A mulher do chefe do Governo espanhol recebeu um convite para estar presente na cimeira da NATO, que começou esta segunda-feira. No entanto, a companheira de Pedro Sánchez não acompanhará o marido. Com o passaporte confiscado em consequência do processo judicial em que está a ser investigada, Begoña Gómez ficará em Espanha.
Dado que uma das medidas de coação era a entrega do passaporte, Begoña Gómez pediu autorização ao juiz Juan Carlos Peinado para acompanhar Pedro Sánchez. O magistrado está de férias e delegou a Antonio Viejo a decisão.
Antonio Viejo considerou que o convite endereçado a Begoña Gómez era apenas uma “cortesia institucional” e a mulher de Pedro Sánchez não desempenha qualquer “papel ativo” na cimeira da NATO. Além disso, o juiz argumentou que a Turquia não faz parte da União Europeia (UE). “Não pertence ao espaço de liberdade, segurança e justiça da UE, no qual a cooperação policial e judicial em assuntos penais se vê facilitada pela sua estrutura institucional.”
Ainda assim, o mesmo juiz permitiu que a mulher do chefe do Governo espanhol viajasse para Londres esta semana, para assistir ao evento que marca a graduação da filha. Antonio Viejo sublinhou a “boa cooperação judicial entre Espanha e o Reino Unido, inclusivamente depois do Brexit, assim como pela natureza do evento a que pretende assistir”.
Segundo indica a agência EFE, na chegada a Ancara, a delegação turca responsável pela logística da cimeira da NATO tinha-se preparado para receber Begoña Gómez, havendo duas pessoas com dois ramos de flores, que ficaram para Pedro Sánchez.
Em reação, o Governo espanhol deixou duras críticas à decisão judicial. O ministro da Presidência, Justiça e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, defendeu esta terça-feira que “nem o Reino Unido nem a Turquia são parte do espaço europeu de segurança, liberdade e justiça, se bem que ambos os países mantêm uma cooperação policial e judicial extraordinária”.
Na mesma linha, Félix Bolaños frisou que existe “zero risco” de Begoña Gómez “fugir à Justiça”, porque está “rodeada em todo o momento de polícias nacionais”.
Em contrapartida, o líder da oposição e presidente do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, sublinhou esta sexta-feira que é um “custo na reputação de Espanha”. “Hoje os 1,1 milhões de cidadãos que estão debaixo do guarda-chuva da NATO, os seus primeiros-ministros, todos vão saber que a mulher do chefe do Governo espanhol não pôde viajar, porque lhe retiraram o passaporte no seu país”, apontou, defendendo que Espanha “não se pode habituar a isso”.