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Suzanne Huurman, única médica-chefe no Mundial. "Ouvi mil vezes na minha carreira: 'Como mulher, não podes estar aqui'"

A única médica-chefe neste Mundial de futebol já passou por clubes como o PSV e o Real Madrid. Agora, lidera o departamento médico da seleção de Curaçau, a nação mais pequena da competição.

Suzanne Huurman
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▲Segundo Suzanne, partilhar a sua história é essencial para derrubar os preconceitos que ainda existem no desporto

Instagram de Suzanne Huurman

▲Segundo Suzanne, partilhar a sua história é essencial para derrubar os preconceitos que ainda existem no desporto

Instagram de Suzanne Huurman

Sem saber o que queria fazer aos 16 anos, Suzanne Huurman aproveitou as boas notas para entrar em medicina nos Países Baixos, apenas para ver no que dava. Esta escolha ao acaso acabou por desencadear um percurso impressionante que a levou ao PSV, ao Real Madrid, aos Jogos Olímpicos e a um marco histórico: ser a única mulher à frente dos serviços médicos de uma seleção neste Mundial.

O futebol entrou na sua vida por convite de um colega, que lhe ofereceu um cargo no clube Go Ahead Eagles. “Nunca imaginei que trabalharia com futebol, mas resolvemos tentar. E tudo aconteceu muito rápido. Depois do primeiro ano, fui promovida a chefe do departamento médico”, contou à Marca.

Em pouco tempo, seguiu-se o PSV e, mais tarde, o Real Madrid. “Chamaram-me para ajudar a preparar a área médica da equipa feminina, porque na época eles não tinham uma”. Em 2020, quando a equipa foi totalmente integrada, o clube contratou-a para trabalhar lá. “Para mim, é o melhor clube do mundo. Aprendi muito. Tínhamos todos os recursos que queríamos usar. Uma máquina de ressonância magnética mesmo ao lado do campo… Isso é um sonho na Medicina Desportiva”, explicou.

Mais tarde, conseguiu uma posição na equipa dos homens. No entanto, Suzanne recordou ter ouvido dezenas de vezes: “Como mulher, não podes estar na equipa principal masculina“. Longe de se deixar abalar, adotou uma postura prática: “Sempre tentei dar o meu melhor todos os dias. Se eu percebesse que não ia alcançar a posição que desejava em algum lugar, pensava: ‘Este não é o lugar para mim’. Existem mil outros lugares. Vou procurar outra oportunidade”.

Foi assim que chegou à seleção de Curaçau. O médico anterior da equipa contactou-a para ter ajuda com os exames médicos exigidos pela FIFA. Mas a situação mudou abruptamente. “O médico não pôde continuar porque a sua filha estava com uma doença muito grave. Ele disse-me que precisava de ficar com ela. Então, ele e o outro médico recomendaram-me para cuidar de tudo relacionado à seleção nacional”. Suzanne não hesitou e assumiu o desafio de liderar a saúde da nação mais pequena de sempre a jogar num Mundial, com apenas 150 mil habitantes.

Suzanne Huurman Instagram de Suzanne Huurman

Suzanne Huurman tem orgulho em poder ajudar os jogadores na maior competição de futebol no mundo

A dimensão do seu feito só se tornou clara numa reunião da FIFA em Atlanta, quando lhe deram os parabéns por ser a única mulher entre os 48 médicos-chefes do torneio. Habituada a trabalhar rodeada de homens, Suzanne confessou que nem tinha reparado: “É tão normal para mim…”.

Suzanne Huurman Instagram de Suzanne Huurman

Além de ser a única médica-chefe no Mundial, Suzanne Huurman é a única mulher na equipa da seleção de Curaçau

Ao partilhar o seu percurso, a médica recusa o papel de protagonista, preferindo usar a sua voz para inspirar a próxima geração. “Espero que as jovens médicas que estão a estudar vejam que é possível alcançar o emprego dos seus sonhos“, afirmou.

Segundo Suzanne, contar estas histórias é essencial para derrubar os preconceitos que ainda existem no desporto. A inclusão de árbitras no Mundial já foi um avanço, mas a médica alertou que falta haver treinadoras também.

Sobre o futuro, ainda não há planos definidos. “Nunca tive um próximo sonho. Sempre vivi o momento. Recebi ligações do Go Ahead Eagles, PSV, Real Madrid, FIFA, Curaçau, Comité Olímpico… Nunca me candidatei a nada. Faço o que amo, sei que o faço bem porque me dedico ao máximo todos os dias, e veremos o que vem a seguir”, contou.

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