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Os corações de Viana e o azul de Melania e Brigitte. As escolhas de Margarida Maldonado Freitas para a tomada de posse de Seguro

Este artigo tem mais de 6 meses

Na tomada de posse do marido, Margarida Maldonado Freitas apostou no “azul claro das primeiras-damas”, o mesmo usado por Melania Trump e Brigitte Macron em 2017 — com o detalhe dos Corações de Viana.

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“Não há primeiras damas no nosso país”, disse Margarida Maldonado Freitas aos jornalistas, na noite em que o marido, António José Seguro, venceu as eleições Presidenciais, em fevereiro. “Portanto… eu acompanharei o meu marido, mas não há primeiras damas”, completou a mulher do Presidente agora empossado — e esta segunda-feira, 9 de março, dia da posse, assim o fez. Ao lado de Seguro e dos dois filhos, Maria e António, Margarida assistiu à cerimónia na Assembleia da República, visitou o Mosteiro dos Jerónimos e caminhou a pé até o Palácio de Belém, num vestido azul claro de corte clássico e botões temáticos, que denunciam o seu estilo discreto mas atento ao “cargo” que ocupa — apesar deste, na verdade, “não existir”. 

O vestido midi, com corte reto, em tudo aponta para um modelo atual Valentino Garavani em crepe azul pastel (no valor de 4.900 euros), mas com um detalhe que marca a diferença. Os três botões que dão o acabamento ao vestido são, na verdade, Corações de Viana. A peça, ícone da filigrana portuguesa e uma das mais reconhecidas na ourivesaria europeia, é também considerada símbolo de amor, fé e identidade. O Observador contactou a presidência de forma a confirmar a origem da criação de moda, para perceber se se trata de facto de um modelo Valentino, personalizado para a ocasião, ou de uma peça fortemente inspirada no vestido da marca italiana, mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

Quanto à cor, pode ser considerada uma espécie de “azul das primeiras-damas”, especialmente nos Estados Unidos da América. A lembrança mais recente é do visual de Melania Trump na primeira cerimónia de posse de Donald Trump, em 2017. A primeira-dama norte-americana usou um vestido Ralph Lauren, que combinou com luvas e sapatos da mesma cor, um look que na altura foi celebrado como uma homenagem a Jacqueline Kennedy Onassis, que também usou um vestido, luvas e chapéu pillbox no tom pastel para a tomada posse do marido em 1961. Jill Biden voltou a usar azul, mas um pouco mais escuro, para a posse de Joe Biden em 2021 — um vestido-casaco desenhado por Alexandra O’Neill da Markarian. E também Michelle Obama já apostou no azul claro, apesar de não ter sido para a posse do marido. Num look Carolina Herrera também com inspiração Jackie O., a primeira-dama recebeu o Papa Francisco em Washington, em 2015.

▲ Melania Trump e Brigitte Macron a usar azul claro nas cerimónias de posse dos maridos, em 2017

Chris Kleponis/EPA

Mas a cor não é exclusividade de primeiras-damas norte-americanas. Também em França Brigitte Macron usou o azul claro para a tomada de posse de Emmanuel Macron em maio de 2017. A escolha foi por um blazer estilo militar e saia, um coordenado Louis Vuitton. Desviando para a realeza europeia, Kate Middleton também escolheu a cor para a primeira viagem internacional a solo, quando foi para os Países Baixos em outubro do mesmo ano. Um ano depois, Rania da Jordânia repetiu o tom pastel na sua visita aos Países Baixos. Antes, Carolina do Mónaco, usou o azul claro no Dia Nacional do principado, em 1997. Curiosamente, foi também a mesma cor usada por Isabel II na visita oficial a Portugal em 1985 — quando esteve com António e Manuela Ramalho Eanes no Palácio de Belém. A cor poderá ter sido uma das preferidas da monarca: em 2012, a Vogue analisou todos os visuais da Rainha e chegou à conclusão que 29% dos seus casacos, vestidos e chapéus tinham sido azuis — seja em tons mais escuros ou o tom pastel clássico.

Queen Elizabeth II

▲ A Rainha Isabel II num coordenado azul claro na visita ao Palácio de Belém em 1985

Getty Images

Quando Jill Biden usou o azul para ingressar na Casa Branca, a marca de luxo nova-iorquina responsável pelo look disse que a cor significava “confiança e estabilidade”. Na passagem de ano, há quem use a psicologia das cores e confie na lingerie azul para ter um ano com serenidade e renovação. Para o professor francês Michel Pastoureau, especialista em simbologia ocidental, o azul é a cor favorita da maioria dos ocidentais, um tom que conseguiu sobreviver até à Inquisição por ser “discreto”.

A discrição será mesmo uma qualidade que Margarida pretende manter, pelo menos de acordo com o agora Presidente, que descreveu a mulher como “uma empresária independente”. Licenciada em Ciências Farmacêuticas e com especialização em Análises Clínicas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, passou a gerir e a ser diretora técnica de duas farmácias da família, das quais é proprietária (uma delas serviu de sede de campanha a Seguro), atividade profissional que “espera” poder manter, mesmo sendo casada com o Presidente da República. Entretanto, ainda deve acompanhar Seguro “quando as exigências de Estado o exigirem”, tal como o fez nesta segunda-feira em Belém.

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