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"Nunca fui à ilha, nunca conheci nenhuma mulher". Bill Gates reage a emails do caso Epstein

Este artigo tem mais de 6 meses

Num email, Epstein sugere que forneceu antibióticos para o fundador da Microsoft dar à mulher depois de ter apanhado uma doença sexualmente transmissível. Gates diz que o texto é "falso".

epa11324830 Co-Chair of the Bill and Melinda Gates Foundation Bill Gates looks on during a panel discussion at the the Berlin Global Solutions Summit in Berlin, Germany, 07 May 2024. Berlin Global Solutions Summit, running from 06 to 07 May 2024, is an international conference addressing key policy challenges.  EPA/CLEMENS BILAN
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▲Bill Gates já teve a relação com Epstein escrutinada em 2021, quando afirmou que os encontros com o criminoso sexual foi "um erro"

CLEMENS BILAN/EPA

▲Bill Gates já teve a relação com Epstein escrutinada em 2021, quando afirmou que os encontros com o criminoso sexual foi "um erro"

CLEMENS BILAN/EPA

O fundador da Microsoft Bill Gates falou pela primeira vez sobre a sua relação com Jeffrey Epstein desde a recente divulgação de ficheiros pelo Departamento de Justiça norte-americano. “Nunca fui à ilha, nunca conheci nenhuma mulher, então quanto mais sair, mais claro vai ficar que, apesar de a altura [em que se encontrou com o financeiro]  ter sido um erro, não tive nada a ver com aquele tipo de comportamento” disse o milionário à Associated Press. “Sou apenas uma das várias pessoas que se arrependem de o terem conhecido”, afirmou o empresário, que viu o seu nome envolvido no escândalo que já revelou as ligações do criminoso sexual com membros da realeza europeia e figuras importantes da política britânica, como o antigo embaixador nos EUA Peter Mandelson.

O nome de Bill Gates é mencionado mais de duas mil vezes nos ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano. Os documentos sugerem que o fundador da Microsoft encontrou-se com Epstein em várias ocasiões depois da condenação do milionário em 2008, quando foi preso por solicitar prostituição de uma menor. Contudo, em dois emails em especial, Jeffrey Epstein escreve que o empresário poderá ter contraído uma doença sexualmente transmissível. “Providenciei antibióticos para que desse sorrateiramente a Melinda”, escreve Epstein, num longo texto endereçado a Bill Gates, mas que terá enviado para si mesmo, em 2013, enquanto noutro afirma que o empresário precisava de medicação “para lidar com as consequências do sexo com meninas russas“.

“Aparentemente Jeffrey escreveu um email para ele mesmo. Aquele email nunca foi enviado. Os emails são falsos. Não sei o que ele estava a pensar naquela altura. Só me lembro do quanto me arrependo de cada minuto que passei com ele”, reagiu Bill Gates, às alegações em causa. Em 2021 o New York Times já havia avançado que Gates esteve com Epstein pelo menos três vezes em 2011, em reuniões na mansão do criminoso sexual em Nova Iorque. Na altura o fundador da Microsoft classificou a relação como “um erro” e explicou que se encontrou com Epstein para tratar de temas relacionados a filantropia.

Na passada terça-feira, Melinda Gates, ex-mulher do empresário, comentou o caso num podcast da NPR. “Para mim, é pessoalmente difícil sempre que esses detalhes vêm à tona, sabe? Porque me trazem à memória momentos muito, muito dolorosos do meu casamento”, disse Melinda, que divorciou-se de Bill Gates em 2021. “Quaisquer perguntas que ainda existam sobre o quê — eu nem consigo começar a saber tudo — essas perguntas são para essas pessoas e até mesmo para o meu ex-marido. Eles precisam responder a essas perguntas, não eu”, declarou.

Sobre o impacto das revelações, Melinda falou numa “tristeza inacreditável” ao conhecer os detalhes dos ficheiros, expressando profunda empatia pelas jovens envolvidas.  “Tristeza. Tristeza inimaginável. Eu sou capaz de pegar na minha própria tristeza e olhar para aquelas jovens e dizer: ‘Meu Deus. Como é que aquilo lhes aconteceu?’ Para mim é só tristeza. Eu tive de sair do meu casamento, eu quis sair do meu casamento. Eu senti que teria de sair da fundação.”

Reforçando essa preocupação, frisou a injustiça sofrida pelas vítimas: “Nenhuma jovem deveria jamais ser colocada na situação em que elas foram colocadas por Epstein e por todas as pessoas envolvidas com ele. Nenhuma jovem”, afirmou, partilhando depois a dimensão pessoal dessa dor: “Quer dizer, é simplesmente… é de partir o coração. Lembro-me de ter a idade que aquelas raparigas tinham. Lembro-me de as minhas filhas terem a mesma idade”.

Por fim, assumiu estar “feliz” por se encontrar distante de “toda a confusão”, sublinhando que as vítimas “nunca deveriam ter passado” por aquele sofrimento.

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