O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, manifestou compreensão pelas críticas ao Governo pela comunidade judaica após ter sido vaiado esta quinta-feira em Londres durante uma visita ao bairro onde se registou um ataque antissemita na quarta-feira.
Durante uma visita ao bairro de Golders Green, onde dois homens de 34 e 76 anos foram esfaqueados, Starmer foi recebido por um protesto com dezenas de pessoas.
Alguns gritaram “Keir Starmer, inimigo dos judeus” e “traidor” quando a comitiva de carros passou.
Numa conferência de imprensa em Downing Street (residência oficial), realizada depois da visita, Starmer disse compreender “perfeitamente os elevados níveis de ansiedade e preocupação que se refletem nas várias reações dos últimos dois dias”.
“Essa ansiedade já existe há muito tempo. E o terrível ataque terrorista de ontem [quarta-feira] veio agravá-la”, afirmou.
No entanto, garantiu que o Governo está a tomar medidas, tendo convocado duas reuniões de emergência, uma para coordenar a resposta em termos de segurança e outra para agilizar a justiça criminal “de modo a transmitir confiança às pessoas”.
Esta quinta-feira foi anunciado um novo pacote de 25 milhões de libras (29 milhões de euros) para reforçar a segurança junto a sinagogas, escolas e centros comunitários.
Starmer revelou estar a avaliar medidas adicionais relativamente a manifestações pró-palestinianas, nomeadamente cânticos e cartazes ou faixas que líderes judeus consideram antissemitas e incitam à violência.
“É claro que defendemos a liberdade de expressão e o direito ao protesto pacífico neste país. Mas ao marchar com pessoas que exibem imagens de parapentes [um dos métodos utilizados pelo grupo radical Hamas nos ataques de 7 de outubro de 2023] sem o denunciar, está-se a venerar o homicídio de judeus. Estar ao lado de pessoas que dizem ‘globalizar a Intifada’ é a apelar ao terrorismo contra os judeus. E as pessoas que usam essa frase devem ser processadas. É racismo, racismo extremo”, argumentou.
O executivo britânico vai ainda acelerar a introdução de legislação “para fazer face à ameaça que representam países como o Irão”.
“Porque sabemos, com toda a certeza, que pretendem fazer mal aos judeus britânicos”, acrescentou Starmer.
Em declarações à estação pública BBC, Shloime Rand, a vítima de 34 anos do ataque de quarta-feira, alegou que o Governo não tem feito o suficiente para combater o antissemitismo.
“Definitivamente não. Talvez a partir de agora o Governo se organize e comece a lidar com o problema de forma adequada”, afirmou, sublinhando que palavras “não são suficientes”.
“Quando se chega a um ponto em que a vida das pessoas está em perigo (…). Tenho todos os meus amigos e conhecidos a dizer-me que têm medo de andar na rua, e olham à sua volta, sem saber o que se passa. As pessoas estão agora com medo e isto atingiu um novo nível”, lamentou.
A polícia deteve um homem de 45 anos sob suspeita de tentativa de homicídio e classificou o ataque como um ato de terrorismo.
O suspeito, cujo nome não foi divulgado oficialmente, embora a comunicação social britânica já o tenha feito, nasceu na Somália mas tem nacionalidade britânica e “um historial de violência grave e problemas de saúde mental“.
As autoridades revelaram também que o suspeito foi referido em 2020 para o programa Prevent de combate à radicalização, mas que o processo foi encerrado no mesmo ano.
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