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Carlos César: PS não se diminui se for "parte da solução"

No XXV Congresso do PS, o presidente socialista criticou o executivo de Luís Montenegro e defendeu que o partido não "se ajoelha quando propõe e contribui" para o "bom governo".

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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Carlos César criticou o Governo e assumiu que o PS deve fazer “parte da solução” para um país bem governado e não se “deve sentir diminuído por contribuir”. No discurso no segundo dia do XXV Congresso do PS, em Viseu, o presidente do PS alertou que “não bastam os que cá estão” e apelou à “união”.

“Portugal precisa de mudar a forma como está a ser governado. Portugal precisa de outro Governo”, realçou o presidente, colocando o PS como “parte da solução” para um país bem governado. “Nunca em tão pouco tempo foi tanto dito e não cumprido, e nunca em tão pouco tempo foi tanto feito com tanto defeito”, disse sobre o Governo que “continua a dedicar mais atenção à oposição ao PS e ao namoro com a extrema-direita do que à resolução de todos e de cada um desses problemas que persistem ou que se intensificam”.

Ainda assim, acrescentou Carlos César, “o PS, deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica e da denúncia, em que deve ser assertivo e distintivo, lembrando ao Governo que é dele que depende a estabilidade política”.

Mais do que isso, assegurou que o que “deve mover” o PS “é o bom Governo” e que não se deve “sentir diminuído, nem o líder se deve sentir, por procurar contribuir para isso; pelo contrário, o país é que fica diminuído com os que ignoram ou se furtam a essa colaboração”.

Para César, “não é o PS que se ajoelha quando propõe e contribui; é o Governo que, na sua surdez e no seu défice democrático, perde e faz perder o país”. E para que tal aconteça, argumenta, é preciso “cooperação interna construtiva, para a qual devem ser tidos não só os partidos políticos como os parceiros sociais, os investidores e os gestores, as empresas, as instituições universitárias, culturais e científicas, públicas e privadas, as ordens profissionais, bem como os movimentos”.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

O presidente do PS considerou que agora é altura para “diligentemente, renovar, capacitar, unir e ajustar a resposta do partido ao Portugal concreto e às novas dimensões e exigências reformistas que a participação dos cidadãos, as motivações das pessoas, as ambições dos jovens e as realidades económicas e sociais emergentes requerem”.

E concluiu: “São tarefas que José Luís Carneiro deve liderar.” Alertou, porém, que para isso “não bastam os que cá estão”, realçando que a “incumbência é acrescida: temos mesmo de trabalhar, mas para todos, e provarmos que somos os melhores”.

César explicou que é preciso ter a consciência de que a diferença para os portugueses “não é só entre direita e esquerda”, mas “a diferença é quem e sobre o que cada força política é melhor do que a outra”. “A exigência é, pois, uma exigência de clareza, de atualidade, de proximidade e de qualidade, mais do que um enunciado de proclamações ideológicas.”

Sublinhou, portanto, que está tudo esclarecido sobre ideologias e realça que o PS não é um “mero partido de ocasião”, mas sim uma “força política empenhada na proteção da fronteira entre a liberdade económica e a igualdade de oportunidades, evitando que uma prejudique a outra”.

Destacou que o PS não prescinde da “máxima liberdade no Estado de Direito”, que é uma “força política defensora do Estado que é necessário, do Estado descentralizado mas simultaneamente envolvido na proteção social, na segurança das pessoas e no estímulo às suas iniciativas e à sua criatividade”.

“Somos da esquerda democrática e perseverante, que contraria as narrativas da inevitabilidade das desigualdades e do conformismo com a pobreza; somos uma força política moderada, mas corajosa e inovadora, que se distingue do conservadorismo e se exercita no reformismo progressista”, salientou Carlos César, garantindo, numa altura de guerra, que os socialistas rejeitam “formas intrusivas e atos de guerra que se processem para além do que esses países necessitariam para a sua defesa ou dos seus interesses reconhecidos adequadamente como legítimos”.

Carlos César avisou que no Congresso do PS não “se esgotam os debates que devem reanimar e atualizar” o partido e que os socialistas não podem “pensar em voltar a merecer a confiança maioritária dos portugueses só porque foi melhor em momentos do passado”. “Temos de novo de provar a nossa solvência política, ou seja que somos merecedores desse crédito.”

Seguro tem “missão” de defender “equilíbrio democrático” perante “coligações negativas”

Sobre as autárquicas e as presidenciais, Carlos César considerou que o partido cumpriu. As primeiras, porque “confinaram a extrema-direita a uma representação irrisória” e, as segundas, dizendo que o PS apoiou “no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória para o PS”.

O presidente do PS acredita que António José Seguro tem a “missão que não se indicia como fácil” de defender o “equilíbrio democrático, o escrutínio e o bom discernimento dos poderes políticos e o respeito pelos nossos valores constitucionais referenciais”. Não disse, mas deixou nas entrelinhas, a polémica sobre o Constitucional ao dizer que “esses valores são agora ameaçados por coligações negativas, surpreendentes mesmo para os democratas que se reveem nas opções da direita moderada, que podem atingir sucedaneamente o próprio texto constitucional”, avisando sobre uma eventual revisão do texto à direita. Acrescentou ainda que o PS deve estar “atento e firme na pedagogia e na oposição” perante esta ameaça.

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