Dylan Lopez Contreras pôde ver o amanhecer desta quarta-feira fora do centro de detenção em que esteve preso durante quase um ano. Depois de ter comparecido a uma audiência de asilo num tribunal federal de imigração no sul de Manhattan em maio do ano passado, Dylan tornou-se o primeiro estudante de uma escola secundária pública de Nova Iorque a ser detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) após o regresso de Donald Trump à presidência. Esta quarta-feira, já com 21 anos feitos durante ao período em que esteve sob custódia federal, foi libertado, anunciou a equipa jurídica que o representou, citada pelo The New York Times (NYT). Os advogados avançaram ainda que Dylan se colocou imediatamente a caminho do reencontro com a família.

Na altura com 20 anos e sem antecedentes criminais, o estudante de origem venezuelana estava matriculado na Ellis Prep High School, uma escola no distrito do Bronx que acolhe estudantes imigrantes demasiado velhos para ingressar num liceu tradicional. Dylan, que deixou a Venezuela em 2024, trabalhava ao mesmo tempo como estafeta para ajudar no sustento da família.

A mãe, Raiza Contreras, agradeceu a todos os que trabalharam para conseguir libertar o filho, incluindo a equipa do senador democrata Chuck Schumer, que a convidou para o discurso sobre o Estado da União deste ano para falar sobre a detenção de Dylan. “Toda a glória e honra pertencem a Deus, que abriu portas e tornou o impossível possível”, declarou Raiza, num comunicado divulgado pelo New York Legal Assistance Group, que presta serviços jurídicos a imigrantes e representa o jovem. “Sou grata a todos que, de uma forma ou de outra, me apoiaram e me deram força, e que sempre estiveram presentes”, disse ainda. “Muito em breve, o meu filho estará de volta comigo e com os irmãos — é um alívio e uma bênção.”

Kate Fetrow, advogada que representou Contreras, comentou sobre a libertação do jovem e os efeitos da sua detenção: “Nada pode desfazer a injustiça de negar a Dylan sequer um mínimo de devido processo legal, roubando-lhe a liberdade e a autonomia pessoal, e privando-o do precioso tempo, da educação e das experiências que ele foi forçado a perder por quase um ano de sua jovem vida”, afirmou Fetrow, citada pelo jornal nova-iorquino. “A sua libertação hoje [quarta-feira] é um passo importantíssimo na direção certa, enquanto continuamos a lutar para restaurar a justiça para o Dylan e a sua família.”

Também Zohran Mamdani, o presidente da Câmara de Nova York, reagiu ao anúncio, afirmando que a cidade “está radiante com a libertação de Dylan”. “O que deveria ter sido um período para ele se concentrar em terminar o ensino secundário transformou-se em dez longos meses de isolamento, depois de ter sido detido no que deveria ser uma audiência de imigração de rotina em maio passado”, declarou Mamdani em comunicado, segundo a CBS News.

Em setembro, um juiz de imigração em Nova Jersey chegou a ordenar a deportação de Contreras, decisão que os seus advogados consideraram injusta já que o jovem, que nunca faltou às audiências judiciais, residia legalmente nos Estados Unidos. Ao longo do tempo que permaneceu no Centro de Detenção de Moshannon Valley, na Pensilvânia, a sua equipa jurídica lutou pela sua libertação enquanto outras detenções de estudantes — e até de um menino de 5 anos — se seguiam.

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Para o senador Chuck Schumer, “Dylan fez tudo bem”. “Ele entrou legalmente [nos EUA], trabalhou para sustentar a sua família, matriculou-se na escola e nunca deveria ter sido detido desta forma”, afirmou, citado pelo NYT.