A guerra com o Irão está a provocar danos dos mais variados tipos e em todas as áreas da sociedade, afectando os condutores com a subida do preço dos combustíveis, mas igualmente os construtores, ao impedir os carros topo de gama de serem exportados para os países árabes mais endinheirados. Mesmo que o conflito no Golfo termine amanhã, a paz e a abertura do estreito de Ormuz ao comércio não conseguirão impedir os construtores, com ênfase para os europeus, de registar perdas avultadas.

De acordo com a S&P Global Mobility, se o estreito de Ormuz continuar fechado até final de Abril, o mercado automóvel mundial vai sofrer um corte de 900.000 veículos, pois menos automóveis novos vão chegar ao seu destino. E, caso estas previsões se confirmem, cerca de 200.000 unidades representarão os veículos que não chegarão aos países mais ricos do Golfo, nomeadamente a Arábia Saudita, Qatar, Oman, Kuwait e Bahrain, que já começaram a sofrer bastantes limitações relativas à chegada de novos veículos.

A empresa americana especializada na análise de mercado considera que, mesmo que Ormuz reabra ao comércio no final de Abril, o mercado automóvel vai necessitar de alguns meses antes de conseguir regressar aos valores da pré-guerra. A S&P Global Mobility antecipa igualmente que, mesmo que o comércio mundial através do estreito reabra até ao final de Abril, ainda assim os prejuízos vão arrastar-se durante 2027, com perdas nas vendas de uns adicionais 500.000 novos veículos. Não só devido aos veículos que não chegam aos novos clientes, como ainda pelos danos que o incremento no preço dos combustíveis pode causar.

E entre os países ricos do Golfo, tradicionalmente a Arábia Saudita, Qatar, Oman, Kuwait e Bahrain são grandes consumidores de carros de luxo, a maioria europeus, das berlinas e SUV alemães topo de gama, aos Ferrari, Lamborghini e Bugatti. No total, a S&P Global Mobility estima que o prejuízo pode atingir a perda de 1,4 milhões de unidades, o que a somar à queda nas vendas de veículos europeus de luxo na China, devido à crise local, e à redução das vendas nos EUA, fruto das tarifas da equipa de Trump, pode ser um grande problema para os construtores do Velho Continente.