As operações de descarga de 730 mil barris de petróleo bruto, equivalentes a 100 mil toneladas, que o petroleiro russo Anatoli Kolodkin transportou para Cuba esta semana, concluíram-se neste sábado na baía de Matanzas, em Cuba.
“Embora estas 100 mil toneladas não sejam a solução definitiva, aliviam a situação energética do país. Já estamos a preparar a chegada do petróleo bruto às refinarias para o seu processamento”, explicou o diretor adjunto da estatal União Cuba-Petróleo (CUPET), Irenaldo Pérez Cardoso.
O petroleiro russo Anatoli Kolodkin, que atracou na passada terça-feira em Cuba, é o primeiro carregamento deste tipo a chegar à ilha nos últimos três meses, num contexto de grave crise energética que o país atravessa devido ao bloqueio petrolífero dos Estados Unidos, agravado desde janeiro passado.
A incapacidade de as autoridades cubanas satisfazerem a procura de energia levou a uma situação crítica de escassez de petróleo, o que agravou os prolongados cortes de energia diários e provocou uma paralisia quase total da economia, além de afetar serviços básicos de saúde, transportes e outros.
As autoridades cubanas já tinham anunciado que a descarga do navio demoraria cerca de 96 horas e que, “nos próximos dias, terá início o processo de refinação das 100 mil toneladas”.
Especialistas do setor explicaram que as operações de refinação serão adiadas por 15 a 20 dias e, posteriormente, a distribuição dos combustíveis obtidos do petróleo russo demorará até dez dias.
Os dirigentes da CUPET indicaram que a distribuição se destinará ao serviço de gás liquefeito, ao gasóleo para a produção de eletricidade e a atividades essenciais da economia.
Além disso, será produzido fuelóleo para as centrais elétricas e gasolina, com o objetivo de aliviar “momentaneamente” a atual situação de procura do produto, assinalaram as autoridades cubanas.
O petroleiro russo, que pertence à corporação Sovkomflot, sancionada pelos Estados Unidos desde 2024, e que partiu do porto russo de Primorsk no dia 9 de março, zarpou este sábado de Cuba, apenas dois dias depois de a Rússia ter anunciado que está a preparar um segundo envio de petróleo para Cuba.
“Um navio russo rompeu o bloqueio. Agora está a ser carregado o segundo. Não abandonaremos os cubanos”, informou na quinta-feira o ministro da Energia russo, Serguéi Tsiviliov, num fórum sobre energia realizado na cidade de Kazan.
Cuba vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o cerco petrolífero imposto pelo Governo dos Estados Unidos desde janeiro.