Tim Allan, diretor de comunicação do Governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, demitiu-se esta segunda-feira, noticiou a agência Reuters. Trata-se da segunda saída de um membro da assessoria do Executivo do Reino Unido em menos de dois dias, numa altura de crise política relacionada com a ligação de alguns políticos ao caso Epstein. Ainda assim, o porta-voz de Starmer garante que o chefe de Governo não irá demitir-se: “Continua determinado em enfrentar o trabalho que tem em mãos. Seguimos com confiança enquanto continuamos a mudar o país”.
Em comunicado, citado pela mesma agência noticiosa, Tim Allan afirmou ter decidido sair para “permitir a formação de uma nova equipa em Downing Street”, desejando “muito sucesso” ao primeiro-ministro e ao restante executivo. Allan tinha sido nomeado diretor executivo de comunicação do Número 10 em setembro de 2025.
Antigo vice-porta-voz de imprensa de Tony Blair, Allan foi assessor do então primeiro-ministro entre 1992 e 1998. Em 2001 fundou a agência de relações públicas Portland, uma das principais consultoras do país, e regressou a Downing Street na última remodelação da equipa de Starmer, substituindo James Lyons, que ocupou o cargo durante apenas um ano.
Esta demissão ocorre um dia depois da saída de Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer, que abandonou o cargo devido ao seu envolvimento na nomeação de Peter Mandelson, embaixador britânico nos Estados Unidos suspeito de partilhar informações secretas com Jeffrey Epstein.
Para além das ligações ao agressor sexual, que se suicidou na prisão em 2019, as informações divulgadas sugerem que Peter Mandelson recebeu dinheiro de Epstein e trocou informações sensíveis com o empresário, enquanto desempenhava funções como Secretário de Negócios no Reino Unido. Desde que os e-mails se tornaram públicos, Mandelson foi obrigado a interromper as funções como embaixador nos Estados Unidos e renunciou ao lugar no Partido Trabalhista e na Câmara dos Lordes.