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O Presidente norte-americano anunciou, esta segunda-feira, o bloqueio dos portos iranianos, salientou que Teerão procura um acordo “a qualquer custo” (depois do fracasso das negociações) e acusou o Papa Leão XIV de ser “muito fraco”. Respondeu ainda à polémica da imagem gerada por Inteligência Artificial na qual aparece como sendo Jesus Cristo, dizendo que era para ser apenas “um médico da Cruz Vermelha”.
Donald Trump ordenou o bloqueio dos portos iranianos e escreveu na Truth Social que “se algum destes navios [de ataque rápido] se aproximar do BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, utilizando o mesmo sistema de abate que se usou contra os traficantes de droga em barcos no mar. É rápido e brutal”.
O líder norte-americano recordou, também, o estado atual da marinha iraniana, afirmando que se encontra “completamente destruída”, com 158 embarcações no fundo do mar.
Em declarações aos jornalistas na Casa Branca na tarde desta segunda-feira, Trump afirmou que “o outro lado” entrou em contacto com Washington e manifestou disponibilidade para alcançar um entendimento, sublinhando que os líderes iranianos querem fechar um acordo “a qualquer custo”.
Ainda assim, Trump referiu que o Irão ainda não concordou em não desenvolver uma arma nuclear. “Não será agradável se o Irão não fizer um acordo daqui a duas semanas”, sustentou.
Nas mesmas declarações, o líder norte-americano referiu, também, que o vice-presidente, JD Vance, fez um “bom trabalho” nas negociações que decorreram este fim-de-semana no Paquistão. “Depois de terminarmos no Irão, talvez paremos em Cuba. Cuba é uma nação que tem sido muito mal gerida pelos Castro”, anunciou ainda.
O Presidente norte-americano recusou, também na conferência de imprensa que realizou esta segunda-feira, pedir desculpa ao Papa, a quem chamou “muito fraco”, na sequência de críticas de Leão XIV à atuação dos Estados Unidos na crise com o Irão.
Trump acusou o líder da Igreja Católica de ter feito “declarações falsas” e de se opor às medidas norte-americanas destinadas a impedir que Teerão adquira armas nucleares. “Não vou pedir [desculpa]. O Papa Leão XIV disse coisas erradas. Ele é contra o que estou a fazer no que toca ao Irão. Não se pode ter um Irão nuclear”, afirmou.
O Presidente norte-americano acrescentou que o Papa demonstrou “grande fraqueza” em várias matérias, incluindo no combate ao crime.
Trump respondeu, ainda, às críticas de que foi alvo após ter partilhado, durante a madrugada desta segunda-feira na sua rede social, uma imagem gerada com recurso a Inteligência Artificial em que surge representado como Jesus Cristo. O Presidente norte-americano explicou que se estava a representar como um “médico da Cruz Vermelha”. “Apenas as Fake News podiam inventar [a associação com Jesus]. Era para eu ser um médico que cura as pessoas. E eu curo as pessoas”, disse.
Na imagem, publicada sem descrição a acompanhar, era possível ver o Presidente dos Estados Unidos vestido com vestes brancas e aparentando estar a curar um homem usando a sua mão direita, pousada na testa do enfermo. Apesar desta partilha ter ocorrido sem qualquer contexto, subentende-se como um novo ataque ao Papa Leão XIV.
“Não tenho medo da administração Trump”, garante Leão XIV
Leão XIV já reagiu, dizendo “não ter medo” do Governo norte-americano e sentir “um dever moral” de se manifestar a favor da paz.
No avião que levava o Papa de Roma para Argel, a primeira paragem de uma viagem de 11 dias por quatro países africanos, o líder religioso acrescentou, aos jornalistas que o acompanhavam, não ter “qualquer intenção de entrar em debate” com Donald Trump.
“Não tenho medo, nem da administração Trump, nem de falar alto e claro sobre a mensagem do evangelho”, disse Leão XIV, acrescentando que a sua “mensagem é sempre a mesma: promover a paz”.
“Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar muito claramente contra a guerra”, concluiu o Papa, sublinhando a importância de regressar ao caminho da diplomacia.
[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui o segundo episódio, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]