O Tomorrowland, um dos maiores festivais de música eletrónica do mundo, regressa este fim de semana a Boom, na Bélgica, para a sua 21.ª edição, reunindo centenas de artistas internacionais e uma das maiores representações portuguesas de sempre no evento. A organização garante que a segurança está assegurada para todo o festival de acordo com as indicações das autoridades de forma a evitar qualquer incidente.
“Esperamos novamente 200 mil pessoas por fim de semana e 38 mil visitantes no parque de campismo por fim de semana. O tema deste ano é ‘Consciência’, que se refere às emoções — seis ao todo — que estão presentes nos 16 palcos e vários elementos espalhados pelo recinto do festival”, afirmou à agência Lusa a porta-voz do Tomorrowland, Debby Wilmsen.
“O Tomorrowland sempre foi sobre união. Ir a um festival é criar ligações e só conseguimos criar ligações quando existem emoções envolvidas”, acrescentou.
Sob o conceito “Consciência”, o festival decorre nos dois próximos fins de semana – de 17 a 19 e de 24 a 26 de julho -, no recinto de De Schorre, em Boom.
O tema desta edição inspira-se na ideia de que as emoções humanas estão na origem da ligação entre pessoas e com o mundo, explorando seis sentimentos – maravilha, amor, raiva, alegria, desejo e tristeza – através de um universo visual e imersivo que dá forma à cenografia e aos palcos do festival.
Os bilhetes para a edição deste ano estão esgotados há meses dada a forte procura.
Seis artistas e projetos portugueses no festival
Portugal volta a marcar presença no cartaz oficial, que cresce agora para seis artistas e projetos nacionais, entre os quais Diego Miranda, BIIA, ØTTA, Xinobi, Danni Gato e MXGPU, uma das maiores representações portuguesas de sempre.
Diego Miranda reforça este ano o estatuto de artista português com mais historial no festival belga, somando 10 presenças no Tomorrowland Bélgica desde 2015.
A edição deste ano representa também uma aposta numa nova geração de jovens artistas portugueses: BIIA, uma das principais referências nacionais do techno, estreia-se no festival, assim como ØTTA, nome associado às sonoridades mais intensas da música eletrónica.
Xinobi, produtor e DJ ligado à vertente house e disco, regressa ao circuito internacional, enquanto MXGPU – projeto que junta Moullinex e GPU Panic – apresenta uma nova proposta que cruza música eletrónica, performance audiovisual e tecnologia.
A presença portuguesa no Tomorrowland tem vindo a crescer ao longo dos anos, depois de nomes pioneiros como Pete Tha Zouk e da afirmação internacional de artistas como Kura e Diego Miranda.
Nesta edição, cresce também o número de festivaleiros portugueses e falantes de português, de acordo com a organização.
“É um público muito interessante e alguns já estão aqui. No caso dos falantes de português, temos muitos brasileiros, o que é natural porque temos também um festival no Brasil”, observou Debby Wilmsen nas declarações à Lusa.
Medidas de segurança reforçadas após incêndio que destruiu palco
De acordo com a responsável, “a segurança dos visitantes, equipas, artistas e residentes locais é sempre a principal prioridade”.
Debby Wilmsen relatou que, perante as elevadas temperaturas registadas na Bélgica, foi ativado o plano para situações de calor, que inclui áreas adicionais de sombra, zonas de nebulização e pontos de água potável distribuídos por todo o recinto do festival.
“Continuamos a acompanhar de perto a evolução das condições meteorológicas e implementaremos medidas adicionais sempre que necessário. Como sempre, continuamos a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades e os serviços de emergência para garantir que o festival decorre nas condições de segurança mais adequadas”, adiantou a responsável à Lusa.
O cancelamento do espetáculo de fogo de artifício altera a experiência do Tomorrowland, uma vez que os efeitos pirotécnicos são uma das imagens de marca do festival e integram os espetáculos, sobretudo no palco principal.
Numa altura em que a Bélgica enfrenta temperaturas elevadas, aumentando o risco de incêndio, as autoridades locais decidiram solicitar o cancelamento dos elementos pirotécnicos.
A medida surge após o incêndio registado em julho de 2025, que destruiu grande parte da estrutura do palco principal poucos dias antes da abertura do evento.
Na altura, a organização conseguiu reconstruir um palco alternativo em poucas horas, permitindo a realização do festival, mas o incidente levou ao reforço dos planos de segurança.
De acordo com a porta-voz do Tomorrowland, ainda prossegue uma investigação para apurar as causas do incidente, mas o principal motivo apontado é “falha humana”.
Nesta edição, foram revistas as operações relacionadas com materiais inflamáveis e reforçados os dispositivos de vigilância e de prevenção de incêndios.
Além das medidas de segurança, o Tomorrowland está a aprofundar a sua estratégia ambiental, com políticas de redução de resíduos, utilização de copos reutilizáveis, incentivo ao transporte coletivo e recurso crescente a combustíveis alternativos na logística do evento.