As autoridades de Hong Kong realizaram rusgas a duas livrarias independentes em Hong Kong, que levaram à detenção de cinco pessoas, por suspeita de venda de livros que instigam ao “ódio” contra o Governo, o poder judicial e as forças de segurança.
Considerando que o grupo agia com “intenção sediciosa”, a polícia deteve dois homens, de 37 e 57 anos, e três mulheres, com idades entre os 30 e os 59, por violarem a legislação de segurança nacional. Em comunicado, o Governo confirmou que as autoridades apreenderam livros de ambas as lojas, avançou a BBC.
Apesar de as autoridades não terem revelado o nome das empresas, vídeos e fotos divulgados por meios de comunicação locais mostram imagens de caixas com o nome “Have A Nice Stay” e “Greenfield Book Store” a serem transportadas por polícias, no distrito de Mong Kok. Repórteres da agência de notícias AFP afirmaram também que viram uma mulher algemada a ser levada para uma carrinha.
Atualmente detidos para investigação, os vendedores podem enfrentar até sete anos de prisão.
A livraria “Have A Nice Stay”, fundada por ex-jornalistas, disponibiliza obras sobre democracia, autoritarismo e literacia mediática. A rusga ocorreu um dia depois de a livraria ter anunciado que iria encerrar dia 30 de agosto, por razões financeiras e por uma “linha vermelha” vaga, face ao material que é considerado problemático.
Já a loja “Greenfield Book Store” vende livros de “literatura, história, filosofia, arte, sociologia e desenvolvimento pessoal”, tanto de Hong Kong como de Taiwan.
Em tempos conhecido pela sua liberdade de publicação e expressão, que levava residentes chineses a passar a fronteira para comprar livros, o território tem vindo a ser alvo de operações que refletem uma tendência de repressão crescente, depois das mudanças políticas espoletadas pelos protestos contra o Governo em 2019.
As detenções desta quarta-feira assemelham-se a episódios passados na livraria “Book Punch”, em março, e “Hunter”, em junho, em que os funcionários foram também levados pela polícia.
A Amnistia Internacional condenou as rusgas, que considerou revelarem “a realidade assustadora na qual a cidade se transformou: um local onde se pode ser criminalizado simplesmente pelo que se tem na estante”. A incerteza das “chamadas ‘linhas vermelhas'” forçou livreiros e escritores a ter de “adivinhar quais os títulos que poderiam levar a uma investigação criminal, detenção ou encerramento”, instalando um clima de medo e autocensura.
Em declarações aos jornalistas, o chefe de segurança da cidade, Chris Tang, afirmou esta quinta-feira que um livreiro “tem a responsabilidade de garantir que os livros que vende não põem em risco a segurança nacional“, acrescentando que “a lei é muito clara. Se infringes a lei, ultrapassaste a linha vermelha”.
Tang afirmou, no entanto, que o Governo não iria elaborar uma lista de livros proibidos, pela inutilidade da sua implementação, reportou o jornal The Guardian.
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