Depois da quebra em abril, o Sporting voltou a encontrar o caminho das vitórias já em maio. O quarto mês do ano esteve longe de ser positivo para os leões, que venceram apenas dois dos oito jogos disputados e viram fugir dois objetivos: o título de campeão nacional e a chegada às meias-finais da Liga dos Campeões. Para isso contribuíram os surpreendentes empates frente a AVS e Tondela e a derrota tardia com o Benfica, que até tiveram o condão de atirar os verdes e brancos para o terceiro lugar, fora do acesso às pré-eliminatórias da Champions. Na competição europeia, a derrota em casa frente ao Arsenal acabou por ser determinante nas contas do apuramento, antes de a equipa de Alvalade ter conseguido empatar no Dragão na Taça de Portugal e regressado à final da competição que venceu na época passada.
Terminados os microciclos com jogos de três em três dias, o Sporting respondeu da melhor forma aos resultados negativos e goleou o V. Guimarães em Alvalade (5-1) numa jornada em que o Benfica perdeu em Vila Nova de Famalicão. Nesse sentido, os leões voltaram a alcançar as águias, mas precisavam de ganhar mais um ponto para passarem para o segundo lugar, por conta do confronto direto favorável aos encarnados. Para este jogo, Rui Borges continuava privado de Iván Fresneda, Morten Hjulmand, João Simões e Fotis Ioannidis, e tinha ainda Nuno Santos em dúvida devido a problemas físicos, algo que o treinador confirmou na antevisão à visita a Vila do Conde. Perante todas as condicionantes e o fulgor ofensivo produzido frente aos vimaranenses, perspetivava-se que o onze fosse praticamente o mesmo.
“Acima de tudo, queremos um Sporting exigente. Ainda estamos na luta pelo segundo lugar e temos a final da Taça de Portugal, pelo que essa exigência individual tem de estar sempre presente para conseguirmos vencer o Rio Ave. Vamos defrontar uma equipa que, apesar dos últimos resultados menos positivos, realizou uma segunda volta muito consistente. É uma equipa tranquila, com a manutenção assegurada e que joga sem pressão. Reforçou-se bem no mercado de inverno e é muito física e competitiva. Gostei muito de ver algumas partidas desta segunda volta. Sporting? Estamos a falar de uma equipa que esteve a lutar por todos os objetivos. Já não podemos ser campeões, mas ainda temos a final da Taça de Portugal. O desafio tem sido mantê-los ligados. Existe um desgaste, tanto mental como físico. É difícil garantir o mesmo nível de foco, exigência e intensidade no treino. Neste momento, isso depende muito mais deles do que da minha mensagem”, explicou o transmontano.
Ficha de jogo
↓ Mostrar
↑ Esconder
Rio Ave-Sporting, 1-4
33.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Rio Ave Futebol Clube, em Vila do Conde
Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)
Rio Ave: Cezary Miszta; Marious Vrousai (João Tomé, 63’), Pancho Petrasso, Gustavo Mancha, Nelson Abbey (Omar Richards, 72’); Tamás Nikitscher, Ryan Guilherme, Diogo Bezerra (Antonis Papakanellos, 72’), Dario Spikic (Andreas Ntoi, 72’); Jalen Blesa e Tamble Monteiro (Jakub Brabec, 55’)
Suplentes não utilizados: Ennio van der Gouw; Georgios Liavas, Julien Lomboto e Olinho Pohlmann
Treinador: Sotiris Silaidopoulos
Sporting: Rui Silva; Eduardo Quaresma, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Daniel Bragança (Giorgi Kochorashvili, 82’), Hidemasa Morita (Geovany Quenda, 65’); Luís Guilherme (Geny Catamo, 65’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Eduardo Felicíssimo, 82’); Luis Suárez (Rafael Nel, 90+1’)
Suplentes não utilizados: João Virgínia; Souleymane Faye, Salvador Blopa e Ricardo Mangas
Treinador: Rui Borges
Golos: Bezerra (12’), Suárez (g.p., 35’), Mancha (a.g., 42’), Trincão (66’) e Quenda (90’)
Ação disciplinar: amarelo a Bezerra (13’), Diomande (32’), Suárez (32’), Petrasso (33’ e 52’) e Ryan (83’ e 85’), vermelho a Petrasso (52’) e Ryan (85’)
Com a manutenção no Campeonato Nacional garantida, os vilacondenses têm apenas que cumprir calendário até ao final da época, embora estivessem à procura de voltar às vitórias, algo que não acontecia há quatro jornadas. Nesse sentido, Andreas Ntoi estava de volta depois de ter cumprido castigo no último jogo. “Será um jogo difícil, mas também muito bonito de se jogar. O Sporting é uma equipa muito boa, uma equipa de topo, com muita fluidez no jogo, muita rotação e muitas combinações nas alas e na zona central. Vai ser um jogo em que teremos de estar muito focados e concentrados. Precisamos de defender as movimentações em profundidade do Sporting nas costas da defesa, que considero ser um dos seus melhores aspetos e precisamos de ser inteligentes nesses momentos sem bola, mas também corajosos e confiantes quando tivermos a bola. Acho que a nossa equipa mostrou uma boa evolução nestes últimos dois meses e meio”, afirmou Sotiris Silaidopoulos.
Monday duties ???????? #RAFCSCP pic.twitter.com/klf0LJDRul
— Sporting CP (@SportingCP) May 11, 2026
A pouco mais de uma hora do apito inicial no Estádio dos Arcos, surgiu mais uma dor de cabeça para Rui Borges, que perdeu Zeno Debast devido a uma lesão sofrida num treino em Lisboa e que terá sido sofrida no fémur. Para lá de não voltar a jogar na presente temporada, o belga tem o Campeonato do Mundo em risco, segundo informações avançadas pela equipa do seu país. Nesse sentido, Rui Borges optou por voltar a conceder a titularidade a Ousmane Diomande, que jogou ao lado de Gonçalo Inácio, com Eduardo Quaresma a manter-se na direita, ganhando um novo parceiro de ataque: Luís Guilherme, que rendeu Geny Catamo no onze. Perante os problemas motivados pelas lesões, no banco estiveram Eduardo Felicíssimo, Salvador Blopa e Rafael Nel, que voltaram a subir desde a equipa B. Nuno Santos ficou mesmo de fora. No Rio Ave, Sotiris Sylaidopoulos optou por não colocar Andreas Ntoi no seu onze e manteve a equipa que empatou com o Gil Vicente (0-0), com Ryan Guilherme a manter-se ao lado de Tamás Nikitscher no meio-campo.
Com Evangelos Marinakis, dono da SAD rioavista, e o amigo John Textor a assistir, o jogo começou aberto e com as equipas a aproveitarem o espaço para se organizarem no ataque, com sinal mais para a formação da casa, que começou por desbloquear no corredor esquerdo, com Jalen Blesa a cruzar para o segundo poste, onde o companheiro de ataque Tamble Monteiro apareceu a cabecear para fora quando tinha tudo para fazer melhor (5′). No lance seguinte, Francisco Trincão apareceu entrelinhas e virou o jogo para Pedro Gonçalves com um grande passe, o colega de seleção recebeu, puxou para dentro e desferiu um remate cruzado que saiu perto do poste mais distante (6′). Pouco depois, uma perda de bola de Guilherme a meio-campo originou uma transição rápida do Rio Ave, com Tamble a conduzir e a entregar à direita em Diogo Bezerra que, já dentro da área e na passada, colocou a bola fora do alcance de Rui Silva, abrindo o marcador (12′).
A partir daí, o Sporting continuou com poucas incursões de perigo junto à baliza de Cezary Miszta, mostrando-se lento a desenvolver o seu processo ofensivo. Na parte final da primeira parte, já depois de ter visto o amarelo por simulação, num momento que originou o cartão que tira Diomande da receção ao Gil Vicente, Luis Suárez recebeu a meio-campo e arrancou pela meia-esquerda para a área, acabando por ser empurrado por Pancho Petrasso. Na cobrança do castigo máximo, o colombiano enganou Miszta e empatou o jogo com um remate colocado e rasteiro para a esquerda (35′). Pouco depois, os rioavistas borraram a pintura num lance inofensivo, com Miszta a colocar curto em Gustavo Mancha que, depois de dominar, tentou devolver ao polaco, mas acabou por colocar a bola, de forma incrível, no fundo da sua baliza, completando a reviravolta leonina (42′). O Rio Ave transcendeu-se com a desvantagem e quase empatou logo a seguir, com Rui Silva a negar o golo a Tamble com uma grande defesa com a perna, seguindo-se um corte decisivo de Quaresma em cima da baliza (45+2′). Na última jogada de perigo, Blesa desferiu um grande passe para Dario Spikic que, dentro da área, atirou às malhas laterais (45+4′).
Na etapa complementar, o jogo voltou a abrir e, logo no início, Petrasso viu o segundo cartão amarelo por uma entrada dura sobre Luis Suárez (52′). Sotiris Silaidopoulos teve, então, que refazer a defesa e optou por retirar Tamble Monteiro para lançar Jakub Brabec. A partir daí, o Sporting assumiu totalmente o domínio do jogo e quase fez o terceiro golo num remate forte do cafetero dentro da área (63′). Já com João Tomé, que rendeu Marious Vrousai, Geovany Quenda (saiu Hidemasa Morita) e Geny Catamo (Luís Guilherme) em campo, Francisco Trincão abriu o livro com um golaço: recebeu de Ousmane Diomande na direita, junto à linha, deambulou para o meio e, à entrada da área, fez um remate colocado que entrou junto ao ângulo interior esquerdo. Com o jogo praticamente sentenciado, o grego esgotou as alterações com Omar Richards, Andreas Ntoi e Antonis Papakanellos, que entraram para os lugares de Nelson Abbey, Dario Spikic e Diogo Bezerra.
Na parte final do jogo, Eduardo Felicíssimo e Giorgi Kochorashvili ainda foram chamados para os lugares de Pote e Daniel Bragança, antes de Ryan Guilherme ser expulso com dois amarelos em dois minutos. Logo a seguir, Quenda fez o 4-1 final, num lance em que recuperou a bola no seu meio-campo e apareceu a concluir dentro da área com um remate forte, de baixo para cima (90′). Por fim, Rafael Nel substituiu o avançado colombiano, num jogo que acabou por marcar o regresso do Sporting ao segundo lugar (1-4).
[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]