Ao fim de 20 dias de guerra, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deu uma conferência de imprensa. Começou de forma invulgar: “Estou vivo. Queria desmentir as notícias falsas que estão as circular online. São todos testemunhas”. Após ter negado os rumores que se difundiram nas redes sociais sobre a possibilidade de ter morrido num ataque iraniano, o chefe do Executivo israelita deu mais detalhes sobre a operação militar e admitiu que está a haver “brechas” no poder do Irão, ainda que não tivesse garantido que vai ser alcançado o objetivo da mudança do regime em Teerão.

O ataque “violento” de Israel a South Pars e a resposta contra o gás natural do Qatar. O que aconteceu no último dia de guerra?

Nos Estados Unidos, o Presidente norte-americano, Donald Trump, pareceu afastar de vez a ideia de colocar botas no terreno. “Se eu o fosse fazer, certamente não vos diria. Mas não vou colocar botas no terreno”, assegurou o líder norte-americano, numa conferência de imprensa.

Entre todos os países do Golfo, o Qatar expressou a sua indignação contra os ataques iranianos, em particular contra o bombardeamento da infraestrutura de gás natural Ras Laffan. O primeiro-ministro do emirado, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, assinalou que as “persistentes alegações iranianas de que os ataques visam interesses americanos não podem ser aceites”. Ainda que tenha enfatizado que foi Israel que começou esta guerra, o líder qatari não descartou atacar posições do Irão no futuro — assim como já tinha feito a aliada e potência regional Arábia Saudita.

Pode recordar os acontecimentos de quarta-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 19 de março:

No Irão:

  • As Forças de Defesa de Israel confirmaram os ataques a várias embarcações iranianas no Mar Cáspio. Destacaram que um desses barcos era usado para a Rússia e o Irão fazerem comércio. Terá mesmo sido eliminado um importante canal de abastecimento entre Teerão e Moscovo.
  • Os Estados Unidos e Israel voltaram a atacar os locais onde o Irão fabrica e lança os seus mísseis. Os ataques israelo-americanos visaram em particular a plataforma de lançamento de mísseis Shahroud, na província de Semnan.
  • Uma importante fábrica de armamento na província de Shiraz — onde se produz radares, mísseis e sistemas eletrónicos para fins militares — foi atacada.
  • Israel e os Estados Unidos voltaram a bombardear locais onde estão instalos os paramilitares da Basij, um dos braços armados da Guarda Revolucionária que tem como objetivo manter a ordem interna. Esta quinta-feira, várias estações de polícia foram atingidas.
  • Os norte-americanos atacaram aeronaves iranianas que tinham como objetivo condicionar a circulação do Estreito de Ormuz, incluindo o lançamento de minas.
  • Ouviram-se várias explosões na capital do Irão, Teerão.
  • Um ataque israelo-americano fez pelo menos 12 vítimas mortais e 116 feridos numa área residencial no oeste do Irão.
  • Israel adianta que o Irão perdeu 85% das suas capacidades para lançar mísseis guiados terra-ar, na sequência da ofensiva militar.
  • A Guarda Revolucionária Iraniana disse ter atingido um caça F-35 norte-americano com o seu “sistema de defesa aeroespacial avançado moderno”. Os Estados Unidos garantiram, por sua vez, que a aeronave  “aterrou de emergência em segurança”
  • Os Estados Unidos iniciaram, segundo avança o Wall Street Journal, uma etapa de intensificação dos ataques às posições iranianas no Estreito de Ormuz.
  • Em vez de lançar ataques contra embarcações, os deputados iranianos propuserem impor tarifas mais elevadas para os navios transitarem no Estreito de Ormuz
  • O Irão deteve 97 pessoas acusadas de trabalhar e espiar para Israel.
  • O Irão executou três pessoas condenadas por terem assassinado polícias, sendo acusadas ainda de terem levado a cabo operações a favor dos Estados Unidos e de Israel durante os protestos de janeiro de 2026.
  • O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou colocar botas no terreno no Irão.
  • Em conferência de imprensa, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, admitiu que não existe um calendário definido para o fim das operações militares norte-americanas no Irão, cabendo ao Presidente decidir quando os objetivos forem alcançados.
  • O secretário da Defesa afirmou também que as forças dos Estados Unidos danificaram ou afundaram pelo menos 120 navios de guerra iranianos.
  • Pete Hegseth adiantou que os EUA já atingiram mais de sete mil alvos no Irão e sublinhou que os ataques iranianos com mísseis balísticos e drones contra forças norte-americanas diminuíram cerca de 90% desde o início do conflito.
  • Na mesma linha, o primeiro-ministro de Israel destacou que o Irão não tem capacidades para enriquecer urânio ou para fabricar mísseis balísticos.

Em Israel e no Líbano:

  • O Irão lançou vários mísseis contra território israelita esta quinta-feira. Telavive e Haifa foram as principais cidades atingidos.
  • Depois do ataque israelita à infraestrutura de gás natural South Pars, o Irão retaliou e atingiu uma refinaria de petróleo em Haifa que ficou danificada.
  • Benjamin Netanyahu confirmou que “Israel agiu sozinho” no ataque contra South Pars e que, após conversa com Donald Trump, prometeu que não voltaria a atacar aquela instalação.

  •  O primeiro-ministro de Israel defende que a guerra vai “demorar o tempo que for necessário” até os três objetivos principais serem cumpridos: “Remover a ameaça nuclear, remover a ameaça de mísseis balísticos e criar as condições para os iranianos traçarem o seu próprio destino”.

  • O fim do regime iraniano é um dos objetivos de Israel, mas Benjamin Netanyahu admitiu que poderá não acontecer. “Não é garantido que o regime vá mudar”, afirmou, apelando ao “corajoso povo iraniano” para que saia as ruas e proteste.
  • O antigo negociador israelita e ex-conselheiro do Governo, Daniel Levy, sugeriu precisamente que o principal objetivo de Telavive consiste no “colapso do regime iraniano”.
  • Registaram-se mais confrontos entre a milícia pró-Irão do Hezbollah e o Irão no sul do Líbano. Os militantes do grupo libanês atacaram um grupo de soldados israelitas na cidade de Taybeh.
  • O Hezbollah lançou o maior ataque de mísseis de longo alcance contra o sul de Israel, tendo sido o maior de sempre desde a fundação do grupo, confirmou Israel.
  • As Forças de Defesa de Israel deram conta de que atingiram cerca de dois mil alvos do Hezbollah no Líbano e tentaram avançar na província de Marjaayoun.
  • O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, voltou a apelar a um cessar-fogo e insistiu na necessidade de iniciar negociações com Israel, colocando à margem o Hezbollah.
  • O Governo do Líbano denunciou um ciberataque iraniano contra as instituições governamentais no país.
  • Desde o início das hostilidades a 2 de março entre o Hezbollah e Israel, o número de mortos no Líbano superou os mil. 

No Golfo

  • O Qatar expulsou vários diplomatas iranianos após os ataques ao complexo industrial de gás natural liquefeito de Ras Laffan.
  • As autoridades energéticas do Qatar deram conta de que o complexo industrial Ras Laffan popde demorar cinco anos até ser totalmente reparado.
  • Numa conferência de imprensa, o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, assinalou que as “persistentes alegações iranianas de que os ataques visam interesses americanos não podem ser aceites”, acreditando que o Irão também está a prejudicar os interesses dos países do Golfo.
  • A Arábia Saudita deu conta de que o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, foi atacado.
  • O Ministério da Defesa saudita referiu que intercetou sete mísseis iranianos e 34 drones.
  • Nos Emirados Árabes Unidos, foram intercetados 15 drones e sete mísseis.
  • As autoridades dos Emirados Árabes Unidos anunciaram que os destroços de mísseis iranianos causaram alguns “incidentes” mas não provocaram baixas.
  • O Ministério da Defesa do Kuwait anunciou que foram intercetados 18 drones iranianos.
  • O Kuwait deu conta de que um drone atingiu a refinaria de petróleo Mina al-Ahmadi e causou um incêndio no local.
  • O Bahrein contabilizou que, desde o início da ofensiva iraniana, intercetou 132 mísseis e 234 drones. Esta quinta-feira, os sistemas de defesa aérea do reino intercetaram dois mísseis iranianos e quatro drones.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Omã — país que serviu como mediador nas negociações de paz entre o Irão e os Estados Unidos — lamentou que Washington “tenha perdido o controlo da sua política externa”.

No resto do mundo

  • Os Estados Unidos voltaram atacar as milícias aliadas do Irão dentro do Iraque. As Forças de Mobilização Popular registaram duas mortes esta quinta-feira e retaliaram contra os norte-americanos.
  • A milícia Kataib Hezbollah — aliada do Hezbollah no Líbano — parou os ataques à embaixada norte-americana em Bagdade, na sequência de vários ataques dos Estados Unidos à liderança do grupo.
  • Um míssil iraniano caiu na Cisjordânia e matou pelo menos quatro pessoas.
  • O posto fronteiriço de Rafah entre Gaza e Egito reabriu.
  • A China condenou a morte do chefe de segurança nacional do Irão, Ali Larijani, e apelou ao fim “das operações militares”.
  • Alguns países próximos do Irão — a Índia, o Paquistão, o Iraque, a Malásia e a China — estão a negociar com o regime iraniano a passagem segura das suas embarcações no Estreito de Ormuz.
  • Os Estados Unidos aprovaram a venda de armas aos aliados árabes. A verba pode chegar aos 23 mil milhões de dólares (cerca de 20 mil milhões de euros).
  • Os Estados Unidos podem remover as sanções aplicadas contra o petróleo iraniano que está retido em navios-tanque para aumentar a oferta e reduzir os preços, anunciou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot, esteve no Líbano, onde prometeu duplicar a ajuda humanitária à antiga colónia.
  • O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao fim das hostilidades. Avisou os Estados Unidos e Israel de que a guerra no Irão pode ficar fora de controlo.