Acompanhe o nosso liveblog sobre a atualidade política

O antigo presidente do parlamento Eduardo Ferro Rodrigues defendeu esta segunda-feira que o impasse sobre os órgãos externos “só pode ser resolvido pelo PSD”, decidindo com quem faz maiorias, e considerou o PS quem “está melhor” na “calma interna”.

Ferro Rodrigues foi um dos nomes que esta segunda-feira esteve na apresentação do livro Vencer os Tempos do líder do PS, José Luís Carneiro, e, em declarações aos jornalistas, mostrou-se preocupado com o Estado do mundo, da Europa e do país, concretamente quanto à guerra e à inflação, criticando “a incapacidade que este Governo tem demonstrado de responder a estas situações difíceis”.

“Tudo é fácil quando a situação é fácil, tudo se torna impossível quando há uma situação mais difícil e não há competência”, condenou.

Questionado sobre o impasse para a eleição dos órgãos externos do parlamento, que esta segunda-feira teve um novo pedido de adiamento, o antigo presidente da Assembleia da República defendeu que “é um problema que só pode ser resolvido pelo PSD“.

“Porque o PSD é que tem a chave de com quem é que quer fazer maiorias e, portanto, essa pergunta tem de ser destinada diretamente ao Dr. Luís Montenegro”, remeteu.

Ferro Rodrigues admitiu que este impasse “pode ser prejudicial”, mas disse preferir que estas eleições sejam adiadas “do que ter gente Chega eleita para coisas tão importantes como o Tribunal Constitucional ou como a Provedoria de Justiça”.

Na perspetiva de Ferro Rodrigues, entre os partidos, o PS é “aquele que está melhor em termos de calma interna, tranquilidade e capacidade de apoio a uma direção política”.

“O bem é uma qualidade praticamente inacessível, mas está muito melhor do que o PSD e do que o Chega, que tem aquele problema: o PSD de não saber se o Chega é o principal partido da oposição ou se é o principal apoio e o Chega se quer apoiar o PSD ou quer ser o principal partido da oposição”, comparou.

Na perspetiva do antigo líder socialista, “há um problema de identidade em ambos os partidos, coisa que o PS não tem”.

Concretamente sobre a guerra no Médio Oriente e sobre aquilo que considera que o Governo de Montenegro não fez, Ferro deu o exemplo do país vizinho.

“Penso que se olharmos para o lado e vermos a atitude que tomou o Governo espanhol, era o mínimo que se podia exigir de um país da União Europeia e com as responsabilidades que Portugal tem na cena internacional”, comparou.

Sobre a ausência na cerimónia do parlamento de tomada de posse de António José Seguro como Presidente da República, o antigo presidente do parlamento disse apenas: “já não tenho mais nada a dizer sobre isto, já disse o suficiente, não desminto nada do que veio no Expresso”.

O Expresso noticiou que Ferro entrou em rutura com o atual presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, um problema que remonta a fevereiro de 2025 quando o presidente do Chega, André Ventura, disse que seria implacável com um dirigente do partido acusado de prostituição de menor, ao contrário de “outros”, que “protegeram Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues” no escândalo Casa Pia (omitindo que nem um nem outro estiveram na lista de acusados).

Ferro indignou-se com o facto de não ter sido defendido por Aguiar-Branco e escreveu-lhe uma carta, à qual o presidente do parlamento respondeu com o direito de Ventura à liberdade de expressão.