A META começou a bloquear utilizadores que partilham links da ICE List, site com dados sobre agentes de imigração dos Estados Unidos da América (EUA) através das suas redes sociais, adiantou a Wired esta terça-feira. A Ice List afirma estar a compilar informações sobre pessoas que trabalham no Departamento de Segurança Interna e do ICE, o Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro do país, que está no centro de intensos protestos nacionais depois de ter matado dois civis em janeiro, em Minneapolis.
Até terça-feira, qualquer pessoa que tentasse publicar links associados à ICE List no Instagram, Facebook e Threads recebia um aviso de que a publicação violava as normas da comunidade da plataforma, acrescenta a revista.
Andy Stone, porta-voz da META, justificou a medida à Wired com a política da empresa, que se posiciona contra a partilha de “informações pessoais identificáveis”. Ainda assim, no WhatsApp, que faz parte do mesmo grupo, é possível divulgar esses mesmos links.
A ICE List, nascida em junho de 2025 com o objetivo de difundir informação sobre os agentes de imigração de forma a responsabilizá-los pelas suas ações, foi partilhada sem problemas durante seis meses nas mesmas redes sociais, garantiu Dominick Skinner, o seu criador. Os problemas começaram na última segunda-feira, dia em que voluntários em vários pontos dos EUA começaram a relatar problemas. E continuaram até esta quarta-feira, confirmou o Observador. Pelo menos no Facebook e a partir de Portugal.
Dominick Skinner parece não ter dúvidas sobre o que (ou quem) motiva este bloqueio: “Acho que não é surpresa para ninguém que uma empresa dirigida por um homem que se sentou atrás de Trump na sua tomada de posse, e que doou para a destruição da Casa Branca, tenha adotado uma posição que ajuda os agentes do ICE a manter o anonimato”, afirma Skinner à Wired, referindo-se a Mark Zuckerberg.
“Se existe uma violação de políticas, somos os únicos sinalizados, apesar de outros sites partilharem ainda mais informação”, lamentou Skinner ao jornal Politico, lembrando, por exemplo, o White Pages, que revela nomes e contactos e até familiares das pessoas. O fundador da ICE List disse ao mesmo jornal que acredita que estas restrições foram impostas pelo facto de a página ter criado um espaço onde as pessoas podem colocar informação sobre os agentes envolvidos na morte de Alex Pretti. Mas o porta-voz da META recusa essa leitura.
A administração Trump tem acusado o site de praticar doxing contra os agentes do ICE, o que significa, na prática, revelar informações pessoais de alguém na internet sem consentimento, geralmente com a intenção de intimidar, assediar ou prejudicar essa pessoa.
Washington não se ficou pelas palavras. Já em outubro a Apple e a Google removeram aplicações como a ICE Block, que dão conta da localização de agentes da ICE, das respetivas lojas de aplicações após exigências da procuradora-geral Pam Bondi, que alegou que a app colocava os agentes em risco, noticiou a Associated Press. A aplicação permitia aos utilizadores reportar de forma anónima e em tempo real avistamentos de agentes do ICE e ver onde é que outros utilizadores os tinham visto, de forma parecida com apps de trânsito como o Waze ou o Google Maps, que permitem marcar perigos ou radares no mapa.
Em dezembro, a ICEBlock processou a administração Trump por censura, reportaram diversos meios de comunicação social.
A decisão de restringir a partilha dos links das ICE List surge após os violentos tumultos que têm sacudido Minneapolis, desencadeados por uma operação do ICE que levou a milhares de detenções e a duas mortes, numa altura em que, na falta da ICEBlock, muitos utilizadores recorrem às redes sociais para acompanhar os movimentos dos Serviços de Imigração dos EUA.
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