O parlamento aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, um voto de pesar pela morte do cineasta João Canijo, que os deputados recordaram como uma “voz forte e singular”.
O voto foi apresentado por PCP, BE, Livre, PAN e PS e salienta que a morte de João Canijo, a 29 de janeiro de 2026, aos 68 anos, “representa uma perda precoce e irreparável para a cultura portuguesa”.
João Manuel Altavilla Canijo nasceu no Porto, em 1957, onde frequentou o curso de História na Faculdade de Letras entre 1978 e 1980.
O texto recorda o seu percurso profissional, que se inicia como assistente de realização de cineastas de renome como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter, tendo assinado a sua primeira longa-metragem em 1988.
“Ao longo de décadas, construiu uma filmografia imprescindível que funcionou como um espelho da sociedade portuguesa, explorando temas como as relações familiares, as hierarquias sociais e a violência latente nas dinâmicas íntimas”, destaca o voto.
A consagração internacional definitiva chegou em 2023, quando venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim com o filme Mal Viver.
“A sua morte priva Portugal de uma voz forte e singular que, através de um olhar lúcido e corajoso, nos ensinou a encarar a vida sem complacência, mas sempre com humanidade”, lamentam os deputados.
Entre sete votos de pesar, o parlamento lamentou igualmente a morte da ativista contra a ditadura e antiga dirigente do Centro Nacional de Cultura Joana Lopes e do ambientalista e cofundador da associação Quercus Serafim Riem.