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"Colosso", "trabalhador incansável", "uma das grandes vozes do romance". O que a imprensa internacional escreveu sobre Lobo Antunes?

Este artigo tem mais de 6 meses

As reações dos jornais estrangeiros à morte do romancista de 83 anos e eterno candidato ao prémio Nobel que morreu esta quinta-feira.

O livro 'Os Cus de Judas', publicado em 1979, deu grande visibilidade internacional ao autor português.
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O livro 'Os Cus de Judas', publicado em 1979, deu grande visibilidade internacional ao autor português.

O livro 'Os Cus de Judas', publicado em 1979, deu grande visibilidade internacional ao autor português.

Espanha, França, Brasil. A morte de um dos autores mais celebrados da literatura portuguesa dos últimos 50 anos, António Lobo Antunes, foi notícia em todo o mundo. Com um destaque considerável na imprensa espanhola, a notícia recebeu o lugar cimeiro das secções de Cultura dos jornais El País e El Mundo.

El País morte de António Lobo Antunes

Obituário de Lobo Antunes fez manchete da secção de Cultura do espanhol El País.

“O colosso das letras portuguesas que melhor indagou os traumas da história”, assim o descreve  Tereixa Constenla no El País, a que acrescenta a qualidade “maiúscula, ciclópea e colossal” do autor, até na morte. “O esquecimento de Lobo Antunes é outro dos pecados capitais da Academia sueca, que numa história de mais de um século ignorou a riqueza e heterogeneidade da literatura portuguesa”, reforça o diário espanhol, que equipara ainda a rivalidade com José Saramago — vencedor do Nobel da Literatura em 1998 — a um duelo “entre Benfica e Sporting”.

El Mundo morte António Lobo Antunes

Obituário de Lobo Antunes fez manchete da secção de Cultura do espanhol El Mundo.

No El Mundo, o jornalista Antonio Lucas destaca a natureza “guerrilheira” do também psiquiatra e o “único naipe do baralho de grandes escritores portugueses do último meio século” ainda vivo. No obituário que escreveu, enfatiza a mestria literária do autor que “mantinha uma relação canibal com as letras” e que “tudo devorava e convertia em Lobo Antunes”.

Obituário no jornal francês Le Figaro.

O francês Le Figaro também deu um destaque considerável à notícia sobre “o escritor e psiquiatra português, nascido em 1942 em Lisboa, e considerado uma das grandes vozes do romance contemporâneo em língua portuguesa”, cuja obra declara “exigente, misturando romance, poesia e autobiografia com um estilo barroco e metafórico”. O artigo é de Thierry Clermont com a Agence France-Press.

Le Monde morte António Lobo Antunes

Já o Le Monde, também francês, exaltou o “trabalhador incansável, autor prolífico com uma imaginação fértil e fervoroso defensor da liberdade de expressão”, “conhecido pela complexidade e exigência dos seus livros”, que o próprio argumentava serem um “reflexo da vida”. O diário destaca a obra marcada por “grande inventividade formal, mas também por um profundo sentido de ironia e um pessimismo sombrio”.

2 fotos

Do outro lado do Atlântico, vários jornais brasileiros lamentaram a morte de Lobo Antunes. Tanto O Globo como a Folha de S. Paulo enfatizaram a obra literária “de repercussão internacional”.

Euronews morte António lobo Antunes

O canal noticioso internacional Euronews também deu destaque máximo à morte de um dos autores portugueses com “mais [livros] lidos, vendidos e traduzidos” na sua página de Cultura.

Até à data, a imprensa angolana ainda não comentou a morte do escritor. António Lobo Antunes pertenceu ao contingente militar português no país durante a guerra colonial, experiência que recordou a fundo na sua obra, em particular nos livros Memória de Elefante, Os Cus de Judas Conhecimento do Inferno, publicados entre 1979 e 1980.

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