Acompanhe o nosso liveblog sobre as tensões internacionais
O chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, acusou esta sexta-feira a Ucrânia de ter tentado assassinar um militar envolvido nas negociações sobre o fim da guerra para fazer fracassar o processo em curso em Abu Dhabi.
Um desconhecido feriu esta sexta-feira a tiro o general Vladimir Alekseyev, primeiro-adjunto do chefe dos negociadores russos, num ataque num prédio de habitação no noroeste de Moscovo.
Alekseyev “foi hospitalizado de urgência num dos hospitais da cidade”, disse a porta-voz do Comité de Investigação, Svetlana Petrenko, citada pela agência de notícias russa TASS. Oleg Tsaryov, político ucraniano pró-Kremlin e próximo do general revelou que o militar tinha sido sujeito uma cirurgia e estava em coma, noticiou o The Guardian.
“Este ato terrorista confirma, uma vez mais, a orientação do regime [do Presidente Volodymyr] Zelensky para provocações constantes, visando fazer fracassar o processo de negociação”, declarou Lavrov à televisão russa, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
Lavrov disse que Kiev estava disposto “a fazer tudo” para convencer os aliados ocidentais a não permitirem que os Estados Unidos alcançassem “um acordo justo” para o conflito na Ucrânia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros recusou-se a prever como a tentativa de assassinato poderá afetar as negociações iniciadas nos Emirados Árabes Unidos.
“Isso não é da minha responsabilidade, cabe à liderança do nosso país decidir”, afirmou, citado pela TASS, numa alusão ao Presidente Vladimir Putin.
O general Alekseyev, 64 anos, é o número dois da inteligência militar russa, dirigida por Igor Kostiukov, que chefiou a delegação de Moscovo na primeira e segunda rondas de negociações em Abu Dhabi, referiu a agência espanhola EFE.
Alekseyev, que nasceu na Ucrânia, foi um dos chefes do exército que tentaram negociar com o chefe do grupo de mercenários russos Wagner, Yevgeny Prigozhin, durante a rebelião protagonizada pela formação paramilitar em meados de 2023.
Destacou-se durante operações secretas na Síria, onde a Rússia interveio militarmente em 2015 contra combatentes fundamentalistas em apoio ao regime do deposto ditador Bashar al-Assad.
O porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, disse que os serviços secretos estavam a investigar e que Putin tinha sido informado sobre o atentado contra o militar.
Referiu ser “indubitável que os chefes militares e os altos comandos se encontram ameaçados” devido à operação militar especial na Ucrânia, como Moscovo designa a guerra contra o país vizinho, que invadiu em fevereiro de 2022.
Peskov disse que cabe aos serviços secretos garantir a segurança, mas não quis comentar se as medidas são suficientes após o assassinato de três generais em Moscovo desde dezembro de 2024.
Na rede social X, Denys Prokopenko, comandante do regimento Azov da Guarda Nacional ucraniana, escreveu uma publicação na rede social X sobre Alekseyev, afirmando que tinha prometido e falhado a promessa de tratar os prisioneiros de guerra ucranianos respeitando as Convenções de Genebra.
“A palavra de um oficial, natural da região de Vinnytsia e traidor da sua pátria, revelou-se sem valor“, escreveu o militar ucraniano, prometendo que, mesmo que o russo sobrevivesse ao ataque, “nunca mais dormiria em paz“.
“E um dia, isto vai acabar. Nenhum criminoso de guerra que tenha matado e torturado soldados e civis ucranianos, destruído cidades ucranianas, raptado crianças ucranianas ou cometido outros crimes contra o povo ucraniano se sentirá seguro. Em nenhum lugar do planeta esses indivíduos encontrarão refúgio ou segurança absoluta. Nunca”, prometeu.
Lieutenant General Vladimir Alekseyev, First Deputy Chief of the GRU of the Russian General Staff, who was shot in Moscow this morning, was the senior Russian representative at the negotiations in Mariupol in May 2022, during the withdrawal of the Mariupol garrison from Azovstal.… pic.twitter.com/WjgcG73INh
— Denys Prokopenko (@D_Redis) February 6, 2026
A porta-voz do Comité de Investigação da Rússia, Svetlana Petrenko, disse à agência RIA Novosti que “uma pessoa não identificada efetuou vários disparos” contra Alekseyev a noroeste da capital russa “e fugiu do local”.
O jornal russo Kommersant noticiou que Alekseyev foi levado para o hospital com ferimentos no abdómen, num braço e numa perna.
O Comité de Instrução da Rússia instaurou processos criminais por tentativa de assassinato e tráfico ilegal de armas, mas não acusou diretamente a Ucrânia pelo tiroteio, segundo a EFE.
As autoridades russas acusaram anteriormente os serviços secretos ucranianos de ataques semelhantes, como o que vitimou o chefe de operações do Estado-Maior, Fanil Sarvarov, morto em dezembro em Moscovo devido à explosão de um carro-bomba.
Também foi assassinado, entre outros, o general Igor Kirilov, em 17 de dezembro de 2024, num atentado bombista quando saía de casa em Moscovo, ataque que desencadeou a ira de Putin pelas escassas medidas de segurança.
Notícia atualizada às 18h20 com novas reações e dados sobre o estado de saúde do general
[Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]