Sebastião Bugalho estreou-se esta segunda-feira publicamente nas funções de porta-voz do PSD com um exercício de tiro ao PS. A partir da sede do PSD, o também vice-presidente do partido responsabilizou o Governo de Costa pelo aumento da população estrangeira e anunciou que os sociais-democratas vão chamar ao Parlamento ex-ministros do PS para responderem pela “política migratória desregrada”, incluindo o secretário-geral do PS e ex-ministro da Administração, José Luís Carneiro.
O porta-voz do PSD começou por dizer que “é inequívoca a relação entre a política migratória e os números tornados públicos nestes dias.” Para Bugalho é “claro que o seu efeito ultrapassa a questão setorial, tendo afetado e camuflado o rendimento per capita então apurado e o mercado da habitação”.
O PSD responsabiliza por completo o Governo de António Costa e quer que esse Executivo responda pelo aumento da população estrangeira de 7 para 14% e o consequente aumento dos residentes em Portugal. Bugalho anuncia, nessa mesma linha, que o PSD “por via do seu grupo parlamentar, irá promover um conjunto de audições, que obrigará os governantes do PS a responder a questões como: “O Governo então em funções agiu com conhecimento ou sem conhecimento do aumento populacional agora tornado público?; “Que políticas públicas desse Governo foram projetadas ou condicionadas por esse aumento populacional fruto da política migratória desregrada desse governo?”
Sem dizer concretamente os nomes dos ministros que pretende chamar, o porta-voz do PSD adverte que a culpa pelo aumento desregrado da imigração é “absolutamente transversal a várias áreas da governação” e por isso “certamente não chamaremos apenas um ex-governante”. Questionado diretamente sobre se iria chamar José Luís Carneiro, Bugalho diz que “o atual secretário-geral do PS tem responsabilidades não só na extinção do SEF, como pelo facto de ter sido titular da pasta da Administração Interna diretamente relacionada com a política migratória, como até antes tinha responsabilidades sobre a rede consular”. Portanto, parece-lhe “natural que José Luís Carneiro seja chamado a prestar esclarecimentos, mas essa calendarização será anunciada pelo líder parlamentar, Hugo Soares”.
Bugalho desresponsabiliza as falhas nos serviços públicos desde que o Governo da AD tomou posse, destacando que um “trabalho de um Governo é responder e antecipar as necessidades do país”, mas “sem números fiáveis é impossível garantir que o SNS responde a quem deve responder, que a escola pública é funcional que deve ser, ou que a política económica tem enquadramento com o mercado do trabalho.”
O porta-voz do PSD diz que “com estes dados fica claro que a necessidade de devolver regras ao sistema migratório era uma evidência.” E acrescenta: “Este Governo em 2024 acabou com a política de manifestação de interesses, criou a UEF da PSP, uma estrutura de missão que resolveu processos pendentes, não para agradar a ninguém, como se disse, mas para responder à crise que outros nos deixaram.”
Sebastião Bugalho insistiria também que aquela conferência de imprensa não é para defender que existe “imigração a mais”, mas que houve “regras a menos”. O vice-presidente do PSD deixa ainda uma promessa: a de que “os portugueses saibam aquilo que aconteceu na primeira metade desta década enquanto o PSD tiver responsabilidades na governação do país.”
Bugalho responde a críticos e admite que fundo soberano pode não encaixar na ideologia do PSD nos últimos 50 anos
Sobre as novas funções, Sebastião Bugalho diz que tem “notado, até com algum fair play democrático que as mesmas pessoas que diziam que eu seria um mau eurodeputado por estar sempre em Portugal, são as mesmas pessoas que dizem que eu vou ser um mau porta-voz porque estou sempre em Bruxelas”.
O vice-presidente do PSD diz que “nos últimos dois anos” percorreu “mais de 73 mil quilómetros ao serviço do meu partido” e que “só nas autárquicas” esteve “presente em 98 concelhos e 117 iniciativas”, assim “como presente na volta da campanha das legislativas de 2025 e nas presidenciais de 2026”. E que, “apesar disso”, tem “uma taxa de presença no Parlamento Europeu superior a 94%, portanto já provei, mais do que uma vez, que compatibilizar o trabalho em Portugal com o trabalho europeu, não só é possível como desejável”.
Sobre o fundo soberano, anunciado por Luís Montenegro no Congresso, Bugalho diz que é uma “iniciativa valiosa e preciosa para responder aos tempos que aí vêm”, que “são necessariamente diferentes daqueles que marcaram Governos da nossa área política nos últimos 50 anos”.
O porta-voz do PSD admite que podem ser estranhas algumas das medidas tendo em conta o posicionamento ideológico do partido: “Compreendo que muitas das propostas de políticas do Governo e do partido para marcar a projeção destas décadas serão, por vezes, até contrastantes com a marca ideológica que definiu o PSD nos últimos 50 anos, mas é preciso explicar com paciência e pedagogia, que isso tem a ver com a velocidade com que os tempos estão a mudar.”