duravam há “algumas semanas”. “A Força Aérea desenvolve estas operações há muitos anos, uma longa tradição que está plasmada na lei. A Força Aérea empenhou meios aéreos de transporte e meios aéreos de reconhecimento”, explicou o coronel Vítor Martins, da Força Aérea.

Bruno Sá Vaz, comandante da Marinha, confirmou o apoio dado e descreveu a embarcação que as equipas portuguesas encontraram. “É uma embarcação bastante artesanal, mantê-la a flutuar é sempre complicado”.

Artur Vaz, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, explicou que apesar de ser “uma construção artesanal”, tinha muita tecnologia — suficiente para “atravessar o Atlântico de forma dissimulada”.