Um bebé morreu na semana passada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, 15 dias depois de ter nascido em casa. Segundo o Expresso, que revelou o caso, a mãe corria riscos na gravidez devido a duas cesarianas anteriores e depois de lhe ter sido marcada uma indução do parto, não apareceu no hospital. O caso terá sido reportado às autoridades — contactado pelo Observador, o Ministério Público em tempo útil.
A mãe, doula autointitulada, deu à luz em casa, na Ericeira, com a presença de uma enfermeira parteira, cuja identidade não foi apurada. O parto complicou quando o bebé entrou em paragem cardiorrespiratória e o pai ligou ao INEM. Quando a mãe entrou nas urgência o bebé já estaria “quase morto”, descreve o semanário, e teria sofrido uma encefalopatia hipóxico-isquémica grave (uma asfixia durante o parto). A mãe acabou por ter alta alguns dias depois.
O que é uma doula?
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“Doula é uma palavra grega que significa “mulher que serve” e era designativa das mulheres que cuidavam de outras, especialmente grávidas, mulheres lactantes ou com crianças recém-nascidas. As doulas acompanhavam o crescimento destas crianças nas suas várias etapas de desenvolvimento, estando muitas vezes presentes, como uma figura materna de confiança, ao lado dos filhos da mulher a quem serviam”.
Rede portuguesa de doulas
De acordo com algumas publicações feitas pela mulher nas redes sociais, e verificadas pelo Expresso, a gravidez foi seguida por uma obstetra particular, que agora é alvo de queixas por suspeitas de má prática. Para já, a médica em causa “não se encontra suspensa”, confirmou a Região Sul da Ordem dos Médicos ao Observador. “Em respeito pelo dever de confidencialidade legalmente estabelecido, e enquanto as queixas e/ou processos em curso, se encontrarem em fase de averiguação ou instrução”, a Ordem não prestará mais informações.
A Polícia Judiciária confirmou ao Observador que não foi acionada, tampouco investigou este caso. O hospital garante que “sempre que [estes casos] envolvam profissionais de saúde e haja suspeita de má prática durante o processo que conduz ao parto, essas situações são reportadas às entidades competentes”.
“Os serviços da Unidade Local de Saúde de Santa Maria envolvidos na resposta materno-infantil têm registado, desde 2023, um caso por ano de complicações decorrentes de partos realizados em casa. Até à data, foi registado 1 óbito e são de assinalar sequelas em metade desses casos que tiveram de ser internados na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital de Santa Maria por questões neurológicas, assim como a deteção de outros problemas no pós-parto”, remata a administração hospitalar.
Apesar de o caso envolver uma alegada enfermeira, a Ordem não tem conhecimento do ocorrido.