A Renault reformulou o Megane E-Tech, o seu eléctrico do segmento C que lançou em 2022. Um restyling após quatro anos de vida não é propriamente uma surpresa no mundo automóvel, mas esta renovação foi algo mais do que uma mera alteração estética. Num sector tão dinâmico quanto o dos veículos eléctricos, parar é morrer, pelo que é continuamente necessário reforçar a autonomia e a rapidez de recarga para se manter competitivo.
O novo Megane, que chegará ao mercado no último trimestre de 2026 (Model Year 2027), surge com uma estética diferente, da grelha aos faróis, passando pelos pára-choques. O frontal exibe uma nova assinatura luminosa mais vertical, que torna o modelo mais musculado e lhe dá um ar um pouco mais de crossover do que meramente uma berlina, indo ao encontro do desejo dos clientes.
De fita métrica em punho, o Megane continua a ser o mesmo carro, com 4,2 metros de comprimento e 2,685 m de distância entre eixos, com a largura a crescer 14 cm por razões estéticas e a altura a aumentar 17 cm devido ao uso de jantes e pneus de maior diâmetro. Curiosamente, a Renault não mexeu nas motorizações, mantendo o motor com 218 cv, bem como a velocidade máxima auto-limitada a 160 km/h para conservar energia, enquanto a capacidade de aceleração de 0-100 km/h cai de 7,4 para 7,6 segundos, porque a bateria eleva o peso do modelo em 128 kg.
O grande trunfo do renovado Megane E-Tech, além da estética, é a sua bateria, que agora aumenta de capacidade e muda de química. O novo Mégane E-Tech, que até aqui era proposto com acumuladores com 40 e 60 kWh de capacidade, recorrendo sempre à química NMC (níquel, manganês, cobalto), para a versão de 2027 parece abrir mão da bateria de 40 kWh, até para não concorrer directamente com os B-SUV como o R4 E-Tech, concentrando-se apenas na bateria com mais energia armazenada.
A nova bateria tem 67 kWh de capacidade útil, em vez dos anteriores 60 kWh, um incremento de 11,7% que eleva a autonomia dos anteriores 468 km para uns simbólicos 500 km entre visitas aos postos de carga, o que constitui um bom argumento quando os clientes querem ir mais longe entre carregamentos. O novo Megane E-Tech oferece mais 6,8% de autonomia com mais 11,7% de energia, o que certamente decorre do facto de ser mais pesado, como já atrás referido.
O peso superior deve-se à troca da química NMC das baterias anteriores pelas novas LFP (fosfato de ferro-lítio), que possuem menos densidade energética (são maiores e mais pesadas para a mesma capacidade) e que são também mais pesadas. Contudo, são substancialmente mais baratas de fabricar e, como se isto não bastasse, são muito mais seguras, não começando a arder espontaneamente em caso de deficiência de fabrico ou perante um acidente violento que cause fuga de electrólito.
O novo Megane E-Tech de 2027 vai surgir no mercado com um motor instalado à frente com 218 cv e uma bateria de 67 kWh, capaz de o manter em movimento durante 500 km, segundo o método europeu WLTP. Tão importante quanto este ganho, o representante da Renault no segmento C dos eléctricos é capaz de recarregar a uma potência de 165 kW em corrente contínua (superior aos anteriores 130 kW), permitindo ir de 15% de carga a 80% em apenas 24 minutos, o que significa menos 25% do tempo necessário para recarregar face ao Mégane de 2022.