1228,5kWh poupados 1228,5 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-2255811234
i

Em 1996 ingressou na Patrulha Fronteiriça, a U.S. Border Patrol

AFP via Getty Images

Em 1996 ingressou na Patrulha Fronteiriça, a U.S. Border Patrol

AFP via Getty Images

Quem é Gregory Bovino, o chefe anti-imigração de Trump acusado de ser um “cosplay nazi” e liderar táticas violentas?

Tornou-se rosto da política anti-imigração de Trump, exibe-se nas redes sociais e lidera táticas violentas conhecidas como "turn and burn". Faz-se notar pelo casaco verde ao estilo dos oficiais nazis.

    Índice

    Índice

“Não estamos a fazer política. Estamos a cumprir a lei”. É desta forma que Gregory Bovino, chefe da Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês), define a sua atuação enquanto lidera uma das mais polémicas campanhas anti-imigração da história dos Estados Unidos. Aos 55 anos, transformou-se no rosto da ofensiva do Presidente norte-americano, Donald Trump, contra imigrantes ilegais, conduzindo operações que atravessam cidades inteiras, desde Los Angeles até Minneapolis.

Sob o seu comando, os agentes federais já entraram em centenas de casas, partiram vidros de carros, patrulharam parques públicos a cavalo e espalharam o medo pelas comunidades locais. O estilo “turn and burn” de Bovino — rápido, agressivo e cinematográfico — transformou a Border Patrol numa força visível nas ruas, com operações que já resultaram em mais de 20 mil detenções em menos de um ano e em episódios trágicos, como a recente morte do enfermeiro Alex Pretti, em Minneapolis, a segunda na cidade.

Quem era Alex Pretti, o enfermeiro norte-americano de 37 anos morto a tiro pelo ICE em Minneapolis

Simultaneamente, a imagem de Bovino, frequentemente vestido com um grande casaco verde militar, tornou-se símbolo de polémicas. Para os críticos, evoca as fardas de oficiais nazis. Para apoiantes é o emblema da lei a ser cumprida sem hesitações. Entre protestos e elogios do movimento MAGA, este homem tornou-se a personificação do debate sobre imigração, da aplicação da lei à força e da militarização das cidades norte-americanas. Mas, afinal, quem é o chefe da Patrulha Fronteiriça?

Três décadas de experiência, altos e baixos na carreira e, por fim, comandante da Patrulha Fronteiriça

Gregory Bovino nasceu na Carolina do Norte e cresceu na cidade de Boone, nas Blue Ridge Mountains, região conhecida pelo isolamento e forte cultura comunitária. De acordo com a CNN e a BBC, tem origem italiana — daí o seu apelido — e herdou a disciplina e o rigor familiar dos avós paternos, que emigraram da Calábria, no sudoeste da Itália, para a Pensilvânia, no nordeste dos Estados Unidos.

Enfrentou a separação dos pais aos 14 anos, mas a educação e a força de vontade moldaram a sua personalidade resistente. Gregory acabou por se licenciar em Conservação de Recursos Naturais na Western Carolina University e completou o mestrado em Administração Pública na Universidade Estadual dos Apalaches.

Bovino começou a trabalhar no Departamento de Polícia da cidade de Boone, mas a sua carreira tomou outro rumo em 1996, quando entrou para a Patrulha Fronteiriça, a U.S. Border Patrol.

Ao longo de 30 anos, ocupou diversos cargos: foi chefe adjunto da Divisão de Operações Especiais da guarda fronteiriça norte-americana em Washington (2004), chefe da patrulha em Nova Orleães (2018) e comandante do setor de El Centro, na Califórnia. Durante este percurso, esteve destacado nas Honduras e em África, reforçando o seu currículo como especialista em operações estratégicas. Em 2025, foi nomeado pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, comandante-geral da Border Patrol.

GettyImages-2252267130

Líder da Patrulha em Chicago, em dezembro, enquanto vigiava um bairro

Getty Images

A carreira de Bovino fez-se, porém, de vários altos e baixos. Em 2023, por exemplo, foi afastado do comando na região de El Centro, após criticar publicamente as políticas do então Presidente, Joe Biden, ao fazer publicações nas redes sociais consideradas inadequadas pela Casa Branca.

Poucos meses depois, acabou por se tornar numa peça central da política anti-imigração de Donald Trump, reeleito Presidente do país no final de 2024. Hoje, coordena operações em cidades como Los Angeles, Chicago, Charlotte, Nova Orleães e Minneapolis, supervisionando equipas armadas que operam com táticas militares, muitas vezes em zonas densamente povoadas. O próprio descreve a Border Patrol como a “Green Team” (“Equipa Verde”, em português), uma alusão ao uniforme militar. É dos poucos, senão mesmo o único, que mostra a cara durante as operações da Patrulha.

“Estamos a tornar a cidade segura”. A política anti-imigração defendida por Bovino (e por Trump)

O segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca está a ser marcado por uma radicalização da política anti-imigração, com foco nas deportações massivas e na presença da Patrulha Fronteiriça em cidades consideradas “santuários” para imigrantes — e Bovino foi o homem escolhido para colocar em prática esta abordagem.

Em Los Angeles, em junho de 2025, sob o comando de Gregory Bovino, vários agentes federais realizaram milhares de detenções, arrombaram portas, partiram vidros de carros e patrulharam parques urbanos a cavalo, criando uma atmosfera de medo tanto para imigrantes como para cidadãos locais.

Rusgas, protestos e militares. Sete respostas para entender como Los Angeles se transformou num “barril de pólvora”

As manifestações começaram no dia 6 de junho, depois de 44 pessoas terem sido presas num dia marcado por uma grande atividade do Serviço de Alfândega e Imigração (ICE, na sigla inglesa), responsável por identificar, prender e deportar imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Num comunicado, o Departamento de Homeland Security, disse que mil pessoas terão “cercado os agentes do ICE, furando pneus e destruindo propriedades dos contribuintes”, o que levou Trump a anunciar o destacamento de dois mil guardas nacionais para Los Angeles.

Seguiram-se outras operações em Chicago, Charlotte, Nova Orleães e Minneapolis, todas com a mesma tática: ação rápida, agressiva e visualmente impactante. Em Chicago, durante a operação Midway Blitz, foram detidas cerca de três mil pessoas, muitas sem antecedentes criminais, e o chefe da Patrulha Fronteiriça foi filmado a lançar gás lacrimogéneo contra os manifestantes, violando temporariamente as ordens judiciais que restringiam o uso da força.

GettyImages-2256147228 GettyImages-2237498759

Bovino é dos poucos militares que mostra a cara em público

Getty Images

Já em Minneapolis, este mês, “a #MeanGreen [tem estado] a patrulhar no frio, na neve e em todas as condições, prendendo estrangeiros ilegais até que a missão seja cumprida”, publicou Bovino na sexta-feira na rede social X. “Estamos aqui e estamos a tornar a cidade segura”, sublinhou.

No entanto, em pouco mais de duas semanas, Minneapolis assistiu à morte de uma mulher às mãos do ICE, a um segundo tiroteio que envolveu um cidadão venezuelano, a uma escalada de protestos e, já este sábado, a outra morte — a do enfermeiro Pretti — provocada pelos agentes federais.

Bovino garante que apenas quer tornar a cidade segura. E esta tese é corroborada pela Casa Branca. Trump fez uma publicação na Truth Social após as forças de segurança terem matado Alex Pretti. “DEIXEM OS PATRIOTAS DO ICE FAZER O SEU TRABALHO”, lê-se na mensagem. A Casa Branca haveria de considerar Pretti um caso de terrorismo interno e avançar que este estava armado — o que muitos vídeos, devidamente verificados, vieram a confirmar ser falso.

Já JD Vance, vice-Presidente dos Estados Unidos, acusou a “liderança local” do estado do Minnesota de “recusar” os pedidos dos agentes do ICE para trabalharem em cooperação com as autoridades, ele que esteve muito dias em visita no local. “Quando visitei o Minnesota, o que os agentes dos ICE queriam acima de tudo era trabalhar com a polícia local para que as situações não escalassem”, disse.

Também o secretário da Defesa, Pete Hegseth, optou por apoiar Trump, ao dizer a forma como evitar os agentes do ICE: “Não estar aqui ilegais, não atacar os agentes do ICE, obedecer às leis federais e estaduais”.

Após a morte de Pretti, Bovino defendeu os seus agentes em conferência de imprensa, alegando que a situação decorreu de decisões precipitadas do próprio enfermeiro — um argumento contestado por quem analisou os tais vídeos divulgados nas redes sociais.

Apesar de as imagens não mostram nenhuma evidência de que o homem estivesse a tentar ferir alguém, o líder da USBP reforçou a defesa dos agentes. “O facto de eles serem altamente treinados impediu qualquer tiroteio específico contra as forças de segurança, então parabéns às nossas forças de segurança por o terem derrubado antes que ele pudesse fazer isso”, disse Bovino ao programa State of the Union da CNN, este domingo.

ICE em Minneapolis é o “laboratório” para Trump testar os limites do seu poder

A tática de Bovino é conhecida como “turn and burn”: operações rápidas, sem aviso prévio, que evitam protestos e minimizam riscos para os agentes. Mas a abordagem tem sido criticada por criar intimidação generalizada, perfil racial nas detenções e abuso de autoridade, sendo alvo de múltiplas ações judiciais e processos por organizações como a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). Apesar disso, Bovino mantém a defesa da sua política: “As operações são legais, direcionadas e focadas em indivíduos que representam ameaça grave. Não são aleatórias, nem têm motivação política. Estamos a fazer cumprir a lei”, disse, citado pela imprensa norte-americana.

O seu estilo combina força e publicidade, uma vez que utiliza, também, as redes sociais para promover o trabalho dos agentes federais. Ao publicar as ações das autoridades, Bovino consolida a sua popularidade, transformando cada operação numa peça de comunicação política.

O casaco militar verde que o compara aos oficiais nazis

Um dos elementos que mais tem causado polémica é o casaco militar verde usado durante as operações militares em Minneapolis. O jornal alemão Der Spiegel publicou um artigo em que o acusa de ser um “cosplay nazi”, comparando Bovino a um oficial nazi devido ao corte de cabelo e ao sobretudo que usa frequentemente.

“Não é de admirar que figuras como Bovino estejam a recorrer a modelos testados e aprovados. Enquanto os outros agentes federais parecem usar qualquer coisa que tenham à mão, [Bovino] destaca-se entre a turba de valentões como um elegante oficial da SS se destaca da tumultuosa SA. O corte de cabelo undercut estiloso também está perfeito. Tudo o que falta para o look perfeito é um monóculo“, lê-se.

Outro jornal alemão, o Süddeutsche Zeitung, também analisou o estilo do chefe das forças fronteiriças: “Outros países também tinham estes sobretudos, mas o fato de Bovino completa o aspeto nazi: um corte de cabelo muito curto, como se tivesse levado uma foto de Ernst Röhm [oficial alemão, um dos principais membros do partido nazi] ao barbeiro”.

GettyImages-2256971389

Bovino é o braço direito de Trump para a imigração

Getty Images

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, também comentou o visual, que evoca uma “polícia secreta, exército privado, homens mascarados, pessoas que desaparecem sem o devido processo”. Para os críticos, a imagem reforça a sensação de militarização e autoritarismo, numa altura em que Bovino já se tornou o sinónimo de operações agressivas nas cidades.

Contudo, o comandante rejeita qualquer relação ideológica e explicou que o casaco faz parte da farda da Border Patrol desde 1999, adquirido quando era u, agente jovem. Já foi, disse, usado em cerimónias oficiais durante a administração Biden. “O casaco é apenas parte da história da minha carreira, não um símbolo político ou ideológico”, afirmou em entrevista à News Nation.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.