Quem passou por janeiro e fevereiro dificilmente acreditaria que este dia de maio acabaria por chegar. Esta quinta-feira, na última jornada do Campeonato da Arábia Saudita, o Al Nassr goleou o Damac e sagrou-se campeão sete anos depois da última vez, com Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo e João Félix a celebrarem aquilo que os fez viajar para Riade. A temporada, contudo, esteve longe de ser fácil.
Ronaldo quis muito, Jesus sonhou sempre, a obra acabou por nascer: Al Nassr é campeão
Se é certo que o Al Nassr dominou durante a primeira volta da época, demonstrando um crescimento claro face aos últimos anos que só pode ser atribuído ao trabalho de Jorge Jesus, também é certo que a entrada em 2026 foi complexa. Em janeiro, a equipa somou três derrotas consecutivas, somando quatro jogos seguidos sem ganhar, perdeu a liderança para o Al Hilal e entrou numa fase de absoluta falta de confiança. No início de fevereiro, porém, tudo ficaria ainda pior.
A dada altura e num momento que quase causou estupefação, Cristiano Ronaldo decidiu fazer greve. Falhou três jogos, aparentemente em protesto com o que considerava ser um alegado favorecimento do Al Hilal por parte do Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita que detém os principais clubes do país, mas também numa demonstração de força face aos salários em atraso dentro do próprio Al Nassr. Os adeptos apoiaram-no, Jorge Jesus e os jogadores juntaram-se ao blackout e não falaram à comunicação social durante mais de uma semana, e Ronaldo só voltou quando tudo estava aparentemente resolvido.
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LA SORTIE DE CRISTIANO RONALDO ????
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A partir daí existiu uma clara mudança de ambiente, atitude e motivação. O Al Nassr lançou-se para uma segunda volta quase perfeita, recuperou a liderança e nem a escorregadela da semana passada, em que um erro de Bento desperdiçou a vitória e adiou a conquista do Campeonato, impediu a equipa de alcançar um troféu que escapava desde 2018/19, há sete anos, quando Rui Vitória era o treinador dos sauditas.
Esta quinta-feira, o Al Nassr não permitiu grandes ansiedades e goleou o Damac, com Cristiano Ronaldo a marcar dois dos quatro golos para chegar aos 973 na carreira. Depois de bisar, o avançado português não evitou as lágrimas e chorou copiosamente em campo, apontando para o local na bancada em que estavam Georgina Rodríguez e os filhos do casal. Saiu já dentro dos últimos dez minutos, distribuindo abraços a todos os colegas de equipa enquanto era ovacionado pelos adeptos e beijava o símbolo do clube na camisola.
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Depois do apito final, tal como Jorge Jesus e João Félix, envolveu-se numa bandeira de Portugal e foi naturalmente o homem mais procurado dos festejos, entre selfies, muitos abraços, o sempre presente “vamos!” e até um momento em que assumiu a liderança da claque de tambor na mão. Mais de meia-hora depois do jogo terminar, o Alawwal Park recebeu o momento mais esperado: Cristiano Ronaldo, cerca de três anos e meio depois de chegar à Arábia Saudita, sagrou-se finalmente campeão nacional e levantou o troféu.
Em declarações à SportTV, Jorge Jesus confirmou que vai deixar o Al Nassr, não definiu o próximo destino e só deixou uma garantia: não será o Benfica. “Está fora de questão. Quando aceitei este desafio, quando o Cristiano Ronaldo e [José] Semedo me convidaram, sabia que seria o desafio mais difícil da minha carreira de treinador. Para vencermos este Campeonato teríamos de ser muito melhores do que os nossos adversários. E disse ao Cris que ia ajudá-lo a ser campeão e depois ia à minha vida. Ganhei em Portugal, no Brasil, no Fenerbahçe, no Al Hilal… O único país onde não foi campeão foi no Fenerbahçe. Se calhar tenho uma história para acabar no Fenerbahçe, é uma das possibilidades. Vou pensar. Vou a Portugal passar uns dias de férias, depois penso ir para o Brasil passar uns dias, ver os meus amigos. Para o ano logo vemos onde vou cair”, disse o treinador português.
“Quando falei com o Cristiano Ronaldo, no princípio, convidaram-me a fazer um contrato de dois anos, mas eu só queria fazer um ano. É o que faço sempre nos clubes onde estou. Foi um Campeonato muito duro, é preciso tomar decisões, muitas das vezes dando o corpo às balas e é um desgaste muito grande. Foi um ano maravilhoso, tenho de desfrutar noutro lado”, acrescentou, sendo ainda questionado sobre a possibilidade de Pep Guardiola, que está de saída do Manchester City, ser o seu sucessor no Al Nassr. “Orgulho? Não… Porquê? Ele é que tem de ter orgulho de me substituir a mim, não eu por ele”, terminou.
A turma portuguesa que conquistou a Arábia ????????????#sporttvportugal #SAUDInaSPORTTV #LigaSaudita #AlNassr #Damac pic.twitter.com/xKrlpZVn7O
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AÍ ESTÁ O 11º TÍTULO SAUDITA PARA O AL-NASSR ????#sporttvportugal #SAUDInaSPORTTV #LigaSaudita #AlNassr #Damac pic.twitter.com/Ln7uki8YWO
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