Depois da reunião entre a Presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, e a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na tarde desta quinta-feira, ficou definido o plano de ação para enfrentar o problema de cortes de água no concelho. Parte da solução passa por abrir novos furos, como a autarca já havia mencionado num vídeo partilhado nas redes sociais — mas agora a ministra confirma que a Agência Portuguesa do Ambiente vai “licenciar de imediato” as construções. O primeiro furo já deve entrar em funcionamento no próximo fim de semana, aumentando a oferta em 20%, mas o segundo, que deve “suprir a quantidade de água necessária”, segundo a ministra, deve demorar ainda “duas a três semanas”.
Aos jornalistas, Maria da Graça Carvalho admitiu que os cortes se devem ao “aumento inesperado do consumo”. “Neste momento em Almada há um consumo de 300 litros por dia por habitante. A média em Portugal é 180 litros por dia por habitante. É praticamente o dobro. Houve um aumento nestes seis meses de 4,3%, em certas áreas aqui de Almada de 15%”, assinalou, afirmando que o primeiro ponto no plano de ação é “a necessidade de estabilizar o sistema e de todos terem consciência e reduzirem os consumos não essenciais“.
A ministra então falou sobre a necessidade de “aumentar as fontes de água”. “A Câmara já tem um furo que vai entrar até o fim de semana que vai aumentar cerca de 20% as fontes de água. E já foi identificado um outro furo, esse sim muito grande, que vai praticamente suprir a quantidade de água necessária”, assinalou, destacando que “é preciso continuar a poupar, porque a água é um bem escasso.” Maria da Graça Carvalho esclareceu que “esse segundo furo está em processo de licenciamento e a Agência Portuguesa do Ambiente garante que vai licenciar de imediato”, afirmando que o pedido de autorização chegou “esta manhã” à APA. “Duas a três semanas” é o tempo apontado pela ministra para a construção e para “voltar aos níveis necessários”. O custo será de entre 15 mil e 20 mil euros. “O custo é relativamente baixo para os problemas que causa”, afirmou a ministra. “É muito mais o localizar o furo, ter todas as autorizações para o furo e é aí que o Governo vai fazer tudo e a APA para licenciar de imediato”, disse ainda, sem querer apontar um prazo para o fim dos problemas. “As medidas já estão a ser feitas para estabilizar o sistema. Todos os dias vai melhorar“.
Inês de Medeiros: “Desde maio que estamos a trabalhar neste problema com toda a consciência”
Na sequência, Inês de Medeiros falou aos jornalistas, destacando que a reunião foi importante para “dar a perceber que independentemente das projeções que poderíamos fazer, estamos de facto perante um aumento muitíssimo substancial e imprevisível“. A autarca afirmou que o problema não se deu devido a ruturas, “até porque nós reduzimos muito significativamente o número de ruturas. No ano passado tivemos 54 ruturas importantes, estamos em julho e só tivemos 14”, disse, assumindo, entretanto, que a percentagem entre água perdida e água não cobrada, de 35%, ainda é muito alta. “Há vários fatores que podem contribuir para isso. Por um lado o aumento da população, mas também não só da população residente mas a população que utiliza a Costa ou vem para a Costa no período de verão. O maior pico é sempre na segunda quinzena de julho. E começou este ano em maio. Isto é uma das grandes razões, que não era previsível”, diz.
Entretanto, a Presidente da Câmara Municipal de Almada rejeita que os problemas sejam causados por roubos no sistema de abastecimento de água. “Haverá certamente puxadas ilegais”, considera, destacando: “As razões dos problemas do abastecimento da água no ano passado não são de todo as mesmas que temos neste ano. O ano passado tivemos de facto muito roubo de água e o colapso de grandes infraestruturas, e foi possível resolver arranjando e controlando melhor estes desvios de água. É muito importante que as pessoas saibam que as zonas mais críticas e mais pobres do nosso concelho reduziram o consumo de água. Neste momento os maiores consumos estão de facto nas zonas mais usadas durante o verão, que é na Costa da Caparica, na Charneca e na Sobreda“. Inês de Medeiros disse ainda que “é a zona onde tem havido mais construção”, não excluindo a possibilidade de que a perda de água “se deva à flexibilização que foi imposta aos municípios referente às regras de licenciamento.”
Por fim, confrontada pelos jornalistas, a autarca afirmou: “Nunca fujo da população”. “Permitam-me dizer que desde maio que estamos a trabalhar neste problema com toda a consciência”, defendeu-se. “Não há nenhuma zona do concelho que tenha estado sem água mais de 24 horas”.
Mais tarde, em entrevista à SIC Notícias, Inês de Medeiros esclareceu que serão, na verdade, quatro novos furos: “um já está em funcionamento, outro vai entrar em funcionamento agora e os dois novos foram já pensados e vão entrar agora para licenciamento”.