O uso de câmaras corporais, as chamadas bodycams, tem sido central nas reformas policiais nos Estados Unidos. No entanto, a administração Trump travou o alargamento do programa do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) que previa uma expansão da sua utilização, propondo cortes significativos no financiamento, noticiou a agência Reuters. Esta decisão surge na altura em que a Casa Branca decide alterar a coordenação das operações, com a saída de Gregory Bovino de Minneapolis.
Em junho do ano passado, o Governo norte-americano já tinha pedido ao Congresso que não avançasse com o projeto (lançado em 2024), defendendo a redução de 75% dos fundos destinados a esta expansão. Segundo a agência noticiosa, que cita fontes familiarizadas com o processo, a proposta orçamental da Casa Branca para 2026 prevê a manutenção de 4.200 câmaras corporais, a redução da equipa de gestão de 22 para três funcionários e um modelo de funcionamento mais simplificado. A Câmara dos Representantes aprovou, entretanto, 20 milhões de dólares (cerca de 16,8 milhões de euros) para câmaras do ICE e da Border Patrol, mas sem tornar a sua utilização obrigatória. O diploma segue agora para o Senado.
Dados citados por assessores do Congresso indicam que, em junho, a Border Patrol dispunha de 13.400 câmaras para cerca de 45 mil agentes. Na morte do enfermeiro este sábado, pelo menos três dos agentes usavam câmaras corporais, segundo uma análise da Reuters a vídeos verificados, mas não foi possível confirmar se os dispositivos estavam ligados ou se os agentes diretamente envolvidos no confronto os transportavam.
A medida é tomada na mesma altura em que a administração Trump decidiu alterar a coordenação federal das operações em Minneapolis. Gregory Bovino, o líder da Border Patrol e principal figura da ofensiva anti-imigração no Minnesota, deverá abandonar a cidade nos próximos dias, acompanhado por alguns agentes, regressando aos seus setores de origem, segundo três fontes com conhecimento do processo.
A saída não corresponde, porém, a uma exoneração do cargo, segundo o que garantiu o Departamento de Segurança Interna norte-americano (DHS, na sigla inglesa), acrescentando que Bovino “é uma peça fundamental da equipa do Presidente e um grande americano”. A Casa Branca enviou, entretanto, Tom Homan para assumir a coordenação das operações do ICE na cidade.
As autoridades de Minneapolis receberam a mudança como um sinal de redução de tensão. O chefe da polícia, Brian O’Hara, afirmou, citado pela CNN Internacional, que espera por uma diminuição da escalada, referindo que algumas ações do responsável federal “não foram úteis”. Esta substituição poderá indicar uma maior disponibilidade do Governo para cooperar com as autoridades estaduais lideradas por democratas.