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Mais radicais do que o regime iraniano, recusam-se a negociar com os "assassinos" de Khamenei. Quem são os Jebhe-ye Paydari?

Defendem uma "guerra moral" e "abrangente" com o Ocidente e criticam a condução das negociação do país com os EUA, recusando-se a negociar com os "assassinos" do Líder Supremo.

epa12909039 Iranians pass a billboard depicting late Iranian supreme leader Ayatollah Ali Khamenei (L) and his son Iranian supreme leader Ayatollah Mojtaba Khamenei (R) in Tehran, Iran, 23 April 2026. US President Donald Trump announced that the ceasefire between the United States and Iran has been extended.  EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
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Ali e Mojtaba Khamenei, retratados num cartaz em Teerão

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Ali e Mojtaba Khamenei, retratados num cartaz em Teerão

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente

Numa altura em que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão estão num impasse, o regime iraniano tem vivido um aumento da contestação interna. Se a crise económica e a repressão de manifestantes anti-regime marcaram os últimos meses, um outro grupo tem afirmado o seu peso na política e na sociedade iranianas, mas do lado contrário.

Esta fação extremista, mesmo para os padrões ideológicos do regime dos aiatolás, intitula-se Jebhe-ye Paydari — também conhecida como Frente de Estabilidade da Revolução Islâmica — e tem como patrono o atual Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, segundo o site de notícias da oposição iraniana Iran International.

“Guerra moral” contra o Ocidente

O movimento posiciona-se contra uma cedência no programa nuclear iraniano numa negociação com os Estados Unidos, segue uma linha ideológica mais ortodoxa dos valores da Revolução Islâmica de 1979, e pede “vingança” pelas mortes provocadas pelos ataques norte-americanos, frisa a CNN.

O Jebhe-ye Paydari foi fundado em 2011 e teve como líder espiritual Mohammad-Taqi Mesbah-Yazdi, que morreu em 2021. Foi membro da Assembleia de Peritos — órgão responsável pela eleição do Líder Supremo —, onde encabeçou a ala mais conservadora, e criador da Escola de Haghani, na cidade de Qom, um dos principais centros intelectuais do país, onde são formados membros da elite política e religiosa do Irão.

O atual líder espiritual é Mahdi Mirbaqiri, que defende a tese aceleracionista do “fim dos tempos“, através de uma “guerra moral” contra o Ocidente, afirmou em 2019 numa entrevista ao Instituto de Investigação dos Media no Médio Oriente (MEMRI).

“Nunca iremos alcançar a era do reaparecimento [do Imam Oculto] a menos que entremos num combate generalizado — um confronto abrangente que escalará para a luta”, afirmou Mirbaqiri na altura.

Esse combate tem sido feito nas estruturas políticas, onde tem representantes na Assembleia dos Peritos, no Assembleia Consultiva Islâmica — Parlamento —, e nas eleições presidenciais, onde o candidato apoiado pelo partido, Saeed Jalili, obteve o 2.º lugar, em 2024.

Recusa em negociar com os “assassinos” de Khamenei

Outra frente é a da comunicação social, em que o irmão de Jalili, Vahid Jalili, lidera o departamento de cultura da estação estatal IRIB, mas também do site Raja News, afeto ao partido e onde têm sido expostas muitas críticas à atuação do governo iraniano nas negociações com os Estado Unidos.

Numa publicação feita a 3 de maio, os membros da delegação do Irão foram duramente criticados por negociarem com os “assassinos” do antigo Líder Supremo, Ali Khamenei.

“[Trump, Netanyahu e Hegseth] perceberam que, mesmo que martirizem o nosso Imam, ainda haverá pessoas dispostas a negociar, a apertar as mãos a [Steve] Witkoff, [JD] Vance e [Jared] Kushner, a sorrir para os assassinos do nosso Imam mártir e a falar sobre a necessidade de resolver mal-entendidos, solucionar questões passadas e iniciar um novo capítulo nas relações”, declarou o grupo.

O Jebhe-ye Paydari chegou a ter um membro na equipa de negociação, através do deputado Mahmoud Nabavian, mas que se manifestou pouco esperançoso nas conversações e considerou a renegociação do programa nuclear iraniano um “erro estratégico”.

Aliás, o partido não se opõe totalmente a um entendimento com Washington, mas preferem uma “capitulação” dos Estados Unidos para “ditarem” os termos do acordo, disse Mohammad Ali Shabani, editor do site de notícias iraniano Amwaj.media, à CNN.

Ninguém no Irão é contra um acordo“, assegura Shabani, que acrescenta que a discussão é sobre “táticas” e “quem o faz”.

O grupo também tem mobilizado uma geração mais nova de “revolucionários”, fiéis ao regime, mas desiludidos sobre a forma como o poder político iraniano tem lidado com os Estados Unidos. Segundo o investigador Hamidreza Azizi, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, o Jebhe-ye Paydari pretende “capitalizar” as novas gerações “nas ruas”, algo que tem acontecido em protestos contra os bombardeamentos norte-americanos.

“Eles tentam representar-se como a manifestação de uma ideia introduzida por Ali Khamenei [Líder Supremo morto nos ataques norte-americanos, em fevereiro] de criar uma geração de jovens revolucionários piedosos, capazes de levar avante o legado da República Islâmico”, afirmou Azizi à CNN.

No entanto, apesar do poder que detém, o Jebhe-ye Paydari encontra-se politicamente isolado, sublinha Mohammad Ali Shabani à CNN, notando uma aliança invulgar entre conservadores e reformistas nas críticas e na marginalização do partido na sociedade.

“Fazem muito barulho e são vistos como tendo ajudado Israel e os Estados Unidos a retratarem o Irão como enredado numa grande divisão interna, mas os radicais marginais estão a sofrer resistência de todos os lados e tornaram-se cada vez mais isolados”, considera Ali Shabani.

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