Os pilotos de aviões acrobáticos, como aqueles que realizaram em diversas ocasiões competições sobre o rio Douro, tendo a cidade do Porto como cenário de fundo, são uns verdadeiros malabaristas do ar, executando manobras que a maioria julgaria impossíveis. Uma delas consiste em aterrar no topo de um comboio em movimento, algo que nunca tinha sido conseguido. Mas Dario Costa, um piloto italiano profissional que compete regularmente nas provas do Red Bull Air Race, apostou que era capaz de fazer a manobra e ficar vivo para contar a história.
O aparelho que Costa escolheu para aterrar no topo de um contentor com apenas 12 metros de comprimento, e voltar a descolar depois do breve touch down, foi um Zivko Edge 540, um avião norte-americano de acrobacia conhecido pela sua grande capacidade de manobra, muito leve (apenas 531 kg em vazio) e animado por um motor com 340 cv, capaz de atingir 426 km/h. Aterrar no comboio exigia não uma velocidade elevada, mas sim a capacidade de voar particularmente devagar, uma vez que o comboio de carga iria deslocar-se à velocidade máxima, limitada a 120 km/h.
Costa e o seu Zivko tinham pela frente vários desafios, sendo que o primeiro era manter o aparelho sob controlo a uma velocidade muito próxima de aerodinamicamente perder a capacidade de voar (entrar em stall), o que neste Zivko Edge 540 acontece a 87 km/h. Como se isto não bastasse, o piloto teria de realizar a aproximação ao contentor às cegas, uma vez que a visão para a frente e para baixo fica muito comprometida devido ao ângulo de descida e à volumosa frente do avião.
O terceiro desafio a ultrapassar por Dario seria a turbulência expectável assim que se aproximasse do contentor em cima do vagão, cujas arestas originam turbilhões que “sujam” o ar necessário para sustentar o avião, que para mais está muito próximo de ver a sua sustentação comprometida. De acordo com os dois vídeos que a Red Bull publicou sobre o evento, que teve lugar na Turquia, a manobra foi um sucesso, ainda que fosse visível a instabilidade do Zivko a uma velocidade tão reduzida e sob o efeito da proximidade ao comboio. Mas, mesmo sem ver correctamente a zona em que aterrou por breves segundos, Dario demonstrou (mais uma vez) porque figura entre os melhores pilotos do Red Bull Air Race.
Toda a preparação para as manobras realizadas sobre o comboio turco foram treinadas na Croácia, país onde nascem os Rimac, os desportivos eléctricos mais rápidos do mundo. A simular a pequena zona para o touch down no topo do contentor, Dario Costa serviu-se de um Rimac Nevera R, o mais potente da marca com 2107 cv, o que lhe permite ir de 0-100 km/h em somente 1,72 segundos e atingir 430 km/h. Apostada em demonstrar o potencial do Nevera R, a Rimac decidiu atingir os 120 km/h, não a andar para a frente, como seria normal, mas sim em marcha-atrás. O piloto do Zivko treinou assim a apontar para um veículo que não via com precisão e que nem sequer oferecia uma “pista de aterragem” similar à de um contentor com 12,19 m de comprimento e 2,44 m de largura, uma vez que o Rimac tem apenas 4,75 m de comprimento e 1,99 m de largura, com a aproximação a um alvo mais pequeno a servir posteriormente para a abordagem ao comboio.