Com apenas um click o utilizador anónimo ‘Magamyman’ ganhou 553 mil dólares (mais de 470 mil euros) ao apostar que os Estados Unidos da América iam atacar o Irão no sábado passado. O caso não é único e lançou a suspeita de que há quem possa estar a lucrar por ter acesso a informações confidenciais privilegiadas.

A aposta de ‘Magamyman’ foi feita através da Polymarket. Segundo a imprensa norte-americana, esta plataforma registou um aumento repentino em grandes apostas sobre um ataque ao Irão um dia antes do início da operação “Fúria Épica” dos EUA.

Milhões em apostas nas presidenciais. Regulador nacional ordena encerramento da Polymarket: “É ilegal”

Uma análise do New York Times aos dados do Polymarket detetou que no período antes do ataque era relativamente incomum alguém apostar uma quantia significativa de dinheiro na possibilidade de um ataque norte-americano acontecer no dia seguinte. No entanto, na sexta-feira mais de 150 contas fizeram apostas de pelo menos mil dólares em que previam um ataque no sábado. Isto quando as probabilidades davam um ataque para esse dia como pouco provável. Na plataforma variavam entre os 7% e 26%, pelo que quem apostou que o conflito estava para começar acabou por lucrar ainda mais.

Segundo a investigação do jornal norte-americano, pelo menos 16 contas que apostaram nesse dia lucraram mais de 100 mil dólares. Pelo menos outras 109 contas ganharam 10 mil dólares.

A plataforma de análise Bubblemaps já tinha destacado os resultados incomuns da Polymarket nos últimos dias. A empresa escreveu na rede social X que seis contas suspeitas de terem informação privilegiada lucraram 1,2 milhões de dólares ao apostar no ataque dos EUA ao Irão. Notava que a maior parte das contas foram criadas nas últimas 24 horas, apostaram especificamente sobre o dia 28 de fevereiro e horas antes do ataque.

Estes resultados lançaram a suspeita, principalmente verbalizada por membros do partido Democrata, que alguns utilizadores teriam tido acesso a informações privilegiadas. “Faz pensar que alguém sabia algo sobre o timing do ataque”, disse ao NYT Eric Zitzewitz, professor de economia da Universidade de Dartmouth e especialista em previsão de mercados. Não seria a primeira vez: este ano foi noticiado que reservistas israelitas e um civil foram detidos sob a suspeita de usarem informação confidencial para lucrar em apostas.

O senador democrata Mike Levin já tinha lançado essa discussão nos últimos dias. “Parece que uma conta da Polymarket chamada ‘Magamyman’ lucrou 515.000$ num único dia ao apostar no ataque americano ao Irão na noite anterior, com a primeira aposta a ser colocada 71 minutos antes de a notícia ser publicamente divulgada”, escreveu na rede social X. “Quando esta pessoa entrou na aposta, o mercado indicava uma probabilidade de 17% de sucesso. Da noite para o dia ele transformou aproximadamente 87.000$ em mais de meio milhão de dólares”, acrescentou.

Na publicação o senador afirmava que Donald Trump Jr., filho do Presidente norte-americano, “se senta no conselho consultivo” da Polymarket e que a sua empresa investiu na plataforma no ano passado. “O Departamento de Justiça dos EUA e a CFTC tinham investigações contra a Polymarket, que foram arquivadas após a tomada de posse de Trump. Os mercados de previsão não podem ser usados ​​como meio para lucrar com conhecimento prévio de ações militares”, sublinhou.

“É uma loucura que isto seja legal. As pessoas próximas de Trump estão a lucrar com a guerra e a morte”, escreveu também o senador democrata Chris Murphy. O político, eleito pelo Connecticut, acrescentou que vai apresentar um projeto-lei para proibir esta atividade.

A Polymarket foi bloqueada nos Estados Unidos em 2022. No entanto, após o regresso de Donald Trump à Casa Branca foi concedida uma autorização para a plataforma abrir uma sede nos EUA. Esta plataforma ainda não foi lançada ao público, pelo que a maioria dos investidores americanos que usam a Polymarket acedem ao site através de uma rede privada virtual (VPN), que protege a identidade e a localização do utilizador.

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