A revelação do Audi RS5 esteve longe de poder ser considerada um sucesso ou, pelo menos, de estar em linha com o que a marca alemã tinha originalmente planeado. No dia em que tinha programado a revelação de um teaser, destinado a aguçar a curiosidade dos interessados no novo desportivo, o construtor alemão foi surpreendido pela publicação nas redes sociais de grande parte das fotos oficiais — a que o Observador deu o devido destaque —, o que baralhou a estratégia delineada. A solução encontrada para limitar a confusão gerada pela fuga das fotos para a Internet foi antecipar a revelação total do modelo, que é simultaneamente familiar e desportivo.
Audi queria mostrar só um pouco do RS5, mas a net revelou tudo
Tal como avançámos, o Audi RS5 é o modelo que sucede ao RS4, sendo disponibilizado em forma de berlina e de carrinha, com um habitáculo e uma mala capazes de satisfazer qualquer família, o que não o impede de usufruir de uma mecânica pujante e cheia de carácter, associada a um chassi afinado para ser conduzido nos limites — ou acima deles — por um condutor mais exuberante. A “confusão” dos números fica a dever-se ao facto de a Audi ter determinado que os modelos com números pares passam a ser exclusivo de veículos eléctricos, para os ímpares ficarem reservados para os motores a combustão.
O RS5 enche desde logo o olho dos amantes de desportivos, com os agressivos alargamentos dos guarda-lamas, que surgem alinhados pela generosa grelha frontal a toda a largura e pelas embaladeiras proeminentes, cocktail que é completado pelo difusor traseiro, também de grandes dimensões, sob o pára-choques posterior. Mas o que verdadeiramente irá impressionar os utilizadores do RS5 vai ser a mecânica, que evolui bastante face aos 450 cv e 600 Nm do antigo RS4 que chegou ao mercado em 2020. O motor sobrealimentado 2.9 V6 a gasolina mantém-se, mas passa a debitar 510 cv e os mesmos 600 Nm de binário, só que agora é “ajudado” por um conjunto híbrido plug-in, que assenta num motor eléctrico com 177 cv e 460 Nm de força, unidade que é instalada dentro da caixa automática convencional com oito velocidades, sendo alimentada por uma bateria com uma capacidade de 22 kWh úteis (25,9 kWh totais). De lamentar só o facto de ser apenas recarregável em corrente alternada (AC) a 11 kW. No total são 639 cv e 825 Nm, um salto considerável face ao RS4.
Com vias mais largas, só possível graças aos guarda-lamas abaulados em 9 cm, tanto a berlina como a carrinha Avant recorrem ao sistema Quattro, que lhes garante tracção às quatro rodas. Mas a Audi está consciente que os Quattro necessitam de uns “miminhos” adicionais para revelarem um comportamento mais equilibrado e eficaz, visando dar mais prazer a quem vai ao volante e evitando que o modelo “fuja de frente”. Daí que tenha instalado um sistema de vectorização do binário, o Dynamic Torque Control, que desloca para o eixo traseiro mais potência em milissegundos, para “soltar” o eixo posterior e inserir a frente na trajetória desejada, além de permitir o Drift Mode, para desenhar aquelas “atravessadelas” que deixam um brilho nos olhos dos condutores mais acrobatas. Simultaneamente, durante 10 segundos, o condutor usufrui de uma potência adicional.
▲ A mala nunca impressiona pela capacidade, com a Avant a ser apenas ligeiramente maior do que a berlina
É claro que nem tudo são rosas no novo RS5 que, por montar uma bateria maior — 22 kWh úteis (recarregáveis a 11 kW) contra os 4,8 kWh do Mercedes AMG C63 SE Performance (recarregável a 3,7 kW) —, acaba por ser consideravelmente mais pesado, ao anunciar 2430 kg, contra 2165 kg do Mercedes. Mas, por outro lado, o acumulador mais generoso assegura 84 km em modo eléctrico, contra apenas 11 km do AMG C63. O desportivo/familiar da BMW não é prejudicado pelo peso adicional, reivindicando 1925 kg, mas tão pouco usufrui da capacidade de circular em modo EV.
Com 639 cv, face aos 551 cv do BMW M3 CS Touring e aos 680 cv do Mercedes AMG C63 SE Performance, o Audi RS5 é um rival de respeito, anunciando 285 km/h de velocidade máxima (contra 300 km/h do BMW e 280 km/h do Mercedes) e 3,6 segundos de 0-100 km/h (contra 3,5 segundos do BMW e 3,4 segundos do Mercedes).