Quatro estudantes de 16 anos foram detidos no Japão sob suspeita do assassinato de uma mulher sexagenária com múltiplos golpes de faca desferidos na própria casa. O ataque, que também provocou ferimentos nos dois filhos da vítima de 69 anos, ocorreu na sequência de um assalto, que as autoridades desconfiam estar relacionado com as organizações criminosas tokuryu, em expansão no país. Um casal com menos de 30 anos também foi detido por suspeitas de envolvimento e coação dos homicidas.
A 70 quilómetros a norte de Tóquio, capital de um dos países mais seguros do mundo, a cidade agrícola de Kaminokawa foi o cenário do crime extremamente violento. Eiko Tomiyama foi encontrada pelas autoridades na passada quinta-feira com mais de 20 golpes no peito, na propriedade onde cultivava morangos e raiz de bardana (planta muito utilizada na culinária asiática).
Os quatro jovens suspeitos do crime terão sido alegadamente coagidos a praticar o assalto por um casal de Yokohama, cidade a 160 quilómetros de distância. Terão invadido a casa da idosa por volta das 9h30 da manhã, de onde fugiram depois de supostamente a esfaquearem. A polícia foi contactada pelo marido de Tomiyama e acabou por deter os adolescentes, originários de Kanagawa, a 130 quilómetros do local do crime. Ainda não foi apurada a razão que os terá levado a escolher a vítima.
O casal detido é suspeito de ter fornecido instruções sobre a realização do assalto, mesmo antes de conhecer pessoalmente o grupo de jovens recrutados. Segundo o canal de televisão japonês NHK, os adolescentes sofreram ameaças dirigidas às respetivas famílias, o que sugere uma provável ligação entre o sucedido e os grupos tokuryu, frequentemente envolvidos em casos parecidos.
Sem hierarquia fixa e delimitação geográfica, estas organizações criminosas mobilizam aplicações digitais para mascarar esquemas ilícitos. Nas plataformas, ofertas de emprego falsas e muito lucrativas promovem o recrutamento de jovens, forçados a praticar crimes por via de ameaças à vida de parentes e amigos próximos. A agência nacional da polícia comunicou ter agido sobre mais de 12.000 pessoas envolvidas na atividade ilegal dos grupos só no ano passado. Na mesma nota, referiu que 38% dos visados pertenciam à faixa etária dos 20 aos 29 anos e 11% tinham idades inferiores a 20.
Na sequência do crime, um alto dirigente japonês admitiu que a erradicação dos grupos tokuryu é uma das prioridades da primeira-ministra Sanae Takaichi. “Este governo está a trabalhar como um todo para dar resposta ao problema”, reconheceu numa conferência de imprensa. “Estamos a tentar erradicá-lo, e vamos continuar a fortalecer as medidas” que visam esse objetivo.
O caso, que chocou a população japonesa, colocou a moralidade dos jovens e a influência da internet no centro de debate nacional.