As várias guerras em curso e as incertezas geopolíticas e económicas atuais não vão fazer diminuir o turismo — pelo contrário, os dados das Nações Unidas apontam para o crescimento entre 3 e 4% em 2026. Por isso, a revista TIME, como habitualmente, deixa as suas recomendações para o ano de 2026
Numa lista com 100 destinos, espalhados pelos seis continentes, é possível encontrar uma experiência para todos os gostos (embora talvez não para todas as carteiras).
ÁFRICA
Começando pelo continente que teve o maior crescimento de todos – África (+8%) – a TIME sugere o Grande Museu Egípcio (Museu de Gizé). Tendo aberto as portas pela primeira vez há cerca de quatro meses, duas décadas depois da primeira pedra ter sido lançada, o museu é um riquíssimo inventário com 100 mil artefactos que representam 7 mil anos de história, ao longo de aproximadamente 500 mil metros quadrados.
A “joia da coroa” é sem dúvida a exibição dos artefactos da tumba de Tutankamon – a primeira exibição pública completa de todas as relíquias do túmulo do faraó egípcio, desde a sua descoberta em 1922.
O museu representa uma mudança e um investimento na gestão do património nacional – galerias seguras e com temperatura controlada permitem agora ao Egito conservar melhor as suas antiguidades e fortalecer os seus esforços para repatriar obras e artefactos egípcios importantes de museus estrangeiros. E para os viajantes, trata-se de uma oportunidade de ver os tesouros mais famosos do Egito no ‘seu devido lugar’. Espera-se que o museu atraia até 8 milhões de visitantes por ano, contribuindo para a meta nacional de duplicar o turismo até 2030.
Para estrangeiros os preços dos bilhetes vão dos 11,70 euros (para crianças e estudantes) até aos 23,24 euros (para adultos).
ANTÁRTICA
Para quem não gosta de tanto calor, um cruzeiro pela Antártica pode ser uma alternativa. A Aurora Expeditions, empresa certificada como B Corp – ‘selo’ que avalia e verifica o impacto social, ambiental e de governança de uma empresa – construiu um novo navio que pode levar até 154 passageiros a conhecer o continente ‘gelado’.
Lançado em dezembro, o Douglas Mawson, foi batizado em homenagem ao homem que liderou a primeira grande expedição científica australiana à Antártica em 1911, e marca o retorno da Aurora à Antártica Oriental pela primeira vez em 15 anos.
O navio conta com uma piscina exterior aquecida, dois jacuzzis, sauna e ginásio, todos com janelas que permitem apreciar a vista enquanto se relaxa. Tem também uma sala de palestras onde os passageiros podem aprender com cientistas e especialistas, um centro de ciência e uma biblioteca. Os quartos são totalmente novos e podem ser individuais ou duplos. Existem ainda a bordo dois restaurantes e dois bares, bem como várias salas destinadas apenas para observação da natureza.
A sustentabilidade está integrada no design do próprio navio: o design do seu casco permite reduzir o consumo de combustível, o GPS no sistema de ancoragem potencia a proteção dos fundos marinhos, e a filtragem de microfibra, pioneira no setor, captura 99% dos microplásticos largados com a lavagem da roupa, diz a empresa. Além disto, a Aurora tem um ‘Programa de Regeneração Oceânica’ que financia a plantação de algas marinhas e a remoção de resíduos produzidos pelos passageiros.
Os preços variam consoante a duração do cruzeiro e, naturalmente, a tipologia das acomodações, sendo o mais barato entre 10.300 e 10.400 euros e o mais caro cerca de 23.200 euros.
ÁSIA
Para quem tem medo de alturas, a próxima sugestão da TIME talvez não seja a mais apropriada. Inaugurada a 28 de setembro de 2025, depois de três anos sob construção, a Ponte do Grande Canyon de Huajiang é a mais alta do mundo, com cerca de 625 metros de altura. Ligando as margens do rio Beipan, estende-se por quase três quilómetros, encurtando um caminho que anteriormente exigia horas de viagem por estradas sinuosas nas montanhas de Guizhou, uma das províncias mais remotas da China, e que agora se pode fazer em poucos minutos de carro.
Para além da sua utilidade prática para os habitantes da região, a ponte oferece várias experiências aos turistas. Aqui, os visitantes podem caminhar por uma ponte suspensa de vidro sobre o desfiladeiro, fazer uma viagem de teleférico a 207 metros de altura, andar num elevador panorâmico de vidro que leva a um café panorâmico no topo das montanhas, explorar as remotas e tradicionais aldeias da região ou, para os mais aventureiros, fazer bungee jumping ou andar num baloiço gigante sobre o Grande Canyon.
EUROPA
Para quem preferir um programa com menos adrenalina, os Países Baixos são uma ótima opção. Em Roterdão, o museu Fenix, com o seu exterior impressionante de arquitetura arrojada, revela no seu interior uma coleção de arte igualmente impactante.
Este museu dedica-se exclusivamente a um dos temas mais fraturantes da atualidade: a migração, utilizando a arte para partilhar a história e a experiência dos migrantes. Localizado num armazém centenário no bairro de Katendrecht — que foi um ponto de partida e de chegada para milhões de migrantes em busca de novas vidas — o edifício ‘esconde’ no seu interior obras contemporâneas que corporizam a migração, sendo o Labirinto de Malas, montado a partir de cerca de duas mil malas de viagem doadas por migrantes, uma das exposições a não perder.
A arquitetura do edifício, por si só, contribui para a experiência. Dentro ostenta uma escada em caracol de dupla hélice, de aço espelhada que sobe de forma propositadamente desorientadora, numa analogia à travessia e ao processo de adaptação pelo qual os migrantes passam.
Os bilhetes de ingresso são gratuitos para jovens até os 18 anos, 7,5 euros para indivíduos entre os 19 e os 25, e 15 euros para adultos.
OCEANIA
Espalhada pelas colinas rochosas de Pilbara, no oeste da Austrália, encontra-se uma das coleções mais extensas e ricas do mundo de petróglifos (gravuras em pedras) e megálitos (grandes construções de pedra), dentro do Parque Nacional Murujuga.
Mais antiga que Stonehenge e as Pirâmides de Gizé, esta extraordinária coleção de gravuras e construções rupestres indígenas — algumas com 50.000 anos — conquistou o título de Património Mundial da UNESCO em 2025, após décadas de campanha.
Embora o acesso a Murujuga seja difícil (a cidade mais perto do local com voos internacionais é Broome, que fica a cerca de nove horas de carro) é um esforço que tem recompensa garantida. Cobrindo cerca de 2.600 quilómetros quadrados na Península de Burrup e em 42 ilhas do Arquipélago de Dampier, originalmente preservadas pelo povo Ngarda-Ngarli, os artefactos retratam espécies ameaçadas de extinção, animais extintos como o tigre-da-tasmânia e o canguru-de-cauda-achatada, e o que se acredita ser a representação mais antiga conhecida de um rosto humano.
A Paisagem Cultural de Murujuga, dentro do Parque Nacional de Murujuga, é apenas um dos dois locais na Austrália reconhecido pela UNESCO especificamente pelos seus valores culturais indígenas (o outro é Paisagem Cultural de Budj Bim).
Os preços de entrada vão dos 20,92 euros para crianças entre os quatro e os 16 anos e 44,82 euros para adultos.
AMÉRICA
A última sugestão fica na América do Sul, no Equador: a ferrovia do ‘Nariz do Diabo’. Após cinco anos encerrada e um investimento de quase 600 mil euros, a linha de ferro mais impressionante do país voltou a abrir em agosto de 2025 e é imperdível.
A linha, terminada em 1908, foi construída com o propósito de ligar a cidade costeira de Guayaquil à capital Quito — a segunda mais alta do mundo. Porém, esta porção dos Andes parecia intransponível, por ser tão íngreme. Assim, em vez de construírem a linha ‘a direito’, os engenheiros resolveram o problema contornando a montanha, numa sucessão de curvas e contracurvas ao longo das encostas.
O resultado é um passeio cénico de 24km, entre as estações de Alausí (a cerca de 2,34 km de altitude) e Sibambe (a 1,4km), que dura 2h30. A viagem, hoje em dia, voltada principalmente para o turismo, oferece uma experiência inesquecível por entre as montanhas do desfiladeiro do rio Chanchá e uma receção cultural na Estação Sibambe, onde membros das comunidades locais realizam danças tradicionais e vendem artesanato e comida típica.
Crianças entre os três e os doze anos e adultos com mais de 65 pagam 21,8 euros. Dos doze aos 65 anos paga-se 38,39 euros.
Texto editado por Dulce Neto