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Senador Bill Cassidy perde primárias republicanas e torna-se vítima da purga de Trump contra opositores internos

Bill Cassidy, um dos sete republicanos que apoiaram a destituição de Trump em 2021, foi eliminado nas primárias do partido. O Presidente celebrou a derrota e deixou recado a congressista do Kentucky.

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Getty Images

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Há quase uma década que um senador republicano não perdia as eleições internas do partido para se poder recandidatar ao lugar que ocupa. Bill Cassidy, o representante do estado do Louisiana no senado norte-americano quebrou o ciclo, mas pode não ser o único a cair nesta corrida pré-eleições intercalares nos Estados Unidos da América.

Cassidy não perdeu por acaso. Depois de ter sido um de apenas sete membros do partido a votar a favor da condenação do Presidente Donald Trump por alegações de incitar uma insurreição no dia 6 de janeiro de 2021, o senador republicano ficou com um alvo nas costas e, de volta ao poder, o líder do movimento MAGA fez de tudo para evitar a reeleição de um dos seus opositores internos.

As eleições primárias do partido republicano no Louisiana para determinar quem irá disputar o lugar do Senado foram este sábado. Trump, como esperado, não apoiou o senador, e entregou o seu aval à congressista Julia Letlow, a primeira mulher republicana a representar o estado na Câmara dos Representantes dos EUA. Mas para garantir que Cassidy não era mesmo eleito — ou que sequer ficava perto da reeleição — o tesoureiro estadual John Fleming não se demarcou do apoio do movimento MAGA e, assim, conquistou, em conjunto com Letlow, um lugar no “duelo” republicano para ver quem vai a votos para o Senado.

Na noite de sábado, Bill Cassidy mostrou-se desiludido com os resultados e sublinhou que “o país não gira em torno de um indivíduo”, numa mensagem direcionada a Donald Trump. “Trata-se do bem-estar de todos os americanos e da Constituição”, afirmou o senador. O Presidente também reagiu aos resultados das primárias no Louisiana, tecendo fortes elogios à “sua” candidata Julia Letlow, que considera uma “excelente pessoa” e, no futuro, uma “senadora brilhante”. Mas não se poupou nas críticas ao derrotado da noite.

“A sua deslealdade para com o homem que o ajudou a ser eleito já faz parte da lenda, e é bom ver que a sua carreira política chegou ao fim”, escreveu Trump sobre Bill Cassidy, relembrando o voto favorável do senador republicano relativamente à sua destituição, “com base em acusações absurdas que eram falsas na altura e que, hoje em dia, são criminosamente delirantes”. Nesta mensagem publicada na rede social Truth, o Presidente dos EUA agradeceu às “ótimas pessoas do estado do Louisiana” pelo resultado, que descreve como sendo “uma derrota sem precedentes ao nem sequer ter sido autorizado a concorrer nas primárias republicanas”.

Mas Trump não ficou por aqui. Sabendo que os resultados deste sábado evidenciam que o movimento MAGA não perdoa aqueles que se opõem ao Presidente, o líder republicano deixou ainda um aviso a outro dos seus grandes opositores — que também vai a votos esta semana. “Tom Massie, do Kentucky, o pior e menos fiável congressista republicano da história do nosso país, é um insulto ainda maior à nossa nação do que o senador Bill Cassidy, do Louisiana”, escreveu Trump numa outra publicação.

Massie, que tem sido vocal nas suas críticas ao Presidente sobre a falta de transparência em torno do caso Epstein e nas políticas da administração relativamente à guerra no Irão, vai às urnas esta terça-feira para as primárias do partido para ver quem vai representar o quarto distrito congressional do Kentucky na Câmara dos Representantes. Trump já deixou claro que apoia o ex-fuzileiro Ed Gallrein nesta corrida e, ao longo da última noite, reiterou o apelo às massas republicanas para não depositarem as suas confianças no “pior congressista republicano da história”.

“O péssimo congressista Tom Massie votou contra a redução de impostos, o muro na fronteira, as nossas Forças Armadas e as forças de segurança. Na verdade, votou contra quase tudo o que é bom. Kentucky, corram com este parasita na terça-feira. Não podemos tolerar este arruaceiro por mais dois anos. É uma autêntica força negativa!”, escreveu o Presidente esta manhã.

Com a derrota de Bill Cassidy nas primárias republicanas deste sábado, apenas dois membros do partido que votaram pela destituição de Trump em 2021 podem ainda continuar no Senado no próximo ano. Lisa Murkowski, do Alaska, foi reeleita em 2022, pelo que terá o lugar assegurado até 2028. Já Susan Collins, do Maine, poderá ter o seu lugar em risco. O caso de Collins difere dos restantes senadores, uma vez que não se vão realizar primárias no partido republicano e, por isso, terá apenas de disputar o seu lugar contra a concorrência democrata.

Fora isso, os restantes quatro senadores que, em 2021, apoiaram a emenda democrata para o impeachment de Donald Trump após o incidente no Capitólio, em Washington, no dia 6 de janeiro daquele ano, já abandonaram a vida política. Mitt Romney, do Utah, Ben Sasse, do Nebraska, Patrick J. Toomey da Pensilvânia e Richard M. Burr, da Carolina do Norte, optaram por não se recandidatar ao cargo quando o mandato de seis anos chegou ao fim. Cassidy foi o primeiro a cair, mas Trump quer que não seja o único dentro da lista de opositores internos do partido republicano.

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