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O ambiente de tensão entre o Presidente dos Estados Unidos e o Papa Leão XIV está em escalada. Donald Trump afirmou que o papa é “terrível em política externa”, aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a “deixar de agradar à esquerda radical”. Na resposta, Leão XIV garantiu que irá continuar a manifestar-se contra a guerra e sugeriu Donald Trump “deturpa a mensagem do Evangelho”.
“O papa Leão é FRACO em relação ao crime e péssimo em política externa“, escreveu no domingo à noite (esta segunda-feira em Lisboa) Donald Trump na rede Truth Social, da qual é proprietário, numa longa mensagem em que insta o religioso a “concentrar-se em ser um grande papa, não um político”, porque “está a prejudicar a Igreja Católica”.
“Não quero um papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (…). E não quero um papa que critique o Presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou.
Além disso, Trump sugeriu que Leão XIV foi eleito papa “porque era norte-americano, e pensaram que seria a melhor forma de lidar” com o republicano, e instou-o a “estar grato”.
Também esta segunda-feira, o Papa Leão XIV disse que vai continuar a manifestar-se publicamente contra a guerra, depois das críticas de que foi alvo por parte do Presidente dos EUA. Em declarações à Reuters, Leão XIV disse que não quer entrar em diálogo com Donald Trump mas sugeriu que o chefe de Estado norte-americano está a “deturpar a mensagem do Evangelho”.
“Não quero entrar em debate com ele. Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas a fazer”, referiu Leo XIV.
“Continuarei a manifestar-me veementemente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, disse o Papa, em inglês, numa viagem de avião a caminho da Argélia, o primeiro africano país a receber Leão XIV na viagem de 10 dias àquele continente. “Demasiadas pessoas estão sofrer no mundo hoje”, lembrou, acrescentando que “demasiadas pessoas inocentes estão a ser mortas”. “Alguém precisa de se levantar e dizer que existe um caminho melhor”, realçou.
Em novas declarações divulgadas pela imprensa, o Papa Leão XIV disse não ter medo da administração Trump, depois de ter sido alvo de duras críticas por parte do presidente dos EUA. “Não tenho medo da administração Trump, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”, disse o Papa, no avião, citado pelo New York Times, a caminho da Argélia.
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“Leão devia dar-se ao trabalho de ser papa, usar o bom senso, deixar de agradar à esquerda radical e concentrar-se em ser um grande papa, não um político”, disse o Presidente.
“Prefiro muito mais o seu irmão, Louis, do que ele, porque Louis é totalmente MAGA (‘Make America Great Again’, o lema da campanha de Trump). Ele compreende isso, e o Leão não”, acrescentou.
Neste quase primeiro ano de pontificado, embora sempre num tom muito cauteloso, Leão XIV denunciou alguns riscos da política global, lamentou guerras como a do Irão e instou a “garantir a soberania” da Venezuela após a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
No sábado, no Vaticano, o papa apelou aos governantes do mundo para conterem toda a “demonstração de força” e “sentarem-se à mesa do diálogo e da mediação”, e embora não tenha mencionado casos concretos, essa mensagem coincidiu com as negociações entre os Estados Unidos e o Irão no Paquistão.