O Governo anunciou uma nova descida do imposto petrolífero que vai mitigar os aumentos previstos nos combustíveis para a próxima semana, na casa dos 10 cêntimos por litro.

Em comunicado, o Ministério das Finanças indica que a taxa aplicada à gasolina vai ser reduzida em 2,7 cêntimos por litro, enquanto que a do gasóleo cai em 1,4 cêntimos por litro. Considerando que estas reduções do imposto têm também impacto no IVA cobrado, o efeito total no preço será de de 3,3 cêntimos na gasolina e de 1,8 cêntimos no gasóleo, segundo as contas divulgadas pelas Finanças.

Este efeito vai contrariar o aumento do preço antes de impostos, causado pela escalada do petróleo, e limitar as subidas previstas a cerca de 7,2 cêntimos por litro na gasolina e a 8 cêntimos por litro no gasóleo. Sem esta medida, e de acordo com fontes do mercado, os combustíveis iam subir cerca de 10 cêntimos por litro na próxima semana.

O regime aprovado na semana passada estabelece que, a partir de uma subida do preço final de 10 cêntimos por litro face aos valores praticados na semana antes do conflito com o Irão, será aplicada uma redução do imposto petrolífero na dimensão que anule os ganhos que o Estado arrecada no IVA com estes aumentos. T

Esse travão foi aplicado ao gasóleo, para o qual estava anunciado um aumento de mais de 20 cêntimos por litro na primeira semana após o conflito, mas não à gasolina cuja subida se ficou pelos 7 cêntimos.

Com o agravamento de preço esperado para a próxima semana, a gasolina irá atingir em termos acumulados uma subida superior a 10 cêntimos por litro, o que dá direito ao desconto. Tendo sido atingido esse patamar nos dois combustíveis, haverá lugar a ajustamento do imposto petrolífero a cada nova subida de preço.

Gasolina terá desconto fiscal quando aumento acumulado supere 10 cêntimos por litro. Cada nova subida do gasóleo dá nova baixa de imposto

Ainda segundo as Finanças, a “poupança total acumulada para os portugueses será de 6,1 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário e de 3,3 cêntimos por litro na gasolina”.

O principal objetivo deste regime é evitar que o Estado lucre com o aumento dos combustíveis por via do IVA que é uma percentagem cobrada sobre o preço. O desconto fiscal permite reduzir um pouco a forte subida dos preços, mas o seu efeito é limitado. Esta semana a redução do imposto no gasóleo foi de 3,55 cêntimos por litro, o que compara com um aumento no preço final de 19 cêntimos por litro — ou seja cinco vezes maior.

O novo agravamento nos preços já era esperado face ao prolongamento do conflito no Médio Oriente e as consequências no fecho à navegação marítima no Estreito de Ormuz por onde passam um quinto do petróleo e gás do mundo e dos produtos petrolíferos. Na quarta-feira, a Agência Internacional de Energia aprovou a libertação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de crude e refinados dos seus membros, o equivalente a um terço do total, mas o petróleo permanece encostado à fasquia dos 100 dólares por barril.

Desta fez o efeito sente-se com igual intensidade nos dois combustíveis. Na primeira semana após o início do conflito, o gasóleo foi mais afetado do que a gasolina porque a Europa importa uma parte importante deste produto do Médio Oriente.