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"Vergonha nacional". Mergulho de turista na Fontana di Trevi e rixa entre gangues leva a alerta para falta de segurança em pontos turísticos

Mergulho de turista na Fontana di Trevi e rixa entre gangues no monumento reacenderam o debate sobre segurança, controlo e falta de civismo num dos pontos turísticos mais visitados de Itália.

"Não sei como é possível que incidentes graves como estes aconteçam num local tão movimentado e bem vigiado como a Fontana di Trevi”, acrescentou Pattini
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▲"Não sei como é possível que incidentes graves como estes aconteçam num local tão movimentado e bem vigiado como a Fontana di Trevi”, acrescentou Pattini

Mario Roberto Duran Ortiz

▲"Não sei como é possível que incidentes graves como estes aconteçam num local tão movimentado e bem vigiado como a Fontana di Trevi”, acrescentou Pattini

Mario Roberto Duran Ortiz

Um turista neozelandês foi apanhado a mergulhar na Fontana di Trevi, em Roma, na semana passada. O momento — que se espalhou rapidamente nas redes sociais — provocou forte contestação dos cidadãos italianos que viram, uma vez mais, o monumento a ser desrespeitado. No sábado, uma rixa entre dois gangues rivais que provocou três feridos, perto do local, alarmou a população e os turistas que se viram encurralados no “caos” e violência. Moradores exigem multas mais elevadas e reforço da segurança para proteger o Património Mundial, responsabilizando a falta de civismo.

Desde fevereiro que um dos monumentos mais procurados de Roma deixou de ter entrada gratuita, passando a ser obrigatória a aquisição de bilhete, no valor de dois euros. Contudo, o novo sistema não impede que os turistas continuem a abusar do espaço e a desrespeitar as forças policiais.

Ainda na semana passada, um turista neozelandês de 30 anos, acompanhado por um grupo de amigos, decidiu mergulhar na fonte do século XVIII, ainda vestido com calças de ganga, blusa de mangas compridas, meias e sapatos — apesar da vigilância de 24 horas por dia.

O homem terá contornado as barreiras e ignorado as restrições que protegiam a fonte, entrando na água, à frente dos moradores e visitantes incrédulos. Segundo os vídeos, nadou de um lado para o outro na bacia do monumento, ignorando as ordens da polícia para sair da água.

O ato, no entanto, saiu-lhe caro: o turista foi alvo de um daspo urbano — uma medida de interdição que impede o acesso a certas áreas da cidade, de acordo com o Affaritaliani. Acabou por ser multado com uma coima de 500 euros e impedido de regressar ao local.

O mais recente incidente foi uma rixa entre dois gangues rivais italianos que aconteceu no sábado, dia 15 de maio, perto da zona, que levantou um debate sobre as condições de segurança no acesso a pontos turísticos. A briga terá começado por volta das 19h, entre a Via del Lavatore e a Fontana di Trevi, numa aparente disputa territorial por causa do jogo das três conchas ou copos — um típico esquema de burla de rua, em que um objeto é escondido debaixo de uma das conchas/copos, sendo rapidamente misturado, incentivando as pessoas a apostar, numa espécie de jogo da memória.

Durante o confronto, as pessoas procuraram refúgio em bares e cafés, e três pessoas foram levadas para o hospital — dois amigos de 58 anos e um dos homens envolvidos na rixa, noticia o italiano Il Messaggero. Giovanni Pattini, de 24 anos, estava com a mãe e uma amiga, de visita à cidade, quando se viram no meio da violência. Foram arremessados pratos, travessas e garrafas, o que levou à intervenção de seguranças dos bares da Via del Lavatore.

“Estávamos a caminhar em direção à Fontana di Trevi quando fomos encurralados por uma multidão enfurecida. A minha mãe e a sua amiga acabaram no chão. Havia um caos por todo o lado, com turistas a gritar e homens a agredirem-se”, disse Pattini. “Conseguimos chegar a um restaurante que nos acolheu até à chegada das ambulâncias. Foi terrível.”

A briga envolveu pelo menos mais vinte pessoas, umas a tentar impedir os burlões e outras a tentarem defender-se. “Não sei como é possível que incidentes graves como estes aconteçam num local tão movimentado e bem vigiado como a Fontana di Trevi”, acrescentou Pattini.

“Eles não podem fazer o que quiserem em Itália. É uma vergonha nacional”

O vídeo do mergulho tornou-se viral, mas os mais recentes acontecimentos de violência levaram à exigência de multas mais elevadas e até penas de prisão, com o intuito de dissuadir turistas inconvenientes e penalizar a falta de civismo.

Na internet, comentários de indignação e repletos de ironia fizeram-se ouvir: “500 euros é troco”, escreveu uma mulher no Facebook, citada pelo The New York Times, sobre a coima aplicada ao neozelandês. Outra pessoa disse: “Eles pensam que podem fazer o que quiserem em Itália. A multa deveria ser de 5.000 euros”. “Prisão imediata e libertação sob fiança”, disse uma terceira. “Se não pagar, não deve sair.”

Roma tem lidado com inúmeros incidentes semelhantes: banhos em fontes, vandalismo, escaladas em monumentos, graffiti e gestos com o objetivo de ganhar visibilidade nas redes sociais. O fascínio pela Fontana di Trevi atrai milhares de pessoas todos os dias, expondo-a cada vez mais a comportamentos irresponsáveis.

“Com toda a força policial da zona, é uma vergonha nacional. As palavras ‘controlo territorial’, ‘ordem pública’ e ‘segurança’ não significam nada. Não temos meios para deter dois ou três gangues de vigaristas, mendigos ou qualquer outro indivíduo que cometa crimes livremente”, lê-se num comentário publicado no Facebook.

Atualmente, os turistas são obrigados a pagar uma taxa para chegar à borda da Fontana di Trevi. Nos primeiros três meses de funcionamento, quase 660 mil pessoas pagaram para visitar a fonte, gerando mais de 1,3 milhões de euros em receitas para a cidade.

Roberto Gualtieri, presidente da Câmara de Roma, não comentou a rixa ou as críticas relativamente à falta de segurança, mas já tinha considerado o sistema de bilhetes um sucesso.

Concluído em 1762, o Património Mundial da UNESCO ocupa um dos lados do Palazzo Poli, no centro histórico da capital italiana. O monumento recebe entre 10 mil e 12 mil visitantes por dia, mas entre empurrões para as melhores selfies e alguns pedidos de casamento, a tradição mantém-se: três moedas são atiradas de costas, na esperança de concretizar um (ou mais) desejos.

A história da fonte dos desejos de Roma, agora renovada

Texto editado por Dulce Neto

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