Espanha, França, Brasil. A morte de um dos autores mais celebrados da literatura portuguesa dos últimos 50 anos, António Lobo Antunes, foi notícia em todo o mundo. Com um destaque considerável na imprensa espanhola, a notícia recebeu o lugar cimeiro das secções de Cultura dos jornais El País e El Mundo.
▲ Obituário de Lobo Antunes fez manchete da secção de Cultura do espanhol El País.
“O colosso das letras portuguesas que melhor indagou os traumas da história”, assim o descreve Tereixa Constenla no El País, a que acrescenta a qualidade “maiúscula, ciclópea e colossal” do autor, até na morte. “O esquecimento de Lobo Antunes é outro dos pecados capitais da Academia sueca, que numa história de mais de um século ignorou a riqueza e heterogeneidade da literatura portuguesa”, reforça o diário espanhol, que equipara ainda a rivalidade com José Saramago — vencedor do Nobel da Literatura em 1998 — a um duelo “entre Benfica e Sporting”.
▲ Obituário de Lobo Antunes fez manchete da secção de Cultura do espanhol El Mundo.
No El Mundo, o jornalista Antonio Lucas destaca a natureza “guerrilheira” do também psiquiatra e o “único naipe do baralho de grandes escritores portugueses do último meio século” ainda vivo. No obituário que escreveu, enfatiza a mestria literária do autor que “mantinha uma relação canibal com as letras” e que “tudo devorava e convertia em Lobo Antunes”.
▲ Obituário no jornal francês Le Figaro.
O francês Le Figaro também deu um destaque considerável à notícia sobre “o escritor e psiquiatra português, nascido em 1942 em Lisboa, e considerado uma das grandes vozes do romance contemporâneo em língua portuguesa”, cuja obra declara “exigente, misturando romance, poesia e autobiografia com um estilo barroco e metafórico”. O artigo é de Thierry Clermont com a Agence France-Press.
Já o Le Monde, também francês, exaltou o “trabalhador incansável, autor prolífico com uma imaginação fértil e fervoroso defensor da liberdade de expressão”, “conhecido pela complexidade e exigência dos seus livros”, que o próprio argumentava serem um “reflexo da vida”. O diário destaca a obra marcada por “grande inventividade formal, mas também por um profundo sentido de ironia e um pessimismo sombrio”.
Do outro lado do Atlântico, vários jornais brasileiros lamentaram a morte de Lobo Antunes. Tanto O Globo como a Folha de S. Paulo enfatizaram a obra literária “de repercussão internacional”.
O canal noticioso internacional Euronews também deu destaque máximo à morte de um dos autores portugueses com “mais [livros] lidos, vendidos e traduzidos” na sua página de Cultura.
Até à data, a imprensa angolana ainda não comentou a morte do escritor. António Lobo Antunes pertenceu ao contingente militar português no país durante a guerra colonial, experiência que recordou a fundo na sua obra, em particular nos livros Memória de Elefante, Os Cus de Judas e Conhecimento do Inferno, publicados entre 1979 e 1980.
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