Depois de mais de um ano desaparecidos, três dos quatro artefactos romenos roubados do Museu de Drents, nos Países Baixos, foram devolvidos. Esta quinta-feira, o capacete em ouro com mais de 2.500 anos e duas pulseiras — expostos numa vitrine guardada por dois polícias armados e de cara tapada com balaclavas — foram entregues a dois representantes do Ministério Público romeno durante uma cerimónia realizada na antiga Câmara Municipal da Província de Drenthe, que integra o museu.
A devolução resultou de um acordo judicial negociado entre o Ministério Público do país e a defesa dos suspeitos do assalto. “Uma condição para a celebração do acordo era a devolução dos tesouros artísticos. Com o capacete e duas das pulseiras, isso foi em grande parte alcançado”, disse um promotor, segundo o jornal NRC Handelsblad. Não são conhecidos mais detalhes do processo, como eventuais reduções de pena ou se o acordo foi firmado com os advogados dos três suspeitos, com idades entre os 21 e os 36 anos, que se encontram em prisão preventiva.
Terão sido os advogados a pressionar os clientes — que durante as audiências preliminares ou se mostravam quase ofendidos, ou permaneciam em silêncio ou negavam as acusações — a devolver os objetos. O tribunal já foi informado sobre os acordos relacionados com a recuperação dos artefactos e o julgamento tem data marcada para 14 de abril de 2026.
O capacete de Coțofenești, peça central da coleção romena, sofreu alguns danos. “Está um pouco amassado, mas isso pode ser restaurado. As pulseiras estão em perfeitas condições”, explicou o diretor do Museu de Drents, Robert van Langh, de acordo com o mesmo jornal. Segundo Van Langh, caberá aos romenos decidir quem realizará a restauração. Os objetos foram entretanto transportados para um local seguro, não divulgado, antes de serem oficialmente entregues à Roménia. Mas uma das três pulseiras roubadas permanece desaparecida. “Recuperar essa pulseira continua a ser uma prioridade para nós”, acrescentou a procuradora Corien Fahner.
O roubo ocorreu na noite de 24 para 25 de janeiro de 2025. Através de uma bomba, os assaltantes conseguiram entrar no museu e, em poucos minutos, partiram as janelas e levaram o capacete e as três pulseiras. A exposição “Dácia – Terra do Ouro e da Prata” apresentava obras de pelo menos quinze museus romenos, com o capacete emprestado pelo Museu Histórico Nacional de Bucareste. Na altura, o diretor do museu qualificou o assalto como “um furto de violência sem precedentes” e “uma nova forma de violência contra museus, sobre a qual devemos continuar a falar”.
Roménia transtornada com roubo de importante capacete dourado de museu nos Países Baixos
“Estamos extremamente satisfeitos com o retorno desses tesouros artísticos excecionais. Foi uma verdadeira aventura, repleta de percalços. Especialmente para a Roménia, mas também para a equipa do Museu de Drents”, disse a procuradora Fahner durante a cerimónia desta quinta-feira. Para a equipa do Museu de Drents, o momento da devolução foi “feliz, emocionante, de alívio e gratificante”.
Antes da conferência de imprensa, os funcionários do museu puderam observar as peças. “Isso foi muito importante. A nossa equipa precisava de poder vê-los com calma. Foi emocionante”, admitiu Van Langh.