Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, acusou os tribunais italianos de minarem os seus esforços de conter a imigração ilegal em Itália. A posição de Meloni, avança a Reuters, é uma resposta a uma decisão de um tribunal de Palermo que ordenou que o Governo italiano indemnizasse em 76 mil euros a organização sem fins lucrativos Sea-Watch pela detenção da sua embarcação em 2019. A plataforma foi acusada de não respeitar um bloqueio naval que procurava evitar a entrada de refugiados em território italiano, em 2019.
Mas esta não foi a única decisão contestada pela chefe de Governo italiana. As críticas de Meloni abrangem, igualmente, uma sentença por um tribunal de Roma que atribuiu uma indemnização a um migtante com múltiplas condenações. Segundo a referida agência, o homem foi transferido para um centro de repatriação italiano em território albanês e não terá sido autorizado a informar a família.
“Que mensagem está a ser transmitida com esta série de decisões objetivamente absurdas? Que o Governo não tem permissão para tentar combater a imigração ilegal em massa? Que qualquer lei aprovada e qualquer procedimento implementado pode ser obstruída por uma ala politizada da justiça“, questionou Meloni num vídeo publicado no seu perfil na rede social X.
Una decisione che lascia senza parole. Ascoltate bene cosa è successo pic.twitter.com/THsV8vGI9L
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) February 18, 2026
Nas últimas semanas, a tensão tem aumentado entre o Governo e os magistrados devido ao plano de reforma judicial do Executivo italiano, lembra a agência. Entre as medidas, encontra-se a separação definitiva das carreiras de juízes e procuradores, impedindo-os de alternar entre funções ao longo da vida profissional. Além disso, as mudanças preveem a criação de um Tribunal Disciplinar Superior para julgar possíveis casos de má conduta de magistrados e a introdução de um sistema de sorteio para a eleição dos membros do Conselho Superior da Magistratura, com o objetivo de reduzir a influência política e o poder das correntes internas no sistema judicial, noticiou a Reuters. Estas alterações serão decididas em referendo constitucional nos dias 22 e 23 de março.
Os opositores entendem que as reformas põem em causa a independência do terceiro poder, alegando que a escolha dos membros do Conselho Superior da Magistratura por sorteio pode comprometer a qualidade do grupo de trabalho. É o caso de Nicola Gratteri, procurador de Nápoles, que afirma que quem está a ser julgado ou quem não quer uma justiça eficaz vai apoiar a mudança, enquanto as “pessoas decentes” votarão contra as alterações.
Numa sondagem publicada pelo Corriere della Sera no dia 14 de fevereiro, o voto contra as reformas leva uma percentagem residual, com 50,6% das intenções de voto, contra 49,4% aqueles que afirmam opor-se às mudanças na Justiça.
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