O frio, a chuva e a sucessão de tempestades estão a fazer de janeiro de 2026 o mês dos recordes no consumo diário de eletricidade.
Sexta-feira, dia 23 de janeiro, foi atingido um novo máximo de 198,1 GWh (gigawatt-hora). De acordo com um comunicado da REN (Redes Energéticas Nacionais), este valor é o mais recente de uma sucessão de consumos diários recorde que se iniciou no dia 6 de janeiro, com 186,2 GWh, sendo que o máximo anterior era de janeiro de 2021, depois em 7 e 8 de janeiro (188,1 GWh e 192,4 GWh), mais tarde no dia 20 (com 193,9 GWh), no dia 22 (com 195,5 GWh) e novamente na passada sexta-feira.
O anterior recorde de consumo de janeiro de 2021 aconteceu durante uma onda de frio em que Portugal estava em confinamento por causa da Covid-19. Devido à imposição de as pessoas permanecerem em casa, o Governo de então aprovou um desconto extraordinário de 10% na fatura da energia elétrica para aquele mês.
Segundo a REN, a procura de energia elétrica neste mês de janeiro — até dia 25 — está a crescer 8,5%, face a igual período do ano passado.
Ao consumo máximo tem estado também associada a potência máxima solicitada ao sistema elétrico nacional, que registou novos máximos no dia 6 e subiu no dia 20 de janeiro às 19h45 para 10254 MW (megawatt). Grande parte dessa potência tem sido alimentada pela energia hidroelétrica e eólica cuja abundância tem permitido preços muitos baixos em Portugal e Espanha quando comparados com o resto da Europa. Para esta terça-feira, Portugal (e Espanha) regista os preços grossistas médios mais baixos da União Europeia — 28,8 euros por MW.
As tempestades que têm passado pelo território português estão também a potenciar a produção eólica e hídrica, o que têm também permitido elevados fluxos de exportação de eletricidade, de Portugal para Espanha e de Espanha para França.
A semana passada foi marcada pela passagem da depressão Ingrid e Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).