Quis o calendário que o último dia de fôlego do FC Porto antes de um mês sem tempo para respirar fosse precisamente numa sexta-feira, ao fim da tarde e sem chuva no Dragão, com todos os ingredientes necessários para um bom arranque de fim de semana. A despedida de fevereiro era também um olá a um março com três competições, decisões em duas e um jogo importantíssimo noutra.

Depois da receção ao Arouca, o FC Porto visita o Sporting nas meias-finais da Taça de Portugal, desloca-se à Luz para defrontar o Benfica para o Campeonato, cruza com o Moreirense a meio dos oitavos de final da Liga Europa contra o Estugarda e, por fim e daqui a menos de um mês mas numa altura em que já muito pode ter acontecido, vai o Minho jogar com o Sp. Braga. Vencer esta sexta-feira, portanto, tornava-se ainda mais importante para arrancar um mês perigoso e exigente da melhor maneira.

Ficha de jogo

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FC Porto-Arouca, 3-1

24.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Iancu Vasilica (AF Vila Real)

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Pablo Rosario (Seko Fofana, 76′), Victor Froholdt, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 61′), Pepê (André Miranda, 84′), Deniz Gül (Terem Moffi, 61′), Oskar Pietuszewski (William Gomes, 61′)

Suplentes não utilizados: João Costa, Dominik Prpic, Francisco Moura, André Oliveira

Treinador: Francesco Farioli

Arouca: Arruabarrena, Diogo Monteiro, Javi Sánchez (Boris Popovic, 45′), Jose Fontán, Bas Kuipers, Naïs Djouhara, Taichi Fukui, Pablo Gozálbez (José Silva, 78′), Alfonso Trezza (Miguel Puche, 85′), Brian Mansilla (Yellu Santiago, 78′), Barbero (Dylan Nandín, 66′)

Suplentes não utilizados: João Valido, Matías Rocha, Amadou Danté, Batata

Treinador: Vasco Seabra

Golos: Oskar Pietuszewski (1′), Naïs Djouhara (70′), William Gomes (gp, 90+1′), Terem Moffi (90+9′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Boris Popovic (90+2′), a Diogo Monteiro (90+3′)

“Acho que depois de sete, oito meses desde que estou cá já me conhecem minimamente bem. O Arouca está muito bem nesta segunda fase da temporada, tal como já disse. Se contabilizarmos apenas os pontos desta segunda metade de época, nós estamos em 5.º, com 13 pontos, e eles só têm um ponto a menos. O facto de terem marcado tantos golos nos últimos jogos merece a nossa atenção máxima para o jogo de amanhã. A nossa maratona é feita de pequenos passos, o nosso próximo adversário é aquele que merece atenção e neste momento tem uma camisola amarela”, explicou Francesco Farioli na antevisão da partida.

Ora, neste contexto, com vários lesionados e também sem Alan Varela e Borja Sainz, um por estar castigado e o outro por ter perdido a mãe durante a semana, o treinador italiano contava com a recuperação de Kiwior e lançava o polaco ao lado do compatriota Bednarek no eixo defensivo, com Pablo Rosario a manter-se no onze mas a avançar para o meio-campo. Na frente, Deniz Gül continuava a ser o eleito. Do outro lado, num Arouca em crescendo e vindo de três vitórias nos últimos quatro jogos, Vasco Seabra não tinha os castigados Tiago Esgaio, Lee Hyun-ju e Espen van Ee e apostava em Barbero como referência ofensiva.

O Dragão só precisou de 13 segundos para explodir. Numa jogada inicial brilhante e claramente preparada em laboratório, o FC Porto jogou para Diogo Costa e o guarda-redes bombeou de imediato para a frente, onde Victor Froholdt ganhou todos os duelos antes de cruzar para o poste mais distante, com Oskar Pietuszewski a encostar (1′). O golo começou por ser anulado por fora de jogo, foi depois validado com recurso ao VAR e o avançado polaco estreou-se mesmo a marcar pelos dragões com o golo mais rápido de sempre no Estádio do Dragão.

O Arouca ainda esboçou uma espécie de reação, com Bas Kuipers a rematar por cima pouco depois do golo sofrido (8′), mas a verdade é que o lance foi um autêntico oásis no deserto. A equipa de Vasco Seabra ficou sem estratégia depois de se ver a perder numa fase tão embrionária do jogo e nunca conseguiu contrariar o ascendente contrário, mantendo-se resguardada no próprio meio-campo e sem qualquer capacidade para subir no relvado, até quando tinha espaço para soltar uma transição rápida.

Do outro lado, o FC Porto ia gerindo. Froholdt ficou perto de aumentar a vantagem com um remate ao poste depois de um cruzamento rasteiro de Alberto Costa (18′), Oskar Pietuszewski atirou forte para Arruabarrena defender à segunda (20′), mas a verdade é que os dragões acabaram por não realizar qualquer outro pontapé enquadrado a partir daí. A equipa de Francesco Farioli estava claramente por cima, tinha em Pietuszewski o jogador mais inspirado da noite, mas mantinha-se algo inconsequente face a todo o fluxo ofensivo de que beneficiava.

Pepê ainda protagonizou uma boa situação para marcar, atirando contra um adversário depois de mais um desequilíbrio de Pietuszewski na esquerda (45+1′), e já nada aconteceu até ao fim da primeira parte. Ao intervalo, o FC Porto estava a vencer o Arouca no Dragão pela margem mínima e de maneira muito confortável, mas continuava algo perdulário e pouco eficaz no momento da última definição.

Vasco Seabra foi forçado a mexer logo no início da segunda parte, já que Javi Sánchez sentiu algo no joelho direito ao regressar ao relvado e motivou a entrada de Boris Popovic. Instantes depois, o Arouca tentou repetir a brincadeira do FC Porto: logo nos primeiros segundos depois do intervalo, Fukui acertou em cheio na trave com um remate de fora de área e ficou muito perto do empate (46′), deixando a ideia de que o jogo ainda não estava resolvido.

Os dragões sentiram-se picados pela entrada afirmativa dos arouquenses e reconquistaram terreno, com Deniz Gül a desperdiçar uma boa oportunidade ao atirar por cima na cara de Arruabarrena (52′). Francesco Farioli fez as primeiras substituições já depois da hora de jogo, lançando Rodrigo Mora, William Gomes e Terem Moffi de uma vez, e o adiantar do relógio deixava a ideia de que o treinador italiano ainda não estava descansado ao ponto de começar a pensar no clássico de terça-feira com o Sporting.

O FC Porto dominava, não permitia praticamente nada ao Arouca, mas continuava sem aumentar a vantagem e mantinha-se algo desprovido de entusiasmo no último terço contrário. A 20 minutos do fim, a ideia de que quem não marca sofre mesmo confirmou-se: bola colocada à entrada da grande área, há um primeiro remate contra um adversário e Naïs Djouhara, com um belo pontapé em jeito que apanhou Diogo Costa colado ao chão, empatou (70′).

Farioli lançou Seko Fofana e o jovem André Miranda, que se estreou aos 18 anos, Vasco Seabra colocou a equipa mais compacta e fechada para defender o ponto, e tudo ficou decidido já nos descontos. Fofana sofreu falta de Yellu Santiago dentro da grande área, Iancu Vasilica assinalou e nem foi ver as imagens do VAR e William Gomes, na conversão da grande penalidade, não deu hipótese a Arruabarrena e recuperou a vantagem (90+1′).

Até ao fim, Terem Moffi ainda conseguiu estrear-se a marcar, finalizando na área depois de um cruzamento rasteiro de William Gomes na direita (90+9′). Num jogo que se tornou difícil devido à excessiva passividade ofensiva, o FC Porto venceu o Arouca, somou a terceira vitória consecutiva e garantiu que vai, pelo menos, manter a distância para Sporting e Benfica na liderança do Campeonato. Oskar Pietuszewski foi o melhor jogador da primeira parte e marcou o golo mais rápido de sempre no Dragão, mas foi preciso esperar por Seko Fofana para o motor carburar mesmo.

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