A justiça espanhola bloqueou as contas bancárias do ex-primeiro-ministro de Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, uma decisão tomada durante a fase de instrução do processo, de acordo com o El Mundo.
O congelamento das contas bancárias do antigo chefe de governo espanhol estabelece um limite de 490 mil euros, o exato valor que o socialista terá recebido ilegalmente da Análisis Relevante, a empresa de consultoria fundada em fevereiro de 2020 por Julio Martínez Martínez, que era o seu acionista maioritário, à qual Zapatero prestou serviços de consultoria. As suas filhas foram também contratadas pela mesma empresa para prestar serviços de marketing através da firma de que são sócias, a Wha The Fav.
O antigo chefe de Governo é suspeito dos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro — suspeitando-se que tenha recebido pagamentos através da Análisis Relevante — e vai depor no dia 2 de junho. O juiz espanhol responsável pelo caso já tinha ordenado buscas ao principal escritório oficial de Zapatero e à empresa das suas filhas Laura e Alba, que teria sido favorecida no pagamento das supostas comissões ilegais.
O caso no centro da investigação a Zapatero gira em torno do resgate financeiro da companhia aérea Plus Ultra, no valor de 53 milhões de euros, concedido pelo governo de Pedro Sánchez, e do alegado pagamento de subornos relacionados com essa operação multimilionária através da prestação de serviços de consultoria.
Foram ainda congeladas contas de outras empresas investigadas no âmbito do mesmo caso. Na acusação, cita o El Mundo, o magistrado identificou Zapatero como o suposto líder de “uma estrutura estável e hierárquica de tráfico de influência” cujo objetivo é “obter benefícios económicos por meio da intermediação e do exercício de influência perante órgãos públicos em favor de terceiros, principalmente a Plus Ultra”.
Segundo o magistrado, esse esquema corrupto utilizava empresas de fachada, documentos falsificados e canais financeiros obscuros “para exercer influência ilícita, ocultar a origem e o destino dos fundos e obter benefícios económicos para terceiros e para a própria rede”.
As comunicações interceptadas revelam que a rede operava “tanto em Espanha como no exterior, mantendo contactos com autoridades e operadores económicos na Venezuela, China, Emirados Árabes Unidos e outros países, com o objetivo de influenciar decisões administrativas ou facilitar operações comerciais de grande escala”.
“Nunca recebi nenhuma comissão da empresa. Julio Martínez, na qualidade de acionista maioritário, propôs que eu fosse consultor, e eu sugeri que as minhas filhas também participassem”, defendeu Zapatero, citado também pelo El Mundo.
Há dois meses, Zapatero compareceu no Senado espanhol, a pedido do Partido Popular (PP), para esclarecer a comissão de inquérito ao “Caso Koldo” sobre a sua relação com um empresário de Alicante. Julio Martínez Martínez tinha sido detido em dezembro de 2025, no âmbito de uma investigação da Unidade de Crimes Económicos e Fiscais (UDEF) a uma companhia aérea venezuelana, a Plus Ultra. Perante os deputados, Zapatero negou qualquer envolvimento ou sequer conhecimento de esquemas fraudulentos perpetrados por Martínez.
A justiça suspeita que Zapatero e as duas filhas receberam 1,95 milhões de euros em comissões, de forma irregular, neste caso.