A divulgação de novos e-mails ligados ao caso Esptein revelou contactos entre o milionário acusado de crimes sexuais e figuras de topo. Entre os envolvidos está Peter Mandelson, antigo comissário europeu e ex-embaixador do Reino Unido em Washington, que anunciou a sua demissão do Partido Trabalhista, e a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, que apresentou um pedido de desculpas público pelo contacto mantido com Jeffrey Epstein, noticiou o The Telegraph.
Os e-mails fazem parte de uma nova leva dos ficheiros de Epstein que foram divulgados esta sexta-feira pelo Departamento de Justiço norte-americano e que contam com mais de três milhões de documentos, incluindo 2.000 vídeos e 180.000 imagens. Entre os novos conteúdos encontram-se emails e fotografias inéditas que envolvem figuras como Elon Musk e Andrew Mountbatten-Windsor, o antigo príncipe André cujos títulos foram retirados após as acusações de violação. Há, também um registo do FBI das alegações das vítimas contra Donald Trump e comunicações que sugerem que Bill Gates teve um caso extra-matrimonial.
Os ficheiros revelam que, em 2009, quando ocupava o cargo de secretário de Estado para os Negócios, Mandelson tentou influenciar a política do Governo britânico sobre impostos a bónus bancários, respondendo a pedidos de Epstein. “As minhas conversas refletiam a posição do setor bancário como um todo e não de um indivíduo isolado”, explicou, entretanto, Mandelson à BBC. Apesar da explicação, a pressão política sobre o antigo ministro intensificou-se, levando-o a renunciar à filiação no Partido Trabalhista “para evitar mais embaraços”.
???????????? NEW: Peter Mandelson gave Jeffrey Epstein advanced notice of a €500 billion bailout to save the Euro in 2010
Mandelson, who was Business Secretary at the time, send the email to Epstein less than 24 hours before the bailout was announced pic.twitter.com/fRoG7Xsj3f
— Politics Global (@PolitlcsGlobal) February 2, 2026
Além das tentativas de influência política, os documentos revelam transferências bancárias feitas destinadas ao marido de Mandelson: três pagamentos de 25 mil dólares (cerca de 21 mil euros) entre 2003 e 2004 e outro de 10 mil libras (cerca de 11.500 euros). O político afirma que não tem memória destas transações, mas fontes governamentais defendem que poderá vir a ser chamado a depor no Congresso norte-americano, onde os investigadores procuram esclarecer a rede de cúmplices de Epstein.
As imagens incluídas nos ficheiros agora divulgados mostram ainda Mandelson em circunstâncias pouco habituais, como em roupa interior ao lado de uma mulher, embora o antigo ministro tenha afirmado não se recordar da situação ou da localização das fotografias. “Não sei em que contexto estas imagens foram tiradas”, afirmou.
A photo has emerged showing 'Lord' Mandelson at a birthday celebration in Paris with sex trafficking paedophile Jeffrey Epstein.
According to reports this was taken AFTER Epstein's first conviction.
Mandelson is said to be advising 'Sir' Keir Starmer. pic.twitter.com/JbJXT6Wtsq
— UNN (@UnityNewsNet) January 9, 2022
Em setembro de 2025, Peter Mandelson já tinha sido afastado do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington na sequência da sua relação com Epstein, conhecida após a divulgação anterior de trocas de e-mails. “Os emails mostram que a profundidade e a extensão da relação de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein são substancialmente diferentes daquelas conhecidas no momento da sua nomeação”, afirmou, na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico quando tomou a decisão de dispensar Mandelson.
Embaixador britânico nos EUA demitido depois de conhecidos emails enviados a Jeffrey Epstein
Epstein foi condenado em 2008 por prostituição de uma menor na Flórida após um acordo com o Governo federal. Aguardava um novo julgamento por acusações federais de tráfico sexual com uma possível pena de até 45 anos de prisão quando se suicidou a 10 de agosto de 2019 numa prisão de Nova Iorque.
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