A Câmara de Lisboa refutou esta terça-feira a acusação do PCP de prevalecerem interesses privados no Jardim da Estrela, após instalação de um restaurante de luxo, e revelou que as casas de banho públicas e o coreto vão ser intervencionados.
O PCP na Assembleia Municipal de Lisboa afirmou que a transformação da antiga cafetaria de apoio no Jardim da Estrela num restaurante de luxo, o Estrela by Olivier, “é um murro no estômago da comunidade” porque os moradores “não querem, nem precisam de um espaço exclusivo, que sequestra a envolvência com grades, contentores e ruído”.
“Temos a confirmação que há fortes indícios de ilegalidades urbanísticas nesta obra”, disse o deputado do PCP João Carlos Pereira, referindo que o pavimento do Jardim da Estrela está a ser danificado por cargas e descargas de carrinhos industriais.
Além disso, o deputado comunista denunciou que “o direito ao sossego e ao lazer dos cidadãos foi trocado pelos interesses privados”, acusando o executivo liderado por PSD/CDS-PP/IL e afirmando que “a hipocrisia atinge o auge no tratamento do património”.
“Enquanto as obras do restaurante privado avançam à velocidade da luz, o histórico coreto da Estrela definha, está vedado, abandonado e vandalizado. A requalificação recente da Câmara Municipal foi uma ilusão. O coreto ficou de fora e foi deliberadamente abandonado”, expôs.
Em representação da liderança PSD/CDS-PP/IL, a vereadora de Espaços Verdes, Joana Baptista (independente eleita pelo PSD), assegurou que o interesse público é o que prevalece na cidade, com “a consciência também de uma dinâmica privada que [a câmara] alimenta no sentido de corresponder às expectativas de um jardim que só pode ser a excelência da cidade”.
“Passámos de uma situação em que não tínhamos rigorosamente nada para oferecer no Jardim da Estrela, em que temos um jardim que todos os dias tem uma carga de milhares de pessoas, milhares de pessoas se dirigem àquele jardim para usufruírem de um refúgio climático, […], portanto, passámos de uma situação de incúria, de desleixo e abandono para reabilitação urbana”, declarou Joana Baptista.
Sobre o coreto do Jardim da Estrela, a autarca assegurou que “nada está abandonado”, adiantando que a câmara tem um projeto de execução para intervir nesta estrutura, que está em “fase de revisão” e que implica um investimento de “quase um milhão de euros”, que será incluído no próximo orçamento municipal.
O PCP denunciou ainda que as casas de banho públicas deste jardim “estão degradadas, reforçando a crítica de que, no entanto, “para o negócio privado há sempre tapete vermelho”.
Em resposta, Joana Baptista adiantou que as casas de banho, que neste momento estão fechadas, vão ser intervencionadas “muito em breve”, referindo que é uma obra que está sob a responsabilidade da Junta de Freguesia da Estrela.
Inaugurado no século XIX, o Jardim da Estrela encontra-se em processo de classificação como jardim histórico nacional.