Um clássico é sempre um clássico. A viverem situações semelhantes, numa temporada que tem tido mais momentos baixos do que altos, Chelsea e Manchester United encerraram os jogos deste sábado na Premier League, num grande jogo que teve como palco Stamford Bridge. Os red devils chegaram a este jogo depois de terem perdido, de forma inesperada, com o Leeds, que não vencia em Old Trafford há 45 anos (1-2). Esse resultado atirou a equipa de Michael Carrick para uma luta a três pelo terceiro lugar, juntamente com Aston Villa e Liverpool. Por seu turno, os blues seguiam no sexto lugar, a sete pontos do rival, pelo que a vitória podia galvanizar a equipa de Liam Rosenior, que vinha de três derrotas consecutivas no Campeonato inglês. Assim, a luta pelos lugares de acesso à próxima Liga dos Campeões continuava ao rubro e o triunfo era importante para ambas as equipas.
“Temos de aproveitar este momento. O tempo está a acabar, por isso temos de mostrar iniciativa no jogo de sábado. Temos de jogar ao ataque e recuperar os pontos perdido, o que ainda é possível, sem dúvida. Tivemos muitas conversas muito sérias enquanto grupo e realizámos alguns treinos muito, muito bons. Nesta altura, descobrimos mais sobre nós próprios, descobrimos mais sobre o nosso grupo e, na verdade, só temos de nos manter concentrados no processo. Concentramo-nos no que podemos controlar, que é o nosso desempenho. Vamos analisar-nos, analisar o adversário, trabalhar para garantir que o nosso processo está correto e assegurar que a atitude, a energia e a dedicação ao jogo são as adequadas. A equipa está unida. Todos sabemos que queremos ser bem-sucedidos juntos. Isso não está em causa”, perspetivou Rosenior.
“Para ser sincero, não há muito a que possamos reagir. Estamos profundamente desapontados. Acho que há bastantes motivos para estarmos muito desapontados com esse tipo de situações nas últimas três semanas, mas, obviamente, temos de seguir em frente. As decisões já foram tomadas. É algo que nos deixa realmente desapontados em muitos aspetos, mas é assim. Temos de seguir em frente e é isso que vamos fazer. É um jogo importante. Estamos numa boa posição no campeonato e queremos continuar a construir a partir daí. É um estádio difícil de visitar. Sempre tivemos jogos difíceis lá. Na maioria das vezes, têm sido bons jogos em termos do que proporcionam. Preparámo-nos bem e, como disse, tiramos confiança do que construímos. Não conseguimos o resultado que queríamos contra o Leeds”, explicou Carrick.
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Nos onzes iniciais, Liam Rosenior voltou a contar com Enzo Fernández, que se juntou a Moisés Caicedo e Cole Palmer no meio-campo, com Pedro Neto e Estêvão nos flancos, ao passo que Dário Essugo começou no banco. Já Michael Carrick surpreendeu na defesa por conta das indisponibilidades, lançando Luke Shaw, Diogo Dalot e Noussair Mazraoui junto a Ayden Heaven, o único central. Bruno Fernandes manteve-se na titularidade, jogando no apoio a Benjamin Sesko. O clássico arrancou a todo o gás e, logo no início, o extremo brasileiro ficou muito perto de marcar através de um remate cruzado que ainda acertou no poste e pareceu tentar desviado em Shaw (11′). Contudo, Estévão acabou por se lesionar no minuto seguinte, aparentemente com uma rutura muscular, e foi substituído por Alejandro Garnacho.
Pouco depois, Enzo inspirou-se e, na conclusão de um rasgo individual, desferiu um remate que deixou Senne Lammens batido, mas saiu perto do poste mais distante (33′). Pouco depois, um remate intercetado de Neto resultou no golo de Liam Delap, mas o lance acabou inviabilizado por fora de jogo de Palmer (37′). Na resposta, o Man. United respondeu da mesma moeda… a valer: numa altura em que Wesley Fofana estava fora de campo a ser assistido, Bruno fugiu pela direita, passou por Garnacho e, já dentro da área, cruzou atrasado para Matheus Cunha que, de primeira, inaugurou o marcador em cima do intervalo (43′). Foi a 18.ª assistência do português, que está agora a dois passes para golo de igualar o recorde numa edição da Premier League, que pertence a Thierry Henry (2002/03) e Kevin de Bruyne (2019/20).
Contra a corrente, Bruno assiste e Matheus Cunha fatura ????
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Na etapa complementar, os red devils entraram melhor e, numa saída rápida para o ataque, Bruno Fernandes desferiu um remate que saiu ao lado (53′). Na resposta, Pedro Neto cruzou para Liam Delap, que acertou na barra com uma cabeçada (56′). Pouco depois, a turma de Manchester voltou a chegar à área adversária num contra-ataque, o médio português recebeu na zona da meia-lua, serviu Casemiro e Wesley Fofana cortou para a sua baliza, com Robert Sánchez, em contrapé, a impedir o golo (64′). O Chelsea respondeu com perigo, com Pedro Neto a cruzar para um desviou de Noussair Mazraoui para a trave da sua baliza (67′). Para os últimos minutos, Amad Diallo, Mason Mount, Josh Acheampong e Trevoh Chalobah saíram dos bancos e, logo a seguir, Moises Caicedo recebeu a bola solto de marcação fora da área, armou o remate cruzado, mas o tiro saiu a rasar o poste (84′).
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Já com Joshua Zirkzee e Roméo Lavia em campo, os blues carregaram em busca do empate ao som dos olés dos adeptos dos red devils, que acabaram por despedir-se de Stamford Bridge com a vitória seis anos depois (0-1). Curiosamente, essa era a única derrota do Chelsea nos 12 jogos anteriores, mas a situação atual dos londrinos é bem mais penosa: é a segunda vez no século XXI que a equipa de Rosenior perde quatro jogos seguidos, repetindo o feito de 2022/23, e desde 1998 que não somava quatro partidas consecutivas sem marcar. Quanto ao Manchester United, a turma de Carrick deu um passo de gigante rumo à Liga dos Campeões, tendo agora dez pontos de vantagem sobre o Chelsea, que é o sexto classificado e a primeira fora dos lugares de acesso à prova milionária.
O duelo entre Chelsea e Man Utd é o confronto que mais terminou empatado na história da Premier League (27). Desses, apenas sete foram realmente empates sem gols.