Um grupo de ativistas disse ter vandalizado propriedade da empresa Savannah Resources durante a madrugada deste sábado. O coletivo, que se descreve como “anti-capitalista” e “solidário com a luta de Covas do Barroso”, partiu o portão da entrada do edifício da empresa responsável pela mina de lítio que se pretende construir naquela aldeia, pintou as paredes e danificou o sistema de segurança. Mais tarde, a empresa veio clarificar que o edifício alvo do ataque era, na verdade, “propriedade de um natural da aldeia”.

“Infelizmente, os danos causados ao património da aldeia representam um custo significativo de recuperação e reabilitação para o proprietário, que já apresentou queixa no posto da GNR de Boticas. A Savannah irá naturalmente prestar todo o apoio necessário”, afirmou a empresa, em comunicado. “Foi precisamente neste edifício que, há cerca de um mês, realizámos uma sessão pública de auscultação, integrada num conjunto de cinco iniciativas de diálogo promovidas em toda a região. Para além disso, a Casa do Grilo é utilizada para descanso dos trabalhadores e colaboradores da Savannah, no âmbito de uma política social que visa promover a vida nas comunidades locais, dinamizar a economia da região e contribuir para a reabilitação do edificado tradicional”, explicam.

Num vídeo enviado às redações, o grupo de ativistas admitiu que se tratava de um “ato político reivindicado”. “Não defendemos a violência por si só. Mas achamos o seu uso legítimo quando as populações locais são agredidas, quando as instituições não servem os interesses públicos e quando a natureza é tratada como mercadoria. Não aceitamos ficar de braços cruzados quando planeiam a destruição de uma região como o Barroso. Se recorremos à violência é porque não nos ouvem de outra forma. E porque acreditamos que a verdadeira violência é o projeto da mina e o desdém com que empresa e governo tratam a população local”, lê-se no comunicado emitido.

“Esta mina não avança. Nem tudo se vende. Nem tudo se compra. E o povo ainda é quem mais ordena”, acrescentam. O projeto da Savannah Resources pretende explorar em Covas do Barros a “maior mina a céu aberto de concentrado de espodumena de lítio da Europa Ocidental”, uma zona que dizem ter mais de 14 milhões de toneladas deste metal que é considerado o mais importante e mais comercializado internacionalmente para alimentar a indústria de baterias.

Já a Savannah reforça que “esta violência é consequência direta de um clima de pressão contínua sobre a comunidade, alimentado por aqueles poucos que sistematicamente rejeitaram o diálogo com a empresa”. “Estes movimentos optam por métodos de intimidação que em nada beneficiam as gentes locais. Pelo contrário, estes atos prejudicam a comunidade, destroem o património de Covas do Barroso e promovem uma cultura de ostracização e divisão, afetando os próprios naturais e residentes da aldeia”, defendem.

Notícia atualizada a 31/03 com o comunicado emitido pela Savannah