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O Livre alertou esta quarta-feira para o aumento do custo de vida e a concentração de riqueza num grupo restrito de pessoas e empresas, acusando o PSD de aumentar as desigualdades no país.
“Quando dois salários não chegam para pagar uma casa e criar dois filhos, o problema não é a falta de esforço, é uma economia que deixou de recompensar o trabalho com dignidade. E essa família não é pobre por não trabalhar, mas sim apesar de trabalhar“, alertou a deputada do Livre Patrícia Gonçalves, durante o período de declarações políticas na Assembleia da República.
A deputada alertou que muitas famílias vivem “a esticar os rendimentos e a sobreviver à medida que as desigualdades aumentam” e que “este tem de ser o ponto de partida de qualquer discussão séria sobre desigualdade em Portugal”.
“Porque a desigualdade não se mede apenas olhando para quem está na pobreza extrema. Mede-se olhando para a distância crescente entre quem vive do seu trabalho e quem vive protegido por património, por rendimentos de capital, por heranças e por ativos que valorizam muito mais depressa que os salários”, realçou.
A deputada pediu um debate sério sobre justiça fiscal, apontando que “Portugal não é só um país de baixos salários, é também, e cada vez mais, um país de forte concentração patrimonial“.
Patrícia Gonçalves afirmou que segundo uma análise da Comissão Europeia conhecida esta semana “os 10% mais ricos de Portugal detêm mais de 60% de toda a riqueza nacional”, tendência que foi aumentando “nas últimas duas décadas”.
“Por isso, quando se diz que o país cresceu, a pergunta que vem a seguir tem que ser: mas cresceu para quem? A Comissão Europeia diz que em Portugal devemos reforçar a redistribuição, olhar para as grandes fortunas e discutir a tributação do património e das grandes heranças. E não se trata de inveja, nem de tirar tudo a quem tem. O que queremos é que quem tem mais contribua justamente como contribui quem vive do seu trabalho”, argumentou.
Em contraponto, a deputada do PSD Célia Freire respondeu que a economia portuguesa cresce “muito acima da média europeia, considerada a economia do ano em 2025 pela revista The Economist”, que o país tem “o maior número de pessoas empregadas da história” e que o rendimento líquido dos portugueses “foi o que mais cresceu na OCDE” a par de uma redução da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho.
Esta posição gerou críticas do Livre mas também de PS e PCP. Pela bancada comunista, Paula Santos foi a primeira a manifestar perplexidade com a declaração do PSD.
“Não posso dispensar a nossa perplexidade perante aquilo que ouvimos aqui da parte do PSD, porque só pode estar, de facto, a brincar. Porque a vida está pior, as condições de vida das pessoas estão a piorar, cada vez com mais dificuldades, e conseguem continuar a enfiar a cabeça na areia, a fazer de conta que está tudo bem”, criticou.
A mesma perplexidade foi partilhada por Patrícia Gonçalves, que acusou o PSD de baixar os impostos “para os ricos” e manter “para os pobres”, criticando os sociais-democratas por não terem aprovado descidas do IVA propostas pelo Livre.
Pelo PS, o deputado Miguel Costa Matos afirmou que “para alguns a desigualdade pode parecer uma inevitabilidade”, mas “não é”, defendendo a atuação socialista nesta área quando o partido esteve no executivo.
“Na altura, os salários cresceram 7%, depois, no primeiro ano da governação da AD passou para 6%, agora já vai em 5%. Os acordos de rendimentos já não se aprovam, na concertação social só querem saber de um pacote laboral iníquo”, acusou.
O socialista sustentou ainda que “as descidas do IRS só beneficiam os mais ricos e a classe média está a pagar um aumento de impostos na bomba de gasolina”.
“Aliás, aqui dizem que não aumentam impostos, mas, para Bruxelas, enviam um documento em que dizem que aumentaram o ISP em 700 milhões de euros”, criticou.