A TAP vai retomar a 13 de julho os voos de e para a Venezuela, utilizando o Aeroporto Arturo Michelena de Valência, 170 quilómetros a oeste de Caracas, anunciou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SEC), Emídio Sousa.

O voo de e para este aeroporto é feito em alternativa ao Aeroporto Simón Bolívar de Maiquetía, o principal do país, que se encontra encerrado na sequência de danos estruturais causados pelos sismos que em 24 de junho último assolaram o país.

“Já vamos retomar os voos da TAP. Na próxima segunda-feira a TAP vai já voar para Valência, vai retomar já um voo semanal, e a ideia é conseguirmos dois voos semanais”, disse Emídio Sousa à Lusa.

O SEC explicou que “este regresso da TAP à Venezuela também vai trazer mais cerca de sete toneladas e meia de produtos farmacêuticos, que o Ministério da Saúde disponibilizou” de farmacêuticas portuguesas.

“Há muita gente que quer vir, outros que querem partir, portanto este regresso da TAP na próxima semana para o aeroporto de Valência, também é uma boa notícia para todos os que querem viajar. Portanto, há aqui uma série de desenvolvimentos no terreno que nós estamos a acompanhar, e que estamos a incentivar e a ajudar a que aconteçam”, disse.

Emídio Sousa iniciou na quarta-feira uma visita de quatro dias à Venezuela, onde visitou o estado de La Guaira, a região do país mais afetada pelos sismos, e onde se reuniu com a equipa de resgate e salvamento portuguesa, autoridades diplomáticas e membros da comunidade lusa local.

“E, vou ter contactos, nos próximos dias, com as autoridades venezuelanas, para ver a ajuda que é prioritária, para falar do futuro, para pensar na reconstrução, e para lhes dizer que Portugal estará sempre ao lado dos venezuelanos, como tem estado até aqui. Para nós a Venezuela não é um país qualquer, é um país irmão, e queremos estar na ajuda humanitária, na ajuda ao desenvolvimento da Venezuela, ao desenvolvimento económico futuro, porque achamos que a Venezuela tem todas as condições para ser um grande país e para melhorar a condição de vida dos venezuelanos e dos muitos portugueses que aqui estão”, disse.

Trata-se da segunda visita de Emídio Sousa a Caracas este ano, “esta, infelizmente”, sublinhou, “por razões da tragédia que a Venezuela sofreu”.

“Mas desde a primeira hora estivemos empenhados. Numa primeira fase, com o envio de equipas de resgate e de salvamento. Conseguimos logo, em 24 horas, enviar uma equipa de 64 elementos, com cães, médicos, muito equipamento, sapadores, GNRs, bombeiros”, disse, sublinhando que se trata de um conjunto de efetivos experimentados, que estiveram em terramotos na Turquia e em Marrocos, muito útil pelas capacidades operacionais e componente técnica que trouxeram.

O SEC explicou que “a primeira fase, que é a de salvamento e resgate, terminou” e que “hoje [quarta-feira], encontrar alguém com vida nos escombros será quase impossível. Só mesmo um milagre”.

“Então, entrámos na fase 2, que é a da ajuda humanitária. Eu vim com dois aviões da força aérea carregados com ajuda humanitária, com 12 toneladas de vários kits de alimentos; higiene; saneamento; duas ambulâncias oferecidas pela Cruz Vermelha completamente equipadas, que podem funcionar como postos médicos ambulantes; e com uma tonelada e meia de materiais cedidos pela Marinha, [incluindo] ferramentas para algumas intervenções, que é necessário fazer no terreno”, disse.

Emídio Sousa frisou ainda que, além da ajuda humanitária, Portugal já disponibilizou 400 mil euros para apoio a dois projetos que a Cáritas e a Oikos vão desenvolver, que preveem o apoio a 1.500 famílias.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos constam, pelo menos, 102 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por mais de 1.100 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.